quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Rick ferreira, o eterno guitarrista do Raul Seixas.

Falar de RICK FERREIRA é falar um pouco da história do Rock no Brasil, afinal, ele foi ninguém menos do que o Guitarrista do Raul Seixas. Preciso dizer mais alguma coisa ?
Vamos logo ao papo com essa “lenda” do Rock Brasileiro.


Entrevista por Luis Carlos
Fotos: arquivo pessoal

Rick, sendo você conhecido como “fiel escudeiro” do Raul Seixas, é possível falar de sua carreira sem lembrar do maluco beleza? O que ele representa para você?
Até seria possível pois foram e ainda são praticamente todos os artistas com quem eu trabalhei e trabalho ao longo da minha vida. Mas como eu poderia deixar de falar do artista, que na minha opinião, é o mais importante do Brasil e da minha vida??Raul é o responsável por toda fama e carinho que eu tenho dos fãs e do público em geral. Raul representa não só pra mim mas, para todos em geral no Brasil a referência de várias gerações que estão aí e de muitas que ainda virão.
Você passou a tocar com Raul a partir do disco “Gita”, tendo inclusive produzido o disco "Uáh-Bap-Luh-Bap-Láh-Béin-Bum". Como foi produzir um disco para Raul?
Raul, ao contrário do que muitos pensam e acham, era uma pessoa extremamente profissional e dedicada ao seu trabalho artístico. Sabia o que queria, sabia como pedir as coisas, e isso o tornava uma pessoa fácil de se lidar. Trabalhar com Raul sempre foi gratificante, posso dizer que, curtimos e nos divertimos muito nas sessões de gravações do Wah Bap Luh Lah.

Entre todos discos que fez com ele, é possível escolher o melhor e aquele que você pelo menos acha que não funcionou comercialmente?
Entre os melhores eu considero o disco que fizemos no estúdio Eldorado quem tem DDI e Coisas do Coração, Metro Linha 743 e Wah Bap Luh Lah. Não que eu não goste pois gosto de todos sem exceção, mas, os que possivelmente não tiveram um apelo mais comercial eu citaria Mata Virgem e Pedra do Gênesis.
Você chegou a lançar um disco solo chamado “Porta das maravilhas” em 1976. Também saiu um compacto com duas canções do disco chamadas “Meu Filho, Meu Filho” e “Retalhos e Remendos”. Conte-nos sobre esse trabalho.
Em 1973 eu procurei meu amigo de infância Sergio Carvalho que ja estava nessa época trabalhando como produtor da Philips. Minha intenção era gravar algumas músicas minhas e me lançar como artista. E gravamos duas músicas, Retalhos e Remendos e Meu Filho, Meu Filho. No início de 74, o Sergio mostrou essas gravações pro Raul, que ficou maravilhado e quis me conhecer. Tudo na minha vida começou com Raul por causa dessas gravações. Nessa mesma época, conheci também o Paulo Coelho que também gostou muito do trabalho, e refez as letras tornando se meu parceiro nas duas músicas. A música Retalhos e Remendos, também chegou, através do Sergio Carvalho, ao Guto Graça Mello que escolheu Retalhos e Remendos para ser o tema da atriz Francoise Fourton na novela Cuca Legal da Globo, o que me levou a ser contratado pela Philips como artista. Em 76 gravei o LP Porta das Maravilhas, que até hoje é considerado uma relíquia entre os fãs.
Em 2009 você teve um AVC e chego ua ficar um bom tempo sem tocar. Conte-nos sobre isso.
Foi em abril de 2009, tive uma isquemia cerebral. Mas na verdade fiquei pouco tempo impossibilitado de tocar, cerca de um mês e meio após, eu já estava gravando e fazendo shows normalmente.
Você produziu e tocou com diversos artistas, entre eles Erasmo Carlos, Guilherme Arantes, Sergio Reis, Pitty, Belchior, Matanza, Zé Ramalho, Legião Urbana, entre outros. Como é a experiência de trabalhar com artistas dos mais variados estilos?
Isso foi de grande importância na minha vida. Lidar com variados egos de artistas, não é uma tarefa muito fácil.Mas com certeza,acredito que isso me fez crescer profissionalmente, e tornar uma pessoa mais experiente e melhor musicalmente, é um eterno aprendizado.

Veremos algum dia um novo trabalho solo do RICK FERREIRA?
Esse trabalho já está pronto, esperando alguém que se interesse em lançar. É um disco instrumental de 14 faixas com músicas dos anos 50 e 60 que marcaram a minha vida. Musicas que eu ouvia desde criança e sempre sonhei em um dia tocar e gravar.
Você assistiu o documentário sobre Raul Seixas. Se sim, o que achou?
Achei péssimo!!!! Uma pena você fazer um filme com uma pessoa que tem tanto a acrescentar e mostrar o lado obscuro do Raul. O Raul é muito mais do que foi mostrado nesse filme. E achei uma falta de respeito comigo também. Eu sou considerado por todos hoje, a pessoa mais importante na obra do Raul, uma referência. O diretor e o produtor do filme, ficaram aqui em casa cerca de 6 horas gravando depoimentos e ouvindo histórias minhas com Raul, pra chegar na hora me colocarem fazendo apenas um acorde. Achei uma falta de respeito enorme comigo isso, inadmissível a atitude da produção do filme, comigo principalmente.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Kiko Dittert, agora em sua carreira solo.

Kiko Dittert, agora em sua carreira solo.

Lembro que fiz um show em Sepetiba/RJ em 1997. na época eu tocava em uma Banda chamada Refugium Pecatorum. Nesse mesmo evento tinha uma Banda chamada Dreadnox. Foi naquele evento que eu conheci uma Banda que fazia a diferença em um show underground, um grupo que tocava mais alto que todos nós juntos e que tinham músicos que faziam com que soassemos meros amadores, detonando um Metal clássico com alguns toques de Progressivo com uma postura profissional ímpar.
Eu odiei e amei aqueles caras naquele momento, e sim, realmente eles estavam a frente de todos nós não só naquela noite, e agora cá estou eu entrevistando o guitarrista daquela banda, Kiko Dittert.
Vamos ao papo.
Entrevista por Luis Carlos

Capa do single. (Foto: Marcos Hermes)


Kiko, você está se lançando pela primeira vez como um artista solo. O que te motivou a fazer isso e quais são suas perspectivas com esse trabalho?
Kiko:
Após 3 discos com o Dreadnox e mais de 20 anos tocando eu achei importante canalizar algumas ideias para um projeto próprio.

Quando eu comecei a pensar em morar fora do Brasil essa ideia tomou mais força. Então ao mesmo tempo eu comecei a montar o projeto de morar fora (Canada) e tbm o meu trabalho solo. Imagino que estes singles irão abrir alguns caminhos diferentes para mim. Bom, é o que eu espero! (Risos) Tive contato com músicos renomados, jornalistas nacionais e internacionais e até produtores me incentivando a transformar o projeto num disco inteiro. Esta sendo animador.

Do que eu ouvi do trabalho solo percebi que a grandiosidade dele está no fato de que mesmo sendo um disco feito por um Guitarrista, em nenhum momento o instrumento tem um destaque exagerado na música. Foi essa a ideia?
Exatamente! Eu até tenho composições mais voltadas para guitarra mas não achei adequado fazer isto neste momento. Tenho uma visão bem ampla sobre a música e quero explorar isso ao máximo neste projeto. Gosto do equilíbrio entre os instrumentos.

