quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cara de Porco, a Banda mais divertida do Rio de Janeiro.

Bem-vindo ao chiqueiro...não, bem-vindo ao Arte Condenada entrevistando Marcelo Mendes, o saci...não, o vocalista da banda mais divertida do Rio de janeiro: CARA DE PORCO. Vamos ao papo com essa figura gente fina e talentosa.

Entrevista por Luis Carlos

Você me disse a pouco que o cara de Porco está para lançar um disco novo. Conte-nos sobre isso.
Isso mesmo meu amigo, depois de 5 anos estamos vindo com material “Cada cão lambe sua caceta!”, um disco bem rock roll, mas ainda punk, bem humorado, politizado e sacana como sempre !!!

Parece que recentemente entrou um guitarrista na banda, Alan Vieira. O que ele veio pra acrescentar e como ele entrou no grupo?
Um moleque bom, “semi-usado parceiro” do guitarra Lucas rodrigues na banda Hacrópole, o que facilitou muito a gravação desse disco e como ele já conhecia o trabalho da banda e já contribuiu como roadie da banda e participou tocando de alguns shows, após a saída do Gustavo ele foi a melhor escolha.


  A primeira vez que eu vi o Cara de Porco lembrei de toda aquela cena que acontecia na década de 90 no Rio de Janeiro com bandas que faziam Rock de forma bem humorada e letras escrachadas. Exemplos como Piu-piu e sua banda, Soutien Xiita, e a Gangrena Gasosa, única entre as citadas que permanece em atividade. Lembrando que foi uma década onde teve o fenômeno nacional Mamonas Assassinas, você acha que se fosse naquela época o Cara de Porco teria mais reconhecimento ou continuaria sendo exceção? Outra coisa que o cara de Porco se destaca é por atrair um público bem variado, que vai desde o fã de Metal ao Punk Rock, passando por outras vertentes, mas que está ali porque é o perfil de quem quer se divertir. Concorda que esse público é o que está preocupado em se divertir ou realmente o grupo faz alguma diferença?

Carlos, agradeço por ter conhecido toda essa galera, com certeza influenciaram a criação do Cara de porco, o ex-baixista do Gangrena , Felipe é meu amigo de infância, mas pegamos o final dos anos 90, a banda é de 99. Apesar da comparação com Os mamonas, o cara de porco sempre foi mais ácido nas letras, tocando em assuntos polêmicos, sempre falando mal da sociedade, ainda mais de política e religião , chegamos a receber proposta e um produtor que falou que gostou da banda, mas pediu que revisassemos as letras e nome da banda, pois desse jeito seria difícil colocar na rádio, mas a intenção da banda nunca foi dinheiro e nunca optamos pelo comercialmente viável, o lance é sempre tocar, se divertir, mas sempre fazendo um bom trabalho, e fico muito feliz quando vejo as pessoas sorrindo, dançando e cantando nossas músicas e mais feliz quando alguém me pergunta sobre a crítica de alguma música, e com certeza faz a diferença, e sobre o Metal, sim, fomos umas da poucas banda de punk a tocar na cena Metal e até com bandas de Black Me tal, e agradeço ao público por ter nos abraçado.

Ao vivo o grupo é sinônimo de muita diversão. (foto: Rafael Capella).

Você que também tanto produziu eventos no Rio de Janeiro, destacando o evento “Rato no Rio”, de uma época que eventos underground nacionais atraiam 300, 500, até mil pessoas. Por que hoje o público anda tão escasso e por que você parou de produzir?

Foram 13 anos dedicados a cena underground, ganhei e perdi, faz parte do negócio. O “Rato no rio” foi atípico, veio em um momento onde a mídia reverenciava o rock e tínhamos poucos espaços para apresentação das bandas, estávamos próximo a data do rock in rio 3 e a coisa borbulhava, até funkeiro ia para evento de rock. Rock é estilo de vida, mas tudo é comércio e o rock não gera no Brasil o mesmo capital  que outros estilos, o roqueiro usa aquela camisa velha do Saxon que comprou a 10 anos atrás, a moda passou e as pessoas vão aonde outras pessoas estão, é normal do ser humano, a mídia é paga e aposta naquilo que dá renda. O pior é que não sabemos compartilhar, tratamos o rock como coisa pessoal só nosso e nos trancamos nosso quarto para ficar na vitrolinha, ou temos grupos isolados e cada um vai para o seu lado, a segmentação dentro de uma cena que era pra ser única, talvez tenha sido o pior para underground, mas, digo que tudo é ciclo e ainda há esperanças, Porque parei?, Desculpa, eu acho que você outro dia respondeu a esta pergunta, em  um comentário no Facebook sobre produção e apoio do público.

