segunda-feira, 23 de outubro de 2017

MARCO DONIDA, A inspiração por trás do Matanza.

O Matanza é uma banda reconhecida e grande parte disso se deve a Marco Donida, guitarrista e um dos criadores do grupo carioca. Donida deu um tempo nos palcos, mas continua seguindo firme e forte com o grupo na hora de compor e estar em estúdio gravando.
Vamos ao papo com essa fera!

Entrevista por Luis Carlos


1) Donida, você começou o Matanza com o Jimmy em 1996. Lembro de shows de vocês no começo, aliás, você vivenciou bem aquela cena alternativa na década de 90 no Rio de Janeiro. Para você, qual a diferença da cena daquela época pra agora e o que isso mudou na carreira do Matanza?

A vida antes da internet era outra coisa...  Acho que a maior diferença é que você precisava sair de casa se quisesse ter acesso à alguma informação. Era "obrigado" a frequentar shows, conhecer pessoas e daí nasciam as cenas. Havia contato humano. Nada se resolvia com clics e downloads. Nos anos 80, eu frequentava shows no Caverna II e vivia nas lojas de Rock. Tudo era difícil de conseguir e por isso dava-se tanto valor. Hoje em dia nada mais é "especial" porque não há mérito no que é fácil.


Donida tocando com o Matanza. (foto: Fernando Pires)
2) Curiosamente o Matanza é uma banda que tem um apelo popular bem forte, e ao mesmo tempo está longe de ser comercial como muitas bandas contemporâneas ou que vieram depois de vocês. A que se deve isso?

Acho que se deve ao conjunto das influências que nos orientam. O Matanza não é uma banda extrema, mas também não é "farofa". A base do nosso som é Motorhead, Slayer, Exploited, Ramones... Música atemporal. Além disso, acredito que a aceitação do Matanza se deva às letras serem em português e terem uma abordagem crítica. Há muito mais espaço para misantropia do que qualquer outro tema em nosso trabalho.


3) Mesmo não sendo uma banda de Metal muitos fãs do estilo apreciam o som feito pelo grupo. A que se deve isso? Aliás, alguns integrantes são fãs, tocaram e tocaram em Bandas de Metal, certo?

O Metal é a pedra fundamental da minha vida. Você encontra Thrash Metal em todos os álbuns do Matanza, sem exceção. A nossa proposta inicial não era essa, na verdade.  Era para ser uma coisa muito mais The Cramps e Rev. Horton Heat mas se você não for 100% honesto com a sua obra, ela fatalmente não irá muito longe. 

Donida com o Matanza.
 4) Por que a decisão de ficar só compondo e gravando e não fazer mais shows com o grupo?
Foi uma forma de resolver conflitos internos que surgiram sem que a banda tivesse que encerrar as atividades. E também porque a vida na estrada é mais atraente para uns do que pra outros. Eu decididamente prefiro ficar em casa. Miro no exemplo do Brian Wilson que disse aos Beach Boys: Vão vocês na tournée, me deixem aqui no estúdio trabalhando nas músicas". 


5) Você também tocava no Enterro com o China, ex-baixista do Matanza. Como está o Enterro hoje?
O ENTERRO existe desde 2005. Somos um quarteto agora e estamos gravando o terceiro álbum. Está mais Death Metal do que Black, como era no início, mas continua expressando nosso nojo por todas as religiões do mundo. FUCK YOU, JESUS CHRIST!!!!


6) Existem muitos músicos que são fãs de Metal, porém, estão tocando outros estilos para ter que sobreviver como músico em um mercado Brasileiro onde o estilo não é valorizado. Você concorda com isso ou acredita que o músico deve acima de tudo fazer aquilo que gosta?
Eu acho que se deve sempre fazer o que gosta, mas nada impede que um fã de Metal goste e se divirta tocando outros estilos. Inclusive, é algo muito salutar! Eu, por exemplo, tenho MANO NEGRA tatuado no braço e é uma banda francesa que não tem nada a ver com Metal. 



7) O Matanza é uma banda que atrai fãs muitos jovens, porém, você já possuem mais de 20 anos de carreira. Esses fãs acompanham o trabalho do grupo até hoje? Durante esse tempo, tem existido uma renovação dos fãs?
O fato do Matanza ter sempre casa cheia em seus shows se deve exatamente à essa renovação do público. Há muitos adolescentes que descobrem Matanza e se tornam fãs, mas quem ia aos shows há vinte anos, em boa medida, ainda vai. Muitos se casaram e hoje levam seus filhos, o que representa duas gerações de fãs. Isso é a coisa mais do caralho que existe!


8) Acredito que o Matanza atraia seu público pela simplicidade com que vocês produzem musicalmente. Você se imaginaria fazendo futuramente algo inusitado com o grupo? Como por exemplo, gravar um acústico ou algo com orquestra?
Algo radical, como um acústico ou orquestrado, definitivamente não. Mas também não há nenhum tipo de cerceamento criativo. Vamos lançar agora em outubro um clipe/curta-metragem chamado "QUANDO A LUA CHEIA SAI". Nele apresentamos duas músicas: uma nova chamada "NA LAMA DO DIA SEGUINTE" e uma regravação de "SANTÂNICO", que é do nosso primeiro álbum. Nessa, convidamos um pianista fenomenal, o Humberto Barros. É algo inusitado, mas nada que possam dizer que estamos nos traindo. Gostamos do que fazemos e nosso objetivo é desdobrar esse universo desenvolvemos ao longo desses 20 anos, não pular para outro. Coerência é uma coisa muito importante pra nós e acredito que seja pra todo mundo.


9) No começo de carreira o grupo era chamado de "Country core". Falando em Country, o que você acha sobre o que é produzido aqui no Brasil?
Não existe Country no Brasil, existe sertanejo e eu não gosto, não ouço, não quero saber. Essa estória de Country Core foi uma coisa que saiu do controle. Nos coube no primeiro álbum, apenas, mas as pessoas adoram um rótulo e temos que lidar com isso 

6 comentários:

  1. Caraca irmãozinho, eu lembro de uma vez que ele disse numa entrevista, que a única banda que ele respeitava que fazia som totalmente voltado para o mercado nacional, era os zumbis do espaço. Muito bom meu camarada.

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    1. Banda muito boa, o guitarrista do Zumbis é meu amigo. Valeu camarada !!!

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  2. O Donida é fora de série, ele desenha a arte dos álbuns, escreve as músicas, as melodias... O cara é um monstro, completo!
    Nunca ouvi ninguém falar mal dele, ao contrário de outro integrante do matanza que pouco faz e leva "todos os méritos"

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    1. Obrigado pela participação Lohan, realmente o Donida tem seu mérito, aliás, um cara que como eu é das antigas do Metal carioca. Abs

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    2. po n é bem assim, o jimmy tb tem grande participação no matanza, é a imagem e ainda canta pra caralho! sem contar q ele nunca desmereceu o donida, pelo contrário, sempre exaltou como merecido

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    3. É verdade o Donida é foda e na humilde, mermão. O próprio disse que o Jimmy dá a cara e imagem da parada, e ele nunca desmereceu o Donida não. Fui no último concerto aqui em Sergipe esperando ver o cara, infelizmente ele não estava na estrada.

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