Todo mundo te conhece como integrante do Dreadnox, Banda carioca com 24 anos de existência, e há um bom tempo não se ouve falar do grupo. Por que esse hiato? Já que o último disco do Dreadnox, “The Hero Inside”, foi lançado em 2014.
Em 2014 e 2015 nós fizemos shows promovendo o álbum "The Hero Inside" junto com o Almah e também com o Angra. Já em 2016 e 2017 realmente tivemos uma agenda reduzida, mas isso está mais ligado ao cenário carioca de heavy metal, violência, crise econômica do que qualquer outro motivo. Quando vamos fazer um show levamos uma estrutura legal e isso gera trabalho, custos e logística. Avaliamos bem os lugares onde vamos tocar e o retorno que teremos com isso. Infelizmente o mercado não está ajudando ultimamente. Fora isso temos projetos ousados para 2018. Além de um possível novo CD, estamos pensando numa pequena tour entre Canadá e EUA. Como eu vou morar em Vancouver, vou organizar essa logística nos próximos meses. Quero mostrar o talento da banda em terras Canadenses.

Fazendo participação no workshop do Edu Ardanuy (Foto:? Luciana Pires)


Foi com “Dance of Ignorance”, lançado em 2010, que o Dreadnox estabilizou sua formação. Parece que com isso, a Banda acabou conquistando muito mais coisas em sua carreira. NA sua opinião, quais foram as maiores conquistas do grupo?
Kiko : Manter a banda por mais de 20 anos ja é uma grande conquista! Sem duvidas ter uma formação estável é saudável para os relacionamentos e consequentemente para a música. Isso se refletiu nos álbuns Dance of Ignorance e The Hero Inside. Outro aspecto importante da estabilidade da banda é a possibilidade de fazer projetos futuros, inclusive o de morar fora do país. Neste período tivemos a oportunidade de trabalhar com pessoas renomadas no mercado como Roy Z que mixou o algum "The Hero Inside", Renato Tribuzy que produziu os dois últimos álbuns da banda, Maor Applebaum que masterizou o nosso último álbum, Marcelo Moreira que fez a pré-produção das baterias do "The Hero Inside". Muito conhecimento foi adquirido neste período.


Quando você decidiu ser um Guitarrista? E quais são suas influências?
Aprendi a tocar olhando o meu irmão montando a banda dele de pop rock nos anos 90. Acompanhei todos os passos que posteriormente eu fui trilhar com o Dreadnox: acompanhei shows da banda dele, gravações em estúdio, ensaios e inclusive as brigas! (Risos) Minhas principais influências vem do Metallica, Megadeth, Yngwie Malmsteen, Jake Lee e Jason Becker. Inclusive eu gravei este novo trabalho com a guitarra signature do Jason Becker. Que honra tocar com uma guitarra que foi fabricada e que parte da receita é destinada a cuidar do tratamento do Jason Becker que sofre de Esclerose Múltiplas há mais de 20 anos.

  Kiko com Alexandre Macedo e Renato Tribuzy (Foto:arquivo pessoal)


Você toca em uma Banda de Heavy Metal, mas como um Guitarrista, ouviria e/ou tocaria outro estilo se tivesse uma oportunidade?
Hoje eu posso afirmar que não. Mas no futuro quem sabe? Só ouço Rock e Heavy Metal. Gosto de algumas bandas de White metal como Oficina G3, Rosa de Saron e Whitecross mas não fujo do metal não. (Risos)


Na sua opinião quais são as qualidades e as dificuldades que um músico de Heavy Metal tem pra tocar no Brasil? E qual sua opinião para quem tem uma carreira solo ou pretender levar isso a frente?
O músico tem de desenvolver o lado didático (estudo e pratica) mas também tem que ser empreendedor. Vejo muitos músicos fantásticos que não sabem gerenciar a sua carreira e por conta disso ficam estagnados. O Brasil não prioriza dentro do ensino fundamental o estímulo a criatividade e o empreendedorismo. Lá fora isso é bem diferente e por isso quero que os meus filhos tenham uma experiência de vida diferente. O músico tem que ter contato com outras culturas e trocar experiências. Depois pode até voltar e dar continuidade ao seu trabalho por aqui. Fazer amizades que agreguem e que você possa aprender também. Forme uma banda com pessoas positivas, proativas e determinadas. Quem não tem um projeto e objetivo não sabe onde quer chegar.


Qual seu guitarrista preferido Brasileiro e qual o gringo?
Não consigo falar só uma ! Rs Kiko Loureiro, Juninho Afram, Eduardo Ardanuy e Gustavo Dipadua.
Yngwie Malmsteen, Jason Becker, Jake Lee e Marty Friedman.

Qual seu disco preferido do Dreadnox e qual aquele que você menos curte?
O melhor é o The Hero Inside. Mostra toda a força e maturidade musical da banda. O que menos curto é o Divine Act mais pelo fato da qualidade sonora não ser boa. Na época não tínhamos tanta experiência. São ótimas composições só que com uma sonoridade inferior.

Voltando a sua carreira solo, teremos shows?
Provavelmente lá no Canadá! Espero me enturmar rápido com o cenário local. Eu gostaria muito. Tenho ideias interessantes para desenvolver por lá.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Bozzo Barretti, um grande produtor e músico Brasileiro.

Bozzo Barretti, um grande produtor e músico Brasileiro.

Eu era moleque e um fã de Rock and Roll na década de 80, quando ainda começava a colecionar e ouvir meus primeiros vinis, e entre as Bandas do Rock nacional, estava uma de Brasília chamada Capital Inicial. 
O segundo disco dessa Banda intitula-se “Independência”. Esse álbum marcava não a entrada de um tecladista na banda, mas também a de um grande produtor. Seu nome era BOZZO BARRETTI, uma figura superimportante na música Brasileira. Vamos ao papo.

Bozzo Barretti 


Entrevista por Luis Carlos
Fotos por Baobá Art

Bozzo, ouvi falar de você pela primeira vez quando ouvia a Banda Capital Inicial, precisamente no segundo disco “Independência”. Como se tornou produtor, depois integrante e por que saiu do grupo ?
Em 1985 fui convidado a integrar a equipe do Festival dos Festivais, na Globo, onde Cesar Camargo Mariano era o Diretor Musical. Apenas por curiosidade, fui o Arranjador da música vencedora: Escrito nas Estrelas, defendida por Tetê Espíndola, onde um dos autores é Carlos Rennó, que é meu parceiro de composição, também. Reencontrei aí um amigo, Marcus Vinicius, técnico de som, que viria a me convidar pra ser seu co-produtor do Capital Inicial no ano seguinte, pela gravadora Polygram. Por eu ser tecladista e rockeiro e a banda não ter tecladista, num momento que teclado era importante pras bandas de sucesso, ele me chamou. Lutei pra que Música Urbana fosse a música a ser trabalhada, contrário à opinião da Banda. Foi sucesso imediato e eles começaram a sentir falta do Piano e dos Metais que integravam o arranjo original. Fui chamado pra fazer uma participação especial, num show que seria realizado em São Paulo, pra tocar o Piano e reproduzir os metais em Teclado. Daí pra frente, é história. Passei a fazer todos os shows e entrei pra Banda quando fomos começar a criação do segundo disco, Independência. Assim foi até o Eletricidade, quinto disco, quando lançamos Todas as noites e O Passageiro, dois megassucessos do Capital. Nesse momento, num momento bastante conturbado da história do Dinho, acabei brigando com ele, que era meu grande parceiro na Banda e havia sido companheiro de quarto por muitos anos. Isso abalou o nosso relacionamento profissional. 6 meses depois desta briga saí da Banda.