Você também tem um projeto fora do cara de porco, um trabalho solo. Fale-nos sobre ele. Aliás, enxergo o cara de Porco como uma banda que poderia crescer ainda mais comercialmente, mas duvido muito que uma Banda no Brasil teria destaque ao colocar alguém vestido de Jesus Cristo no palco ou cantando músicas como letras de conteúdo impróprio. Concorda que a banda jamais teria mais espaço em uma mídia maior ou vocês ou realmente isso não afeta o trabalho de vocês?
Sim, a “Orquestra sinfônica dos marias moles”. A banda se encontra parada devido a minha falta de tempo com obras em casa. Obra de pobre é eterna!!! , e devido  a gravação do cara de porco, é uma banda de rock brega, com uma pitada ácida e crítica da vida suburbana, um trabalho muito legal, e falando novamente do cara de porco, é a minha loucura, a minha visão da vida, das coisas que vejo e passo a reflexão do meu jeito de pensar transformando ela para a música, e consegui pessoas com visões parecidas para compactuar, prontas para enfrentar o normal, catucar e falar mal da porra toda! É a mesma ideia que falei na pergunta acima sobre os anos noventa, estamos em pleno século XXI, a demagogia e a hipocrisia é igual ao passado e bandas como a nossa que deturpa e perturba a visão do politicamente correto dificilmente passam do Underground.

Mesmo que de uma maneira humorada, você valoriza o folclore Brasileiro ao brincar com o Halloween. Qual sua opinião sobre isso?
O Brasileiro valoriza muito a cultura estrangeira apesar de termos uma cultura vasta, lendas como boitatá, iara ,mãe d'água, curupira, o boto, lobisomem, homem do saco entre outros, e o dia de Halloween coincide com o dia do saci!!! Pois no Brasil, Papai Noel é coisas de norte americano gay, quem dá presente no Brasil é o Saci- pererê !

"Quem dá presente no Brasil é o Saci Pererê." ((foto: Rafael Capella) 
De todos os trabalhos lançados pelo cara de Porco. Qual seu preferido?
A primeira demo sempre me faz chorar, vamos regravar algumas músicas no próximo álbum e acho que vai sair bem mais rápido que os outros, o “estupraram o purtuguêis” é bom, mas muito certinho, faltou “sujeira”, o “nada sagrado” é um pouco sujo, mas ainda faltando alguma coisa, vamos ao próximo tentando passar um pouco do palco para o disco

Para encerrar o papo. O negócio é mamar?
 A mensagem é o seguinte, o político mama, o presidente mama, o vizinho mama, a polícia mama, o juiz mama, o ministro mama e quem não mama chupa e povo mama e toma no rabo!!! Viva a Mamatchuria!!!!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Metalmorphose, em nome do Metal.

Impossível se falar em Metal Old School no Rio de Janeiro e não lembrar da pioneira Banda METALMORPHOSE, um dos grupos mais prolíficos entre aquelas antigas bandas que retornaram com suas atividades. Lançando um disco atrás do outro e fazendo shows importantíssimos, o grupo carioca continua a todo vapor e no momento divulga seu mais novo álbum “Ação e Reação”. Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos

Muitas bandas voltaram, mas nenhuma delas tem sido tão prolífica como a Metalmorphose. Antes de retornarem as atividades, no começo a banda não teve tantos lançamentos. Por que isso aconteceu?
André Delacroix: Na fase inicial da banda, nos anos 80 (chame- mos de Mark I he he), éramos muito jovens e inexperientes e lançar um álbum independente era muito caro. Acredito que esses foram os principais fatores pra não termos corrido mais atrás e lançado mais material.

Fale-nos sobre o novo trabalho “Ação e Reação”.
André Bighinzoli: É o nosso álbum mais democrático, com a maior participação criativa de todos os integrantes. Adoro este álbum.

Nova formação da Metalmorphose. (Foto: Jorge Delacroix)


André Delacroix: Muito orgulho! Esse foi um trabalho em que houve maior participação de todos em termos de composições e letras. Foi um trabalho com sonoridade mais direta (fora algumas exceções), mas que, ao mesmo tempo, mostrou algumas novidades dentro do som da banda, como um blues pesado (“Aquela Menina”) e uma música com groove (“Quem Foi”?).

Falando no novo disco, o único integrante que esteve em todas as formações, Tavinho Godoy, saiu da banda. Por que isso aconteceu e como tem sido contar com Renato Stefani nos vocais?
André Bighinzoli: Tavinho saiu por motivos estritamente pessoais, nada a ver com a banda. Ele já havia nos avisado desde o início das gravações que sairia do país em 2017.

André Delacroix: O Trevas é um velho conhecido meu e além de ser um ótimo vocalista, tem uma performance de palco e carisma irretocáveis. Além de ter agradado aos fãs, ele ainda é um cara super entusiasmado com a música em geral e um ótimo companheiro de banda.

No começo da carreira o grupo ficou muito conhecido pelo Split com a Dorsal Atlântica “Ultimatum”, porém, só Dorsal seguiu em frente e obteve maior reconhecimento. Faltou maior empenho na época ou o estilo da Dorsal chamava mais atenção entre os Headbangers?
André Delacroix: A galera da Dorsal Atlântica era mais experiente e soube administrar bem a sua carreira. Fora, obviamente o material forte que eles compunham. Caíram na estrada, conseguiram gravadora e deixaram sua marca. Como respondido acima, éramos inexperientes e deixamos o momento passar. Gravamos uma demo muito boa (que anos mais tarde viria a ser lançada como “Maldição”), que mostrava uma qualidade musical e de produção muito superior ao Ultimatum (onde estávamos muito verdes ainda) e cometemos um imenso erro em não lança- la na época. Eu acredito que se ela tivesse sido lançada, a banda teria obtido mais respeito e reconhecimento na época.