Você tocou com grandes artistas da MPB como Toquinho, Fafá de Belém, e entre eles, Wilson Simonal. O Artista que na época da chamada ditadura foi acusado de ser conivente com o regime militar. Como foi tocar com um artista que eu considero tão injustiçado?
Pois é, é o mesmo que eu penso dele. Ele era um gênio. Tocava vários instrumentos de natureza diferente, como o piano, violão e o flugel horn, dentre aqueles que sabia que ele tocava. Escrevia todos os arranjos da banda. Cantava como poucos e era um super showman. Eu era muito novo, mas, como fã, conhecia quase tudo dele. O maior momento dele, pra mim, foi Sa Marina que tinha um riff famosíssimo de piano criado pelo Cesar Camargo Mariano (mais uma vez!). Devia ter uns 12 anos quando tirei o riff e tocava ele exatamente como o Cesar. Quando comecei a tocar com o Simonal, ele me passou as partes de tudo que eu deveria tocar, incluindo este famoso riff. Toquei uns 3 ou 4 shows e ele chegou e disse: deixa que o Carlinhos (guitarrista) toca esse riff. Fiquei muito chateado. Meses depois o Cesar foi ver o show. Tinha se separado da Elis Regina e, finalmente, podia ir ao show do grande amigo, já que a Elis não permitia que ele fosse, por causa do relatado na sua pergunta. Nesse dia disse ao Carlinhos: o mestre está na plateia, deixa que eu toco o riff de Sa Marina! E assim eu fiz: igualzinho ao Cesar! No exato momento que eu toquei...branco total! Wilson Simonal paralisado e olhando em direção ao piano! Após o riff, supunha-se que ele voltava sozinho cantando pra que a banda atacasse logo em seguida. Não sei quanto tempo durou este hiato, mas após uma boa pausa de muitos e muitos segundos ele como que voltando de um transe, volta a cantar! Após o show ele me procura e diz: nunca, ninguém havia tocado Sa Marina como o Cesar tocava! Porque você não tocava assim antes? Eu, com um misto de respeito e inconsequência respondi: você escreveu errado e eu tocava o que você escreveu! Rsss Eu era seu interlocutor desde os primeiros ensaios porque havia dado sugestões de escrita de metais pra ele. E ele me dizia da injustiça que sofreu e do fato de que nenhum advogado o defendia. Há que contextualizar este fato: ele era negro, bonito, talentoso e cantava algo que costumavam chamar de "Pilantragem". Era o maior showman do pais e o artista número um do showbizz! Os monstros sagrados da MPB o execravam. Ele foi estudar direito pra promover sua própria defesa! Foi absolvido pós mortem! A justiça veio!

Outro artista que acabou sendo bastante polêmico foi Tim Maia. Com foi coproduzir o “Síndico” ?
Fui convidado a coproduzir um disco inteiro do Tim, por um saudoso amigo, Chico Mourão. O Tim era outro gênio e difícil de lidar. Tudo era de primeira. A emoção da primeira vez que se cantava era a que valia pra ele. Aliás, foi minha primeira escola, porque gravei muito com a turma do Tim. Por conta de um ouvido privilegiado que ele tinha, acabamos produzindo apenas duas faixas: Pudera, uma balada que a letra foi escrita em 20 minutos pelo tecladista dele, e Do Leme ao Pontal (essa um clássico). 
Tudo aconteceu no lendário Estúdio Transamérica de São Paulo! O problema começou quando, após fumar um enorme baseado, dentro do estúdio, o Tim foi cantar. Num determinado ponto da gravação ele parou e vaticinou: essa máquina está com problema! Nesta época gravava-se com uma fita de duas polegadas onde se conseguia utilizar 24 canais de gravação. Ele dizia que a base instrumental dava um salto num determinado momento. Ninguém ouvia! Só ele! Roberto Marques, um dos maiores engenheiros de som do país e gerente do estúdio foi chamado. Também não ouviu e disse: ele tá muito louco! Bom, chamamos o técnico de manutenção, que constatou que tudo estava ok! Tim, meio a contragosto, resolveu tentar novamente! No mesmo ponto... Aí!!! Essa máquina tá com problema! Volta o técnico, passa um sinal de áudio, faz todas as medições e diz: tá tudo ok! Aproveita e mede a tensão da máquina e, tudo certo! Pela última vez o Tim tentaria! E, no mesmo ponto e já muito puto: tem problema aqui! Sei que o técnico trouxe, sabe-se lá de onde, um aparelho que era o top dos tops. Mediu e....no famigerado ponto apontado por Tim tinha o que chamamos de um drop! Um minúsculo drop! Um inaudível drop pra qualquer ouvido humano treinado! Mas Tim, doidão ou não, OUVIU! Pegou a sua fita de 2 polegadas, pôs em baixo do braço e disse: tô indo pro estúdio do Lincoln!!! (famoso arranjador e produtor carioca que gravou todos os maiores nomes da música brasileira da época/ Lincoln Olivetti). Tim rogou tanta praga que menos de um ano depois, os Estúdios Transamérica foram fechados em São Paulo. E nós perdemos a produção. Nesse pouco tempo de convivência tiveram outras histórias engraçadas, mas não dá pra estender mais esta resposta!

Você atuou bastante como compositor e arranjador, trabalhando com artistas como o já citado Capital Inicial, além de Zezé di Camargo e Luciano, Leandro, Os Travessos, bruno e Marrone, Xuxa, etc. Como é a experiência de trabalhar com artistas dos mais variados estilos?
Eu parti de um princípio, no meu campo profissional. Felizmente tenho capacidade ora atuar em diversos segmentos e alguns me agradam e outros são, apenas, fonte de renda. A ideia sempre foi colaborar com as pessoas! Se posso ajudar, vou ajudar, até quando me quiserem ou vice-versa. E, sempre faço o melhor do meu trabalho! Não entrego nada antes que me convença de que o que estou fazendo é o melhor praquela determinada música. E nunca fiz nada apenas por fazer e apenas o que estava na moda. Sempre procuro por uma pitada daquilo que é o meu estilo e o meu pensamento musical praquele determinado trabalho. Eu tenho que acreditar naquilo que fiz: este é o ponto crucial! Isto faz com que eu trabalhe sem stress, curta o que estou fazendo e quando entrego o trabalho aos artistas, eles sentem a vibe positiva que eu empreguei no meu trabalho. Todos ficam felizes. 
Além desses artistas, você faz trilhas sonoras e e fez aberturas de algumas novelas da Globo, SBT, Record, e ainda, vinhetas para rádios e jingles para comerciais da Johnson & Johnson, Bradesco.