André Bighinzoli: O Metalmorphose teve uma legião de fãs nos anos 80 e se empenhou bastante como banda. A diferença é que a nossa banda procurou uma brecha no mainstream que nunca aconteceu. Como o Glam Metal floresceu no exterior, o Metalmorphose apostou que conseguiria um contrato com uma grande gravadora e morreu na praia. Recentemente, o baterista Walter Costa (da formação de Correntes) deu uma bela entrevista ao Canal Metalmorphose (Ep:13) contando um pouco desta história. A banda gravou demos e chegou a negociar com a Som Livre nos anos 80.

O EP “Correntes” não costuma ser citado na discografia. Além disso, o disco mostra a Metalmorphose em outra fase. Por que?
André Bighinzoli: O EP "Correntes" é sempre citado pela banda, inclusive, ele foi relançado em vinil em 2015. Para quem não sabe, o Metalmorphose à partir de 1985 foi gradativamente se inclinando para o "Hair Metal", e seguiu assim até o fim de suas atividades em 1988.

A pouco eu chamei a atenção sobre o fato de muitos fãs adorarem o que é “old school” dentro do Metal, porém, sem valorizar o que de fato é antigo como é o próprio Metalmorphose, pois muitos deles estão mais valorizando as bandas novas que tem influência daquela época do que as que realmente são. Você acha que isso realmente ajuda a cena do Metal ou acaba passando como algum modismo?
André Bighinzoli: Acho que quem é bom se estabelece. As bandas atuais têm maior identificação com o público atual, o que é natural e benéfico. Fico feliz que bandas mais novas gostem do estilo "old school" e sei que as gravações de hoje têm um excelente nível técnico. Como a nossa banda está viva e produzindo, estou mais focado no presente e no futuro, mas é muito bom saber que o que a gente fez nos anos 80 é reverenciado de uma forma ou de outra. Tudo isso dá força ao Metal, é lógico.

Metalmorphose ao vivo. (foto: Marcos Cunha)
André Delacroix: O Big disse tudo. Só faço um aparte: o que ajuda a cena Metal, é as pessoas comparecerem aos eventos e comprarem material das bandas. Ponto. Tapinha nas costas e likes no mundo virtual podem ser muito simpáticos, mas, só isso, não ajuda.

Como é contar com marcos Dantas na banda, já que guitarrista fez parte de outras duas Bandas importantes e lendárias para o estilo como o “Azul Limão” e o “X-Rated” ?
André Bighinzoli: Quando o Marcos entrou eu disse: "Não quero mais trocar de guitarristas". A influência e experiência do Marcos acrescentaram muito ao Metalmorphose. Nosso casamento foi perfeito. A lua-de-mel já passou e continuamos firme e fortes, aliás pretendemos ainda ter muitos filhos. 

André Delacroix: Conhecemos o Marcos de longa data e tocamos algumas vezes ao vivo, na época e sempre nos demos bem. O Azul Limão é uma das bandas da primeiríssima geração do Metal Carioca e um dos pilares do Metal Nacional. É uma honra ter um cara com esse pedigree e experiência na banda. Fora que nos damos super bem. Eu (Delacroix), inclusive, já tinha tocado com ele no X- Rated em alguns shows no RJ e fora.

O baixista André “Big” sempre foi aquele integrante que movimentava a carreira da Banda, mas tempos atrás ele saiu do país para morar fora e Marcelo Val entrou em seu lugar. Como é contar com Marcelo na banda e como foi seguir sem a presença do Big na banda?
André Delacroix: Se tem um cara que é o motor da banda, é o Big. Ele se mudou pra fora do país, mas continua 100% atuante, de forma administrativa com a banda. Ele tem agilizado várias coisas pra banda, na Europa, junto com a gravadora Metal Soldiers de Portugal, sendo o último projeto, o lançamento em vinil do “Máquina dos Sentidos” e vem mais coisa por aí. Nos falamos direto e todas as decisões que tomamos, passam pela opinião dele. Inclusive, o Big esteve no Brasil à visita, este ano,  e fez dois shows com a gente (RJ e SP) e isso tende a se repetir quando de suas visitas ao país. O Marcelo Val é um músico excelente, super talentoso e dedicado, além de ser um cara tranquilíssimo. Veio pra ocupar a posição de baixista, com louvor.

André Bighinzoli: Saí da banda real, mas continuo ativo na parte intelectual.

A Metalmorphose não faz tantos shows e parece mais focada em estar lançando novos trabalhos de estúdio. É o caminho a seguir ou realmente não vale tanto a pena fazer muitos shows ou turnês onde as dificuldades e barreiras impossibilitam algo válido a se fazer?
André Delacroix: Gostaríamos de fazer mais shows, mas a situação do país, no momento, não é nada favorável pra isso. Poucas opções de bons lugares pra tocar, produtores dispostos a “arriscar” e público apoiador (muitos sem dinheiro ou sem “disposição pra sair de trás do computador”). Obviamente não dependemos desses fatores pra continuar criando e registrando. O prazer de ver uma obra sua, imortalizada em CD, só é conhecido por quem faz isso.