“Falando financeiramente” em termos de mercado como compositor e arranjador, trabalhar com esse “nicho” é financeiramente melhor do que trabalhar, por exemplo, como um músico de estrada, fazendo turnês, enfrentando longas viagens?
Quando eu era moleque e trabalhava com os grandes artistas, era muito bem pago. Os grandes artistas da moda pagam muito mal. A publicidade já foi muito vantajosa. Com a chegada da tecnologia onde você faz uma trilha ou um jingle dentro do seu quarto de dormir, grava uma locução com um notebook dentro do seu carro, as coisas se dissiparam. Saiu das mãos das grandes produtoras e isso, por conseguinte, fez com que os valores caíssem. No meu caso, em particular, a soma de todas as vertentes que trabalho é que me dá condições de me manter no mercado e viver da maneira que eu vivo.

Falando em composição, vi que recentemente você está envolvido em uma luta sobre direitos autorais. Conte-nos um pouco sobre isso.
Esse é um terreno bastante complexo. Quando postaram sobre o PL ( Projeto de lei)que mexia com nossos direitos, prontamente me engajei nessa luta. A OMB do Brasil (Ordem dos Músicos), viu um post meu no Face e me convidou pra uma reunião. Estamos, desde aquele momento, discutindo com a Deputada Renata Abreu, relatora do PL, pra tentarmos assegurar alguns dos direitos adquiridos da classe e buscando barrar algumas coisas que Sindicato de Hotéis e Restaurantes estavam querendo nos cercear. Muitas das reivindicações deste Sindicato Patronal nem podem ser incluídas na lei, sob o custo de burlar tratados internacionais que o Brasil é signatário. Com a propagação dos streamings, da internet como um todo, as leis não conseguem acompanhar o mesmo passo da tecnologia. A falta de seriedade que dominou a propriedade intelectual no Brasil durante décadas e que estava conseguindo melhoras, pode retroceder mais uma vez por não conseguirmos adequar as leis às ações da pirataria virtual, que muitas das vezes, as pessoas nem sabem que estão cometendo. Estamos buscando soluções que apontem para um futuro melhor para a classe dos Compositores. Não sabemos qual será o comportamento do Congresso como um todo na hora da aprovação. Isto envolve política e disso não entendo.

Bozzo Barretti


Qual artista que você teve mais orgulho de trabalhar e aquele que te deu mais trabalho?
Arrigo Barnabé foi um grande marco na minha carreira. Ele me fez evoluir musicalmente, porque o trabalho exigia leitura, melhora de técnica. Acabamos marcando época. Não tive muitos problemas com artistas. Coincidentemente, se formos pensar em tempo, como uma "unidade de valoração de trabalho", talvez o próprio Capital tenha me dado o maior trabalho, no primeiro disco. Pra gravarmos Música Urbana levamos umas duas semanas. Eles eram muito crus e a criação era muito melhor que a execução. O Marcus Vinicius começou a encanar com o andamento da música, que o Fê alterava sempre que passava de uma parte pra outra e eu fui comprando esse problema. Na época não gravávamos com click (metrônomo) e assim sendo, o Fê tocava o que a intuição dele mandava! E a gente considerava errado. Isso estressou a todos. Foram quase duas semanas de trabalho em cima de uma única base de bateria! Com a tecnologia de hoje, isto não teria sido problema algum. Resolveríamos com edição digital e pronto. Na época não! Mas, valeu a pena! Foi um super sucesso.

Atualmente existe um “revival” dos Anos 80 com eventos celebrando essa década considerada de ouro, principalmente para o Rock nacional. Você que viveu bem essa época concorda com isso, ou, acha que muito do que se celebra hoje também está transformando muita coisa ruim em algo “cult”?
Quando se fala do "trash" dos anos 80, acho que é apenas pra animar uma festa, como foi o som do final dos anos 50, com aquelas músicas tipo "Biquíni de bolinha amarelinha", que animavam os casamentos ou os anos 60, com os Beatles do início de carreira e a Jovem Guarda Brasileira, sempre garantia de pista cheia em Eventos e coisas assim. Neste momento, começo sentir o revival da essência dos anos 80. E os artistas da época estão reaparecendo. Isso eu acho muito bom. Os covers podem começar a perder terreno quando o artista autêntico surge e diz: peraí! Ainda estou na ativa e posso cantar aquilo que vocês estão querendo ouvir. Isso pode ser muito interessante. 
Cult, pra mim, não significa algo de ruim. Estive recentemente no show Liga Retrô e vi a reação do público perante os verdadeiros criadores daquela estética: simplesmente, indescritível! Existe uma geração toda se sentindo órfã daquilo que cultuava como boa música. Esses órfãos buscaram nos covers algum alento, mas quando os reais artistas da época se reúnem, rola uma catarse. Eu ainda bebo nessa fonte pra criar minhas músicas. Acho que está na hora de revitalizarmos esse momento com novas criações que remetam a essa estética e que, ao mesmo tempo, se atualize. Isto é o que eu tento fazer com a Brotheria, minha atual banda.

Você que é Bacharel em composição erudita, multi-instrumentista e também cantor. Qual sua opinião a respeito do mercado fonográfico atual e da qualidade do quem vem sendo produzido no Brasil.
O mercado está fraco! Muito fraco. Não sei como está o underground neste momento. Mas, as músicas que tocam em rádio estão vazias. Existe uma nova tendência entrando na grande mídia, que é esse tipo de música muito simples, como Trem Bala, que falam de coisas positivas. A simplicidade da música não me incomoda nem um pouco, pelo contrário, busco isso na Brotheria há alguns anos. O Necessário, música que gravamos há cerca de 3 anos é isso. Acho que isto pode abrir uma porta pra coisas melhores, pra que se elevem os pensamentos. Falar de dor de corno, de bebedeira, de baixaria, de traição (como se fosse a oitava maravilha do universo) já deu! Não aguento mais. Brinco, mas no fundo falo um pouco da minha verdade: quando surgiu Claudinho e Bochecha pensei que estivéssemos no fundo do poço...hoje tenho saudade da musicalidade deles! rssss. E após a invasão do funk, parece que ainda temos que lutar muito contra isso! Não me incomoda o ritmo, mas sim as letras e contexto vulgar da grande maioria. O poder financeiro, que patrocina essa pobreza na música popular, busca a manter o povo "burro" e sob o chicote da mesmice, estalando alto, diga-se de passagem. Tento respeitar o gosto das gerações e respeito, mas alguns gêneros só estão exterminando nossa verdadeira cultura musical, tão rica e diversificada.


Sendo cantor, veremos algum dia um trabalho solo do BOZZO BARRETTI ?
Kkk! Resolvi incluir, pela primeira, no meu currículo, a palavra "cantor". Porque!? Porque sempre cantei! Criei bandas como cantor solo e sempre fiz backing. E ganho dinheiro cantando em coros de publicidade há décadas! Nada mais justo do que me posicionar como cantor, também. Tenho um problema sério! Falta de memória. É muito difícil conseguir decorar uma letra, mas, mesmo assim, canto alguns solos na Brotheria. Um trabalho inteiramente solo, acho pouco provável, mas, a vida vai dizer.Tudo pode acontecer! E, quando me dão uma ideia, como a que você me deu, me dá cosquinha pra começar a criar algo novo, em águas que nunca tenha navegado Gostar de cantar, gosto! E tenho muitos fãs, na casa que eu moro! rsssss.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

EDU K, o camaleão do rock Brasileiro.

EDU K, o camaleão do rock Brasileiro.

Depois de anos a frente do DeFalla e um breve retorno do grupo, Edu K retorna com sua carreira solo e fala dos seus novos projetos musicais. Vamos ao papo.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos por Fábio Alt.

Edu K

O que você está fazendo atualmente?
Abracei com meus braços de polvo antropofágico a cultura drag queen, de vez: uma influência que sempre tive, desde os anos 80, vinda da cena club kid de NYC e da propria RuPaul (vide Paris Is Burning e, claro, RuPaul's Drag Race: Mama Ru é minha religião), reanimada pela minha Drag Mom lynda, Eduarda Britz, da Haus Von Britz, da qual faso parte. Nunca fui boy, sempre fui gender fluid, ou seja, passeio entre as polaridades (e tudo mais pelo meio), uma espécie de boy/girl e o que mais vier. Óbviamente, também, filho de Bowie e Marc Bolan, sempre me pintei mas, nunca tinha me afundado tão profundamente, nesse mundo fabuloso, com os dois saltos 16 e mais make up do que jamais você usaria numa vida inteira! A cultura drag é um grito de liberdade sexual, para homens e mulheres do mundo todo: me relaciono, pelas redes sociais, com muita gente que redefiniu sua sexualidade, fortaleceu sua auto-estima, desconstruiu suas, e das pessoas à sua volta, noções de gênero; gente lynda, montada e glamourosa como @nickywrinkle, @chi.shan.o e @berlinfatale. Como sempre fiz, sigo usando meu corpo como minha arte e plataforma para mudanças politico-sociais e acho importante que se levantem estas questões de sexualidade e gênero num país machista e brutal com sua enorme população gay, trans e feminina. No universo musical, em 2017, lancei a nova fase da minha carreira solo (que começou em 1995, com o disco "Meu Nome É Edu K"), depois do fim do Defalla. Em Setembro sai meu novo disco, "Lipstick Jungle", pelo selo maravilyndsay, 180 gramas, com várias pedradas glam pós-Marilyn Manson e algumas baladas pop pra derreter as calcinhas e cuecas dos boys, girls, trans, pans, polys e povo transudo em geral do nosso Brazil e mundo afora!

O DeFalla anunciou seu retorno e lançou disco novo, porém, em pouco tempo a banda encerrou suas atividades. Por que?
 Nosso Monstro, derradeira obra-prima, foi parido num momento muito conturbado pro país, no borbulhar final do impeachment da Dilma e na crista da onda de uma das maiores crises, não apenas politica, mas também financeira, que o Brasil já viveu, e isso afetou o lançamento do álbum e da tour, com escassos shows e pouco espaço na mídia, desgastando muito a banda, que já vinha num empenho de quase quatro anos de trabalho pra botar a cara (no sol) pra bater de novo, depois de mais de 15 anos de hiato na sombra. Por fim, achamos melhor acabar a banda, dessa vez oficialmente, e seguirmos nossos próprios caminhos.

Cada disco do DeFalla possuía uma sonoridade diferente, assim como a estética visual do grupo. Esse sempre foi o “charme” do grupo?
Se charme for um eufemismo pra esquizofrenia, psicopatia musical, experimentalismo descabelado, curiosidade tecnológica, expressão extrema da liberdade individual e coletiva, quebra de paradigmas sociológico-sexuais, senso estético descontruídão (antes do termo virar moda) e beleza natural gaudéria, acho pode-se dizer que sim! haha!

Edu K e sua banda solo em ação.


Existe algum disco preferido do grupo ou aquele que você pelo menos curte?
Sou um pai clichê: gosto de todos meus filhos por igual mas, como nunca olho pra trás, o disco que mais gosto é aquele que ainda não fizemos e, nesse caso, provavelmente nunca faremos.

Não só musicalmente, mas enquanto indivíduo mesmo, você é uma pessoa camaleônica. Você acha que o visual é uma expressão importante para o “Edu K artista” ou realmente isso reflete seu estado de espírito naquele momento?
As duas coisas. Imagem é tudo, sede é tudo também, haha. Sempre me expressei, primeiramente pela imagem, e secundariamente pela musica. Por mais que me vejam como musico, sou, acima de tudo, um multi-artista. Hoje em dia, por exemplo, sou muito mais ligado aos mundos do video e da performance, a música é a trilha sonora para os outros tipos de arte. E a imagem sempre foi o cartão de visita das minhas paixões efêmeras, sempre nascendo antes de tudo, até mesmo da música, em cada uma das centenas de fases pelas quais passei e ainda, certamente, passarei. O Defalla foi pioneiro em diversas coisas, mas em especial, foi abre alas dessa mentalidade pós-moderna/pós-MTV, vivendo num mundo pré-internet, já trabalhando com conceitos de conectividade pós-internet. Sempre entendi que a pessoas vêm a música!

O Sul sempre foi e ainda é um grande celeiro de boas bandas de Rock, mas parece que poucas tiveram visibilidade pro Brasil. O De Falla, por exemplo, nunca teve esse interesse em ser tão pop ou as pessoas é que nunca compreenderam a música do grupo?
Tudo que eu fiz e faço sempre foi e será pop - essa é a minha veia, meu meio, minha mídia - independente de ser reconhecido ou não como tal pelo público em geral;  afinal meu pop não é formulaico, existe "fora da caixa", fora dos padrões. A questão da visibilidade, colocada da maneira como tu colocou, é uma coisa que ficou no passado: a conectividade moderna destrói a barreira fisica/geográfica que outrora fazia Porto Alegre ser a cidade "Longe Demais Das Capitais", cantada pelo nosso bardo gaudério, Humberto Gessinger: hoje as bandas gaúchas ocupam seu espaço nacional/internacional com mais facilidade, velocidade e destreza.



Agora que finalmente está em carreira solo, essa é sua nova realidade como artista? Ou existiria alguma possibilidade futura de volta ra tocar em uma Banda?
Esse é, na verdade, um novo desdobramento da minha carreira solo, que já existe há muitos anos. E, por hora não existe a possibilidade de uma volta do Defalla mas, sabe como é: "nunca diga nunca" quando se trata de Defalla...especialmente se me cobrirem de propostas indecorosas, ouro, euros e brilhantes.

Falando em carreira solo, existem planos para shows?
A "Lipstick Jungle Tour" já tá na estrada, e logo estaremos lambuzando o país todo de batom! Em Setembro seguimos purpurinando o Sul do país e em Outubro/Novembro tomamos São Paulo, Rio De Janeiro e Argentina de assalto, do alto dos meus saltos baphônicos da @dominiodamoda!