André Bighinzoli: Carlinhos, com certeza a banda gostaria de fazer bem mais shows, mesmo porque o Metalmorphose é muito bom ao vivo (pode conferir pelos nossos 2 DVDs ao vivo, "Máquina ao Vivo" e Odisseia"). Nós estamos sempre fazendo contato e temos bons relacionamentos com produtores de shows. Acontece que, infelizmente, não recebemos tantos convites como gostaríamos.

Uma pergunta “pegadinha” (risos). Qual seu disco preferido da Metalmorphose?
André Delacroix: Sem querer ser clichê, a tendência é sempre gostar mais do trabalho mais recente, então vou de “Ação e Reação”. Adoro as músicas bem simples e diretas, que agradam de primeira e temos várias delas no álbum novo. Mas eu gosto de tudo que fizemos até agora e confesso que tenho um carinho muito grande pelo “Maldição” pois é um disco que foi injustiçado e ficou MUITO bom pra época.
André Bighinzoli: Fúria dos Elementos.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Hugo Mariutti, mais um grande talento Brasileiro.

Hugo é um grande talento brasileiro. Despontou na carreira com o Shaman, grupo que enquanto teve Hugo na formação lançou dois discos clássicos do Metal nacional. No momento está tocando na nova formação do Viper, e claro, com seu grande parceiro musical, Andre Matos., sem contar, em sua brilhante carreira solo que está mais forte do que nunca.
Vamos ao papo.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos por Luciana Pires.

Comercialmente você despontou na carreira com o Shaman. Quem era o músico Hugo Mariutti antes do Shaman?

HM: Comecei a tocar com 13 anos de idade, por influência do meu irmão Luis Mariutti, e com 15 já estava fazendo shows com minha primeira banda, inclusive em casas bem tradicionais de São Paulo, como Black Jack, Dama Xoc, etc. Nessa época tinha uma banda de Thrash Metal, onde também era o vocalista. Na sequência formei o Henceforth, que era uma banda mais voltada para o Rock Progressivo, onde inclusive quando já estava no Shaman, continuamos fazendo shows e gravamos dois trabalhos. Em 2010, se não me engano a banda parou. 

Falando em Shaman, conte-nos como foi fazer parte da banda.

HM: Sem dúvidas foi o grande divisor da minha carreira, foi onde consegui mostrar meu trabalho para muito mais gente, tocar com músicos que tinham experiência internacional, assinar com uma grande gravadora, tocar para públicos muito grandes e acho que o mais importante, aprender muita coisa não só relacionada a música tecnicamente falando, mas de tudo que envolve uma banda maior, contratos, etc. 


Assim que você saiu do Shaman, você passou a tocar com Andre Matos, também ex-integrante do Shaman, em sua carreira solo. Aliás, já tem um bom tempo que não sai um trabalho novo dele. Quando é que teremos alguma novidade?

HM: Na verdade quando aconteceu a separação da banda, achamos que a melhor solução era continuarmos com o nome do Andre, pois era um nome que já tinha força e poderíamos nos concentrar em fazer um grande trabalho já na sequência. Verdade faz tempo que não lançamos um trabalho, mas acredito que em breve teremos novidades!

Tocando no Rock in Rio com o Viper.



Você gravou dois álbuns com o Shaman, “Ritual” e o “Reason”. Como foi gravar cada um deles e qual seu preferido?

HM: O Ritual foi o primeiro trabalho que gravei na carreira, uma experiência sensacional ir para Alemanha, passar quase dois meses, com um produtor renomado, Sascha Paeth, e aprender muita coisa. Passei a enxergar muita coisa na música de uma maneira diferente, a dar importância a coisas mais relevantes para um cd, como tocar com uma guitarra que soava muito melhor, mesmo sendo mais difícil de tocar. Realmente fui disposto a aprender e escutar o que um profissional com muito mais experiência poderia me ensinar, e acho que isso foi fundamental para toda minha carreira. O Reason foi um cd extremamente difícil para gravar, só lembrando que os dois cd`s gravamos de maneira analógica, na fita, onde temos menos possibilidades de emendar partes, etc. Neste segundo trabalho, por muitas vezes usei cordas de baixo na guitarra, em afinações mais baixas, e mesmo em afinações padrão usei cordas 0.13, para solos também, que são pesadas e exigem muito da parte física, por isso foi difícil, mas quando escuto o som desse cd me sinto recompensado. Os dois cds são muito especiais, mas para escutar prefiro o Reason.

Se existisse a possibilidade de um retorno do Shaman com a formação que eu considero como “clássica”, ou seja, você, Andre, Confessori e teu irmão Luís. O que você acharia?

HM: Realmente eu não fico pensando em hipóteses, isso é uma coisa meio particular minha, gosto de pensar sempre no que está acontecendo no momento. Sem dúvidas que tocar com o Luis novamente, seria muito legal para mim.

Sobre o tempo com o Hecenforth e Remove Silence, conte-nos sobre essa época.