Pra você, que também é produtor musical, quais seriam as Bandas que se destacam na cena atual do Rock? E quais seriam aquelas do RS que você destacaria?
Tem muita coisa acontecendo na música e nas cenas, é quase impossível acompanhar tudo, com o volume de informação disponível, mas tô apaixonado pela nova leva de cantores/cantoras como a maravilhosa Linn Da Quebrada, o Liniker, o Rico Dalasam e a mega diva do pop, Pabllo Vittar. Sigo crazy in love com a Anitta, nossa primeira rainha pop moderna e com a nossa Beyoncé, a rainha do Pará, a musa da Gang Do Eletro, Keila, agora em carreira solo (100or, o que canta e dança essa mulher!) e tbém gosto muito de bandas e artistas como os cariocas psicodélicos, The Outs; os pós-Electro Tropicalistas, Baiana Sound System; as loucas aventuras pop do João Brasil; o punkadão futurista do Fredi Chernobyl, as loucuradas electro-indie pós-modernas do V.Diasz; a lingua de metralhadora do Rincon Sapiência; o trap mundial milionario dos Tropkillaz e, na nova cena Portoalegrense, tenho lambido os beiços com os Bordines, Baby Budas, Nacional Riviera, Cine Baltimore, Motor Cavera, Erick Endres (que também tá tocando guitarra na minha nova banda solo), as Destroyers (da qual faço parte honorariamente) minha nova banda, onde toco guitarra, Santíssima Trindade (com o gênio/lenda portoalegrense, Branca) e as drag queens bapho sickening, as Vikings, Cassandra Calabouço, Candy Diazy e Vitz Vika.
Edu K

Para mim você sempre foi um artista a frente do tempo e sempre me pareceu desafiar qualquer tipo de modismo fazendo aquilo que tivesse realmente m interesse. Falo isso de você ou mesmo com o DeFalla. A onda nunca foi ter uma direção musical?


Musica, pra mim, não tem limites, definição, regras, preconceitos, delimitações: é meu reino mágico, encantado, da liberdade pura, liquida, pulsante; meu parque de diversões sonoro onde teço a malha da vida com sons, timbres e ritmos; e nesse carro de corrida não trabalhamos com direção, esse trem desgovernado passa por toda e qualquer estação: sobe junto ae quando eu passar na tua!

DEFALLA

DeFalla é uma banda formada em Porto Alegre / RS em 1985. Nasceu com influências de Rock, Rap, Metal, Miami Bass, Hip Hop, etc. Ficou reconhecida pelas irreverentes mudanças em suas formações, seu estilo musical e sua apresentação estética. Inseriu-se no cenário do rock inicialmente no circuito alternativo

domingo, 27 de agosto de 2017

Tuatha de Danann, os pioneiros do Folk Metal no Brasil.

Tuatha de Danann, os pioneiros do Folk Metal no Brasil.


Falar do Tuatha de Dannan é falar um pouco da minha história como produtor também, já que eu fui um dos que trouxeram a banda ao Rio pela primeira vez quando tocaram no saudoso e lendário Garage Art Cult, sem esquecer da Lona Cultural de Campo Grande, tempos em que shows undergrounds dava 400, 500 pessoas no público. 
Quando tocava na Refugium Pecatorum, em 2000, chegamos a tocar em um dos primeiros Roça and Roll, antes mesmo de se tornar um baita festival, e tive a honra de voltar em 2007 com outra banda, Statik Majik, e tocar para um público de 5 mil pessoas, em um cast que contava com o Sepultura.
Conversei com o vocalista Bruno Maia, amigo de longa data, e líder de uma das bandas mais bem sucedidas do metal atual.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos por Luciana Pires


1- Após o lançamento de “Dawn of a New Sun”, vocês resolveram regravar o EP “Tuatha de Danann”. Por que essa decisão?
Na verdade, sempre quisemos regravar esse disco, pois ele foi muito mal gravado, mal tocado e tudo mais. Éramos muito novos à época daquelas gravações, tinha eu 17 anos. E daí, como já tínhamos feito uma versão para uma das canções desse disco, a Immrahma, pro Dawn of a New Sun, surgiu a ideia de regravar a parada e lançar de novo, porém sem fugir dos arranjos originais.

2- De fato, o Tuatha de Dannan é uma banda pioneira de um estilo no Brasil, o Folk Metal, mas em se tratando das raízes do Folk você acredita que exista realmente um conhecimento sobre o estilo ou muitos artistas acabaram se enveredando nesse estilo pra “pegar a onda” do momento?
Acho que deve ter muita banda que sim, pesquisa, vivencia e curte o estilo. Mas, na boa, nem me importo mais com esse tipo de coisa, se alguém realmente entende do que fala, toca etc, Quando era mais novo me ligava mais nesse tipo de coisa, mais true, sei lá.

3- Falando em “Folk Metal”, qual banda você acha que mereça destaque?
Sem querer desmerecer ninguém, mas pra mim a maior e melhor banda desse estilo é a precursora, o Skyclad (com o Martin Walkyier, não o grupo que seguiu com o nome do grupo). E gosto muito também do Orphaned Land, que banda original e boa.

4- Minas gerais é mais reconhecido por ser o “berço do metal extremo” no Brasil, com Sepultura, Sarcofago, Sextrash, Holocausto, e ainda assim, a maioria veio de BH. O Tuatha é uma banda que veio de Varginha. Isso acabou sendo bom pra banda ou vocês acabaram tornando a cidade mais conhecida?
Somos uma banda de caipiras da montanha. Eu acho que ser do interior, não ter tanto contato com as grandes cidades, não fazer parte das panelas e tudo mais ajudou muito que criássemos, mantivéssemos e desenvolvêssemos nosso estilo e identidade. Principalmente quando começamos, que nem tinha internet, éramos só adolescentes fazendo um som diferente, muitas vezes criticado e não entendido por quase ninguém. Quanto a tornar a cidade famosa o mérito é do E.T, mas pelo menos inscrevemos Varginha e o Sul de Minas no cenário Metal.

5- Não no começo da carreira da Banda, principalmente na fase das demo-tapes, mas aos poucos o Tuatha foi absorvendo influências do Rock progressivo em cada disco lançado, tanto que você mesmo acabou fazendo projetos voltados para o estilo. Estou certo ou errado?
Está certo sim. Mas pra entender o Tuatha vc tem de lembrar que a primeira demo da banda foi lançada quando seus integrantes tinham entre 15 e 17 anos. Eu tinha 15 anos de idade- era uma criança( isso porque comecei na banda com 13 anos)- compus aquelas músicas entre meus 14 e 15 anos, então é de se esperar que em pouco tempo a musicalidade da criançada fosse desenvolver. Eu tive um referencial musical muito bom graças a meu pai, ele sempre ouviu Beatles, Led, Yes, ELO, Queen e, com o tempo fui me adentrando mais e mais no progressivo, trazendo essas influências para a banda e mesmo lançando projetos como o Braia.

Tuatha de Danann tocando no Rio de Janeiro.


6- Falando nisso, como estão hoje o Kernunna e o Braia?
O Kernunna vez ou outra faz um show, o Braia já não faz há uns 7 anos. Triste, pois ambos os projetos venderam bem, foram lançados na Europa, bem recebidos etc.

7-Muitas Bandas mais undergrounds estão fazendo turnês quando grandes nomes como Sepultura e Angra não fazem o mesmo no Brasil. Qual a razão disso? 
Não sei responder isso. Sei, porém, que toda a tecnologia a nossa volta banalizou a forma de consumir e conhecer música. Isso, num percurso lenta levaria à resposta da pergunta, mas daí a entrevista viraria um artigo acadêmico chato. Mas é por aí mesmo: novos tempos, novas tendências, novos mercados, novas posturas, e todo mundo tentando entender e se adaptar. Mesmo as bandas que citou encontrariam dificuldades em fazer uma tour de verdade Brasil afora por conta do panorama contemporâneo. As bandas mais underground fazem pois deve ser este o único jeito de tentar cravar seu nome e girar a parada, e creio que realmente o é.