HM: O Henceforth era uma banda de amigos de infância, que eu gostava muito, tinha um estilo diferente de qualquer outra banda da época, crescemos musicalmente juntos, porém em um determinado período cada um seguiu um caminho diferente na vida, pois no Brasil tudo costuma ser muito mais complicado do que em qualquer outra parte do mundo. O importante é que até hoje somos amigos, tomamos cerveja juntos, acho que no fim das contas isso que vale. O Remove Silence também foi uma banda importante para mim, mais uma vez aprendi coisas diferentes, sempre experimentamos muitas coisas diferentes, tivemos 3 trabalhos lançados e até hoje a banda está na ativa, mesmo eu não estando mais presente, fazendo um ótimo trabalho, pois são músicos de um nível bem alto. São meus amigos também, e só deixei a banda porque realmente não conseguia conciliar todas as atividades da minha vida. Eles estão bem servidos, pode ter certeza.


Falando agora na sua carreira solo, conte-nos sobre ela e o que podemos esperar do seu novo trabalho?

HM: Em 2013 comecei a escrever músicas que não se encaixavam em nenhuma das bandas que estava na época, e aí comecei a pensar em um novo projeto, um projeto que dependesse mais de mim, no tempo em que eu pudesse fazer as coisas. Como trabalho como produtor, comecei a fazer todo processo sozinho, pensei em algumas pessoas para cantar, tocar outros instrumentos, e aí fui terminando o processo de composição do que se tornou meu primeiro cd “A Blank Sheet Of Paper”. Inicialmente pensei em alguém para cantar, mas as letras eram tão pessoais que eu realmente preferi gravar. Foi a primeira vez que fiz um cd através do financiamento coletivo, uma satisfação muito grande, pois o contato com as pessoas é muito mais próximo. O novo trabalho está sendo feito da mesma maneira. Acho que a diferença entre os dois cds é que no primeiro trabalhei muito com loops de bateria, comecei escrevendo muitas músicas através disso, e nesse segundo trabalho o ponto de partida foi o piano, ou violão, ou até uma letra; penso que dessa maneira as coisas mudam um pouco, porém eu consigo encontrar um ponto em comum em alguns momentos do novo cd “For A Simple Rainy Day”. Acho este novo trabalho mais consistente, pois já não foi tanta novidade fazer um trabalho sozinho.

Com Andre Matos, seu grande parceiro musical.


Você parece ter muita influência do Rock inglês, seu trabalho solo parecer ter maior inclinação para Bandas como Oasis, Radiohead, Stones, Kinks, do que alguma que seja do estilo Metal. Estou errado ou é esse mesmo o direcionamento musical do teu trabalho solo?

HM: Você tem toda razão, e captou realmente o espirito do trabalho. Já toco em outras bandas de metal, e não gostaria de fazer algo só para me aproveitar do público que já tenho, comercialmente falando. Se as pessoas que gostam de mim no metal gostarem do meu novo trabalho, será excelente, e tem muita gente que gosta, pois estou no segundo cd sendo financiado por pessoas que admiram meu trabalho, mas com meu nome, queria fazer uma coisa honesta e 100% verdadeira. Gosto como músico, de explorar todos os universos de estilos que eu escuto na minha casa ou no meu carro, sem medo, acho isso fundamental. Posso explorar o lado do Heavy Metal com o Andre, Viper, mas no meu trabalho solo exploro esse lado, como falou, do rock inglês mesmo, é um tipo de música que gosto bastante. Em resumo, as pessoas gostando ou não do meu trabalho em qualquer dos estilos que fizer, podem saber que são feitos com 100% de dedicação e são verdadeiros.

Quando se fala em “guitar hero”, o que se imagina é um Guitarrista com uma infinidade de solos e cheios de virtuose. Porém, quando eu te vejo tocando, parece que vejo um músico mais preocupado cm fazer bons riffs e melodias. O que você acha desse conceito?

HM: Realmente o termo guitar hero se perdeu um pouco, pois na minha opinião o David Gilmour poderia ter este título, sem a menor sombra de dúvidas. Guitarra para mim, não é uma competição por quem consegue tocar mais notas, e acho esse pensamento desnecessário. Acho que tudo deve ter um propósito, tocar algo rápido pode ser legal, assim como lento, ou como uma simples música. Vejo muita gente desmerecendo guitarristas que não tocam coisas mais rápidas, mas tem muito mais swing, ou mais pegada. Acho que cada musico tem suas particularidades, seus pontos fortes e fracos. Já vi muito guitarrista que toca milhões de notas não conseguir tocar uma levada de violão de festa. Não é fácil tocar Ramones como eles tocavam, não é fácil tocar uma levada de samba como um especialista toca, e assim vai. Realmente nunca liguei para isso, sempre quis ter uma técnica que me fizesse capaz de tocar o que eu queria, porém, a música boa é meu foco, independente de ter duas ou cem notas sempre passei a maioria do meu tempo de estudo tentando criar músicas, e quando estou em uma banda procuro me encaixar da melhor maneira possível, pois esse é meu desejo como músico, a música como um todo, e não só um solo.

Quais são suas maiores influências como Guitarrista e como fã de música, o que você costuma ouvir?