8- O Tuatha de Danann mesmo é uma banda em que não se vê fazendo turnês. Por que?
Acho que quando se diz turnê, se pensa numa galera dentro de um busão ou van rodando por aí. Já fizemos isso no passado, mas hoje é osso, nem tem tanto local mais pra isso. Muitas casas que antes recebiam bandas fecharam, ou pelo menos fecharam as portas pra bandas autorais e mesmo festivais que ocorriam antes Brasil afora não existem mais, por conta da galera não comprar disco de banda nacional, não parar pra ouvir uma banda nova etc… Daí, no fim da estação, temos as bandas covers de um lado e os grandes do outro. Temos ainda muita sorte de ter começado há muito tempo e termos conquistado muitos admiradores nesse tempo. Esses admiradores, os fãs do Tuatha, são super fiéis e nos apoiam, acompanham e tudo mais, por isso ainda é possível manter a banda.

9- Não aconteceria futuramente alguma turnê sul-americana e/ou europeia?
Estamos abertos a isso, mas não depende unicamente de nós.

10- Recentemente o Guitarrista Rodrigo Berne saiu do grupo. Entrará outro guitarrista na formação ou seguirão com algum “sub”?
Entrará sim, em breve anunciaremos.

11-Vi boatos de que esse ano pode ter sido o último Roça and Roll. É verdade ou só mesmo um boato? E falando em Roça, qual a s sensação ode fazer um dos maiores eventos do Brasil?
O pessoal confundiu: foi o último Roça na Fazenda Estrela, local que abrigou o festival por 12 anos. Ano que vem serão 20 anos de Roça, não vai parar assim não, imagina. A sensação é tipo a que eu tenho com a banda, é um lance afetivo, mais ligado ao coração que tudo mais, pois se fosse por dinheiro eu não estaria no ROCK, muito menos no Metal, né? Mas, esse lance do festival ter chegado onde chegou, sem se vender, sem explorar o público, oferecendo 3 palcos, bandas de vários estilos e sem nunca vender espaço de palco é uma realização tremenda, é uma vitória da paixão sobre a razão. Sobre a cena musical eu falei acima: é triste ver o que ocorre, a geração não entender que se não valorizarem as bandas novas, não mostrarem ao menos interesse em ir aos shows, aos festivais e adquirir material, uma hora vai acabar tudo e estarão condenados a ouvir bandas tributos pro resto dos dias. Soou meio zueira, mas é bem por aí. A cena se fortaleceria se mais eventos rolassem, mais gente comprasse material das bandas e parassem de presepar em redes sociais.

Bruno Maia, Vocalista,guitarrista e flautista do Tuatha.


12- Volta e meia rola uma parceria com Martin Walkyier do Slyclad, inclusive mais recentemente no Roça and Roll desse ano. Qual é o sentimento enquanto fã e músico ao trabalhar com ele?
Hoje a ficha já caiu. Mas é um trem de doido mesmo, viu? Quem diria que esse cara que era uma inspiração pra mim, um personagem de revista e de disco se tornaria meu amigo pessoal, frequentaria minha casa e ainda comporia junto comigo?!?! Ta doido !!! Fera demais!! Super realização!!!

13-Qual seu disco preferido do Tuatha? 
Dawn of a New Sun e Trova di Danú.

14- Quais os planos futuros da banda?
Faremos um álbum conceitual sobre Minas Gerais. Demorou, mas nunca é tarde, né? Nosso estado tem uma histórica épica de dar pau em muitas sagas nórdicas e dessa vez será pros rumos de cá.

sábado, 26 de agosto de 2017

Gerson Conrad, eterno Secos & Molhados.

Gerson Conrad, eterno Secos & Molhados.

As vezes se fala de Rock no Brasil como ele tivesse surgido nos anos 80. Nada contra, até porque eu mesmo gosto, mas também aconteceu na década de 70 o surgimento de excelentes grupos, que não tiveram talvez o mesmo tempo de existência que algumas bandas década seguinte.
Entre elas estavam O terço, Terreno Baldio, Bixo da Seda, Vímana, Som nosso de cada Dia, Bacamarte, e até mesmo discos lançados nessa década por Ronnie Von e Vanusa, cantores mais lembrados pela música romântica, e que possuíam Rock and Roll neles. Mas, uma delas foi a que arrebatou a maioria dos Brasileiros na época por sua música diversificada e apresentações avassaladoras, e mesmo com uma curta carreira o grupo certamente ainda é um dos mais originais que surgiu na música Brasileira e deixou um legado que até hoje fãs e músicos reverenciam o grupo, o SECOS E MOLHADOS. 
Falando neles, aproveitei para entrevistar um dos integrantes, GERSON CONRAD, músico que fazia o elo entre dois nomes do grupo que talvez sejam mais lembrados que ele, Ney Matogrosso e João Ricardo, mas, que de maneira alguma diminui a importância de um integrante que compôs para o grupo, “Delírio” e o hino “Rosa de Hiroshima”. Vamos ao papo.

Entrevista por Luis Carlos
Foto: Arquivo pessoal

Capa do primeiro disco do Secos e Molhados.
Gerson, entre os integrantes do Secos e Molhados, talvez você tenha sido o que acabou menos reconhecido. Você concorda com isso ou acha que talvez tenha sido a mídia que não tivesse dado atenção a isso?

Não vejo dessa forma. Sempre fui o mais recatado, prudente, cauteloso, modesto enfim... acho que por isso acabei por chamar menos a atenção da chamada mídia.
Ainda assim, diante de tantos clássicos do grupo, foi você quem compôs a música mais conhecida do Secos Molhados, “Rosa de Hiroshima”. Como surgiu essa composição?
Rosa de Hiroshima surgiu de uma pesquisa sobre poetas da nossa língua para o trabalho do Secos & Molhados. Estávamos nessa época, lendo muitos autores poetas e, alguém nos presenteou com uma antologia poética sobre Vinícius de Moraes. João Ricardo não se interessou em ler então, restou a mim ver se havia algo relevante que pudesse ser aproveitado para o repertório do grupo. Cheguei em casa, joguei o livro por sobre minha escrivaninha que coincidentemente, abriu-se na página do referido poema. _ Lí atentamente algumas vezes e, percebi que o tema tinha a haver com a proposta politizada que caracterizava nosso trabalho. Resolvi então musica-lo. Escolhi uma melodia simples e doce para vestir o poema pois, o mesmo já era forte por si só. Assim nasceu a parceria com Vinícius, que ao ouvir a música, profetizou que minha melodia eternizaria seu poema até então, tão pouco conhecido.
Você lançou o livro “Meteórico Fenômeno” e na própria introdução dele você lamenta o fato do João Ricardo, citado por você mesmo como principal compositor do grupo, não ter autorizado sua imagem no livro. Fez inclusive uma citação de uma de suas composições. Por que você que ele tomou essa atitude?
João Ricardo possui um caráter excêntrico. Sempre tomou decisões por impulso. Não me deixei abalar por isso. Não permitiu o uso de sua imagem, simplesmente eu e editora, usamos photoshop para resolver essa questão. _ Certamente, João explicaria melhor o porquê de sua decisão. Meteórico Fenômeno, é dirigido aos fãs do extinto grupo, que até os dias de hoje nos cultuam. Não aos parceiros ex-integrantes do mesmo. Aliás, deixo isso explícito na minha composição Direto Recado.
Qual tem sido a receptividade do livro e o ele realmente representa para você?
O livro foi muito bem aceito pela crítica e fãs do Secos & Molhados. Para mim. É só um depoimento de quem, com um olhar maduro, relata a breve história do grupo por ter feito parte dela.