HM: No Heavy Metal o Randy Rhoads, sem dúvidas é meu preferido, mas gosto muito de guitarristas como Gary Holt, Scott Ian, James Hetfield, que são guitarristas espetaculares, no caso dos dois últimos, mesmo sem solar praticamente. Em geral gosto muito do Johnny Greenwood do Radiohead, acho ele acima da média, pois é um músico completo, acho o Johnny Marr outro cara acima da média, mas temos inúmeros, e acho que se falasse de mais alguns esqueceria de outros.

Como Guitarrista, o que você diria para quem está começando ou tem pouco tempo na carreira?

HM: Dedicação acho extremamente importante, e não falo em ficar 10 horas só estudando técnica. A técnica realmente é importante, mas acho o principal é gostar de tocar, de ouvir coisas diferentes, de ter um desafio diário de ser melhor, etc. A carreira é difícil, porém eu gosto demais do que eu faço, tenho muito orgulho de trabalhar com isso, porém muitas vezes acabamos abrindo mão de outras coisas e sempre teremos que estar dispostos a isso. 

Pra finalizar, Como está sendo a experiência de tá tocando com Viper?
HM: Experiência muito legal, são pessoas maravilhosas que se tornaram meus amigos. Escutava a banda quando era novo, e poder participar de um momento tão importante da banda me deixou muito feliz mesmo. Quando o Andre me chamou, fiquei bastante empolgado, pois muitas das músicas já sabia tocar o que facilitou bastante. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Bacalhau, um guerreiro do Rock carioca.

Bacalhau é um cara super ativo no Rock and Roll carioca, pois além das inúmeras bandas que fez parte tocando bateria, ainda realiza seu próprio festival chamada "Baca Fest". Vamos ao papo com esse guerreiro do Rock e Hip Hip Ula !!!

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: Arquivo pessoal e Google reprodução.


Baca, fale sobre seu trabalho com o Monstro do Ula Ula.

O Monstros do ula ula existe desde 2003 e parou suas atividades em 2009. Os Monstros voltou em 2015 e foi quando eu entrei na Banda, pois já conheço monstros do ula ula já há muito tempo e sou amigos deles há bastante tempo e em 2015 o Diba me convidou para entrar e  começamos a ensaiar, fazer música nova e em 2017 lançamos  disco “A Balada do TikiSiriPolvo” que foi lançado em parceria com a monstro discos, o disco foi produzido pela própria banda e pelo Yago Franco e foi gravado  na “áudio Rebel estúdio” aqui no Rio de Janeiro. Foi bem bacana, mixado por Seu Cris no “estúdio la cueva”. Até o final do ano pretendemos lançar o disco em mais algumas capitais. Fizemos  o lançamento do disco em Goiânia no Goiânia Noise Festival e estou vendo agora se arrumo a data para lançar o disco em Brasília e no Rio de Janeiro.

Bacalhau em sua nova Banda: Monstros do Ula Ula. (foto: RVS)

Além de músico, você também trabalha com produção. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
Você passou anos tocando no Autoramas. Por decidiu sair do grupo?

Trabalhar com produção foi bem bacana porque eu já fazia e acabava fazendo o trabalho de produção para a banda que eu tocava que eu fiquei por 15 anos e acho que aprendi a produzir né fazendo parte das Produções eu resolvi que tinha possibilidade de ser produtor. E aí eu lancei  o BacaFest que é o meu festival, onde eu sou curador, produtor, Roadie, assistente, tudo tudo, e eu faço bimestralmente desde 2016 e tem sido bacana. O BacaFest é um orgulho para mim, eu gosto muito de fazer, acho que eu posso um pouco retribuir para outros músicos, novos ou em Atividade. Aí o cantor autores cantou cantou autoras assim uma possibilidade de um Palco bacana com um bom equipamento para que as carreiras de desenvolvam e as  pessoas possam ter um lugar bacana para poder trocar ideia e mostrar o trabalho. Eu acho que é isso. No Autoramas eu fiquei por 15 anos e saí dois anos atrás, e foi bom enquanto durou, acho que eu tinha que ir para outro caminho e foi isso que eu fiz.

Soube que o Planet Hemp ganhará um filme. Achei muito bacana, inclusive conheci o Skunk na frente do Circo voador em 1992. É verdade essa história? E como ter conhecido  o Skunk ? Afinal ,ele foi um dos fundadores do Planet Hemp, e infelizmente faleceu antes do lançamento do primeiro disco.

É, realmente estão preparando um filme do Planet Hemp contando a história do Skunk  e do Marcelo e de como tudo começou. Eu entrei lá na banda em 1992. Começamos a  fazer as músicas e no primeiro ensaio  já fizemos seis músicas com Skunk no estúdio. Eu já o conheci de esbarrar por alguns lugares, mas ainda não sabia quem ele era. Gravamos o disco  e o resultado você já conhece. O filme vai contar um pouco  dessa fase que passamos juntos. Deve ficar bem bacana.


Bacalhau. (foto: facebook/reprodução)
Muito se fala hoje em repressão e censura, mas você viveu isso na pele com o Planet Hemp na década de 90. Você acha que hoje as coisas estão piores ou naquela época as coisas não eram tão expostas?

Realmente no Rio de Janeiro eu vi uma outra realidade e o Brasil estava no outro lugar também, a gente tinha acabado de sair de uma ditadura e eu acho que o Planet vem no momento certo para Expor essas ideias. Temos uma liberdade maior de se falar, mas as coisas de lá para cá não mudaram, elas não estão nem piores nem melhores, simplesmente estamos no mesmo lugar hoje em dia por mais que se tenha mais liberdade para falar as coisas, elas não mudaram e a legalização não vingou ainda e nem a descriminalização né que é uma coisa que a gente comentou, não aconteceu e infelizmente vivemos  esse clima bélico. O país, por ter uma lei de tolerância zero não ajuda, sendo que tem maneiras que já sabemos que podem ser melhor para resolver esse caso, que não é o caso de polícia né no caso, acho que talvez de saúde. Polícia tem que prender bandido, não usuários e outras pessoas. Acho que a polícia tem mais o que fazer.


Falando em Planet Hemp, por que você saiu do grupo?
Não lembro! Hahahahahaha

Você que viveu a chama do Rock alternativo na década de 90 no Rio de Janeiro. Quando falamos em cena, qual a diferença daquela época para agora?

Bem, basicamente a diferença da década de 90 no Rio de Janeiro para agora da cena é que hoje em dia temos uma quantidade de maiores de bandas e o equipamento melhorou muito gravar, um vídeo ficou mais fácil divulgar mas nesses últimos anos, nós temos perdido muitos lugares no Rio para tocar e com atual conjuntura econômica também ficou mais difícil fazer as coisas acho que basicamente é muito melhor hoje em dia do que era em 1990, mesmo hoje estando mais  afunilado as coisas.

Nem sempre o fato de uma banda ter muitos fãs e até se tornar “cult” faz com que a grande mídia a reconheça, ainda mais hoje onde o Rock parece ter sido jogado ao “underground” e o que se prevalece no mercado é o Funk e o Sertanejo, sobrando poucas bandas em destaque e aquelas que já possuem anos de carreira, como é o caso do Capital Inicial e Titãs. Você acha que não houve uma real renovação ou é a grande mídia que não se interessou mais por esse mercado?
Renovação cultural sempre teve, mas no Brasil a grande mídia ela só mostra aquilo que ela quer né e o Rock sempre esteve por aí e Independente de ter ou não mais interesse do mercado e o rock vai vivendo e influenciando pessoas. Infelizmente eu gostaria que tivesse mais Rock na televisão nos jornais, mas não depende de mim e o que depende de mim eu estou fazendo que é a música Independente e se tem outros gêneros musicais oo qualquer coisa da moda do momento ,eu vou fazer música que ela é mais importante.

Quem era o bacalhau antes de se tornar o baterista do Planet Hemp?
Tinha uma outra banda que formei com os meus amigos de colégio que se chamava Acabou La Tequila e trabalhava no estúdio Groove do Ronaldo Pereira que foi a Meca das bandas dos anos 90.

Nos tempos do Planet Hemp. (Foto:reprodução: Google / reprodução.)

  
Quais são suas influências como baterista e o que você recomendaria pra quem está começando a tocar o instrumento?
Muitas, quase impossível de enumerar sugiro que pratique e se divirta tocando já ajuda em muito.o desenvolvimento. Hip Hip Ula !




quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Rodrigo Teaser, o maior tributo ao Rei do Pop, Michael Jackson.

O maior tributo ao rei do Pop do Brasil, e talvez um dos melhores do mundo, Rodrigo Teaser é a prova viva de que Michael Jackson e a sua arte são eternas. Aliás, seu trabalho é super reconhecido, tanto que Rodrigo estará se apresentando no Rock in Rio deste ano. Vamos ao papo.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: arquivo pessoal e Google reprodução


Quando é que o “Michael Jackson” entrou na vida do Rodrigo Teaser?
Eu não me lembro exatamente, desde que me entendo por gente sei que Michael Jackson existe hahaha, minha mãe conta que com uns 5 anos que comecei a dançar as músicas sempre que tocava no rádio ou na TV, percebendo isso ela me deu meu primeiro disco do MJ (Michael Jackson).

Antes de se tornar um artista tributo ao Michael, você teve alguma experiência musical anterior?
Minha primeira experiência artística foi com a dança e já em homenagem ao MJ, a partir daí passei a estudar outros gêneros de dança, música e canto. Costumo dizer que não sou um artista que descobriu que podia imitar o MJ, sou um fã do MJ que descobriu que podia ser artista.

Como te tem sido a repercussão do seu trabalho? Soube a pouco que você se apresentará no Rock in Rio deste ano. Quais são suas expectativas quanto a isso?
A repercussão sempre é positiva, a comunidade de fãs do MJ é muito generosa e querida comigo, me tratam muito bem, a maioria entende que se trata de uma homenagem. Nosso trabalho tem sido muito bem aceito por fãs do MJ for do Brasil. Estar no Rock In Rio é uma honra, porque independente do que se apresente é um festival de música e estar em festival de música desse nível representando a música do Rei do Pop é muito especial.