Quando o grupo acabou, você se lançou em carreira solo e fez um disco com a “Zezé Motta. Qual foi o impacto que esse disco teve após sair de um grupo que fazia sucesso no Brasil inteiro?
Impacto mesmo sofreram as chamadas gravadoras na época, que acreditaram quem em separados, cada um de nós, ex-Secos & Molhados, venderia algo perto das cifras alcançadas pelo grupo anteriormente. Para mim, foi apenas a oportunidade de me lançar como compositor registrando assim, meu trabalho autoral.
Em 1981 você lançou o disco “Rosto Marcado”. Por que daí você não deu prosseguimento com sua carreira solo?
Há de se deixar claro, que não interrompi minha carreira em 1981 após o disco Rosto Marcado. Ocorre, que na década de 80, as gravadoras começavam a apresentar mudanças de expectativa de mercado. Por não acreditar em produção independente em nosso país, reservei-me às atividades de shows ao vivo, o que tenho feito até os dias de hoje. Se tiver que lançar alguma mídia musical nos dias de hoje, o farei com uma grife (gravadora) qualquer para, no mínimo, distribuição em território nacional.
Nesse tempo em que o Secos e Molhados acabou, parece que realmente foi Ney Matogrosso quem teve uma carreia solo mais ativa. Falando nisso, ele vai se apresentar no Rock in Rio deste ano com a Nação Zumbi tocando Secos e Molhados. Você fará participação neste show?
Ney Matogrosso é um artista completo. Natural que sua carreira solo tenha sido coroada de sucesso. Quanto à uma possível participação minha no Rock'n Rio, cabe ao Ney responder e, não sou eu quem vai levantar essa questão a ele. _ O que sei é que se fosse eu a me apresentar no palco do Rock'n Rio, certamente o convidaria para acompanha-lo em sua sempre brilhante interpretação de Rosa De Hiroshima. O público adoraria ver dois ex-integrantes do Secos & Molhados juntos mais uma vez.
Se existisse uma possibilidade de retorno do Secos e Molhados algum dia. Você toparia essa reunião?
Isso é utopia. Sempre tive minha mente aberta em respeito aos inúmeros fãs e, se isso fosse viável, naturalmente me reuniria com meus ex-companheiros.
Dos discos que você participou, qual seu preferido, o Primeiro ou segundo?
Não tenho preferência aos discos do Secos & Molhados de 1973 e 1974. Considero ambos, bons discos.

Gerson Conrad hoje.


METEÓRICO FENÔMENO
Meteórico fenômeno é o nome do livro lançado por Gerson Conrad, ex-músico do grupo, e que conta um pouco da história do Secos e Molhados, que em 1973 revolucionou a música Brasileira lançando dois discos essenciais para a música Brasileira. O grupo durou pouco com sua formação clássica, que liderado por João Ricardo, acabou se separando por divergências pessoais entre seu líder e o vocalista Ney Matogrosso.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Creatures of the Night, um disco que marcou uma geração.

Creatures of the Night, um disco que marcou uma geração.

Texto e foto por Luis Carlos

Pra quem viveu a adolescência na década de 80 e passou a admirar o Rock como um estilo musical, certamente conheceu o Kiss, Banda que passou pelo Brasil em 1983 tocando em um Maracanã lotado. Aliás, até hoje, público recorde do estádio. 
Na ocasião, a Banda americana divulgava um dos discos mais queridos pelos fãs, "Creatures of the Night", um trabalho que dava um novo ânimo na carreira do grupo depois de álbuns que passaram desapercebidos comercialmente. 
Como muitos fãs, "Creatures of the Night" foi também o meu primeiro disco, comprado por Um Real em uma loja chamada Sugared, situada no bairro de Campo Grande, Rio de Janeiro. e foi com o passar dos anos que fui observando o quanto esse álbum era um elo entre tantos fãs de várias gerações de admiradores do Rock que eu conhecia e como eu, também gostavam de Rock pesado.
Além do excelente disco, existia toda lenda em torno da banda em nosso país por causa de todas  as polêmicas que as mídias faziam em torno do grupo. Apesar de todo sucesso o grupo passava por uma “turbulência” em sua formação, e um grande exemplo disso foi a de que Ace Frehley, guitarrista original do grupo, apenas figurou na capa, e já estava praticamente fora do grupo, tanto que nos shows pelo Brasil a banda contou com Vinnie Vincent tocando, o que a banda descobriria futuramente como um novo problema. Vinnie participou bastante das composições deste álbum, seu nome está creditado como Vincent Cusano. Outra curiosidade é que Brian Adams, famoso cantor canadense conhecido por suas baladas, foi coautor de duas canções desse disco: “War Machine” e “Rock ‘N’ Roll Hell”, mas antes, já tinha feito uma música com eles chamada ““Down on Your Knees”, canção que fez parte da coletânea  “Killers”, lançada em 1981, e que contou com 4 músicas inéditas, incluindo essa.

                                           Creatures of the Night na vitrola.


É um disco excelente do início ao fim, Paul Stanley estava cantando muito, já dando amostras de que nos anos seguintes seria o grande responsável por manter o Kiss na ativa. A Banda já contava com Eric Carr, que dizem não ter gravado esse álbum, porém, deu "o peso"” necessário que a banda precisava pro momento. Outra curiosidade é que o citado baterista que gravou o disco, Anton Fig, acabou tocando com Ace Frehley, já ex-integrante do Kiss, em sua carreira solo. e, entre os guitarristas que participaram da gravação estava Bruce Kullick, que mais tarde faria parte da banda. Por mais que a gravação desse disco parecesse uma “bagunça generalizada” com tantas participações,  o que saiu dele se tornou um clássico para eternidade da música entre os fãs e admirado até mesmo por quem não era.
É Difícil citar alguma música que se destaque nesse disco, mas “I love it Loud”, acabaria se tornando a principal canção do disco pela execução do clipe que tanto passou pelo Brasil antes mesmo do grupo tocar por aqui. "Creatures of the Night" seria também o último da banda usando maquiagem, já que no 
ano seguinte lançariam "Lick it Up", um disco inclusive com uma sonoridade um pouco diferente.

A BANDA

O Kiss foi formado pelo Baixista gene Simmons e pelo guitarrista Paul Stanley, ambos vocalistas do grupo. Antes de se tornar o Kiss, o grupo se chamava Wicked Lester, até encontrarem dois integrantes que selariam a formação clássica do grupo com Ace Frehley na guitarra e Peter Criss na bateria.

Selada essa formação, aos poucos o grupo se estabeleceu no mercado lançando discos que se tornaram verdadeiros clássicos do Rock, como "Dressed to Kill" e "Love Gun", lançando músicas que se tornaram verdadeiros hinos como "Rock and Roll all Nite". O Kiss ainda foi responsável por excelentes vendagens de revistas em quadrinhos, bonecos, além de terem lançado seu filme.

Living Metal, divulgando o verdadeiro Heavy Metal !

Tão pouco tempo de carreira mas a convicção de quem faz isso a bastante tempo, é o que move bandas como o Living Metal, grupo formado ...