Pode ser uma pergunta difícil para você responder, mas qual seu disco preferido do Michael Jackson e aquele que você pelo menos curte?
Não é tão difícil não, haha, meu favorito é Thriller, considero esse álbum a cartilha definitiva do POP, até hoje ele tem "lições" que artistas do mundo inteiro buscam, não é à toa é o maior álbum de todos os tempos.  Não tenho um álbum que menos curto, mas se tivesse que escolher um seria o álbum póstumo Michael.

Qual sua música preferida do Michael e aquela que nunca pode ficar de fora durante suas apresentações?
Minha canção favorita é “Man In The Mirror”, mas a música que nunca pode faltar é “Billie Jean”, a luva, as meias, o chapéu e o moonwalk...tudo junto nessa música.

Sendo você um artista tributo e sendo um excelente cantor, haveria a possibilidade de algum dia lançar um disco solo como “Rodrigo Teaser”?
Sim, na verdade esse é meu projeto de vida, eu não posso fazer MJ para o resto da vida, como artista tributo eu me restrinjo a representar aquilo que ele criou, eu não modifico, não mudo, mas com artista, tenho necessidade de criar, de falar, de fazer. Por isso tenho minha própria carreira, já tenho uma canção lançada, a musica HEY! e em muito em breve devo lançar um trabalho mais completo e conciso
  
Dentro desse tributo e pelo que Michael Jackson fez em toda sua carreira, faria algum dia um tributo ao Jackson Five?
Sim, existem canções e momentos muito bonitos dessa fase da vida do MJ, a dificuldade seria propor um trabalho que não visite a carreia solo dele, é impossível citar MJ e não pensar em Billie Jean, Thriler, Rock With You, Bad...

Já levou ou pretende levar algum seu tributo ao Michael Jackson ao exterior?
Já me apresentei no Uruguai, Paraguai e México, atualmente temos representantes e negociações em diversos países, EUA, Japão, Dubai e Europa.

Alguém da família do Michael sabe do teu tributo? Já teve contato com algum deles?
Recentemente meu trabalho foi levado ao conhecimento dos irmãos e anteriormente ao pai, embora eu não tenha conversado com eles fiquei feliz em saber que meu trabalho foi bem recebido e bem visto por eles. Atualmente eu mantenho um bom contato com membros da equipe do MJ, engenheiros de som, músicos, produtores e principalmente o bailarino e coreografo Lavelle Smith.

A morte do Michael abalou o mundo da música e o que ficou no final foi o lançamento de “This is it”. O que você achou desse trabalho?
Honestamente, acho que o filme mostra bem que apesar de tudo que MJ tinha passado ele estava presente, disposto, criativo e acima de tudo, respeitava seus fãs e sua própria história, para mim o filme só confirma a imortalidade de sua história. Muitos artistas atualmente dançam mais do que cantam. Michael Jackson tanto dançava como cantava muito bem. Foi um artista que aprendeu desde menino a lidar com sua música.

Você acha que essa era a diferença do seu talento para tantos artistas que parecem fabricados do dia para noite?
Para o MJ a dança e a música coexistiam, mas tudo começava com a música, segundo ele a boa música deve ser murmurada sem letra, depois você deve sentir e ser capaz de dançar cada "instrumento" dela. Ele era um excelente dançarino, mas tudo começava com a música. Ele vem de um período pré videoclipe, a música precisava ganhar o público nas rádios, só então aquilo ganhava uma identidade visual. Hoje em dia muitos artistas criam um tema e partir daí criam música, clipe e etc...tudo está preso ao visual, alguns deles se você tirar o visual, não sobra muito. É a situação da música no mundo, a música é vendida pelo youtube, o visual dita a regra, então as vezes dançar mais e cantar menos rende mais. Por isso estamos falando do MJ no que seria seu aniversário de 59 anos, depois de 8 anos de sua partida.

De uns anos para cá muitos artistas reconhecidos mundialmente morreram. Não só Michael, mas outros artistas como David Bowie, Amy Winehouse, Whitney Houston, Prince. Você enxerga algum artista atual que possa pelo menos se tornar um grande ídolo Pop?

Eu sempre me impressiono como todo ano desde que ele se foi são feitas tantas homenagens a ele e outros artistas não possuem a mesma força mesmo sendo tão geniais. Não sei explicar o porque disso. Acho que não se criam mais ídolos como antes. Hoje graças aos reality shows, youtube, redes sociais, vivemos uma ideia de que TODOS podemos ser ídolos, o que é uma verdade, isso não garante que todos sejam de fato. Michael era um cara que VIVIA para a arte, ele cantava, dançava, compunha, criava e mesmo depois de atingir o topo nunca deixou de estudar, de se preparar, de evoluir. Não é toa que hoje os maiores artistas e vendedores de música sejam discípulos confessos dele, Bruno Mars, The Weekend, Justin Timberlake, Lady Gaga, Usher, Beyonce...todos reconhecem que se não fosse terem conhecido a arte do MJ hoje eles não seriam os mesmos. Ídolos Pop teremos muitos, mas rei só teremos um, o Michael Jackson.

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