quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Uganga, música sem fronteiras e de muita qualidade.



O Uganga é uma banda que vem se destacando no cenário brasileiro pelo que faz, porém, indo além do que tem como padrão de um estilo ao flertar com outros estilos musicais sem com isso perder sua própria identidade e tocar nos mais variados festivais com muitos artistas diferentes.
Identidade essa assinada por Manu Joker, músico super conhecido da cena, em especial, da cena extrema, por ter tocado bateria no Sarcofago na época do disco "Rotting".
O vocalista me contou um pouco sobre a história do grupo, e claro, sobre as novidades e planos futuros desse grupo que despontou do triângulo mineiro para o mundo.
Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação

1 – Vamos começar contando um pouco da história inicial do Uganga.
Manu “ Joker” Henriques: Vamos lá... O Uganga começou no Triângulo Mineiro em 1993 , ainda como um projeto e sob o nome inicial de Ganga Zumba. Lançamos três demos ainda com esse nome e em 2002, já rebatizados como Uganga, lançamos nosso primeiro álbum. De lá pra cá são 5 trabalhos de estúdio  , sendo que o sexto está quase saindo, um disco ao vivo gravado na Alemanha , duas tours pela Europa , discos lançados por lá , um DVD de 20 anos e trocentos giros pelo Brasil. Musicalmente falando eu diria que fazemos uma mistura de thrash metal com hardcore punk e uma dose extra de groove.


2 – Você também é bastante reconhecido por ter tocado no Sarcofago, precisamente no disco “Rotting”, e no Angel Butcher. Fale-nos um pouco sobre isso.
Manu: O Angel Butcher foi minha primeira banda, onde era baterista e vocalista, e com certeza é uma das primeiras bandas de crossover da América Latina. Começamos em 1985 e fomos até 1990. Nesse período lançamos algumas demos, fizemos bastante tape trader e tocamos com bandas como Vodu, Genocídio, Megathrash , PxUxSx entre várias outras. Em 2005 a banda voltou com outra formação e em 2010 saiu o primeiro full “ 25 Years Bleeding Ears” , que é composto por um EP gravado em 2010 além de todas as demos remasterizadas a partir da fita k7. Esse trabalho saiu  na Europa via uma parceria dos selos Metal Soldiers Records e Deformeathing Productions e se alguém quiser adquirir é só entrar em contato comigo pelo email ugangabr@gmail.com. Fizemos algumas gigs com Gritando HC, Lobotomia, Paura mas foi uma volta pontual já que minha prioridade é o Uganga . Atualmente estamos parados mas quem sabe uma hora fazemos algo? Vai saber... Já o Sarcófago foi um convite feito pelos caras em 88 para gravar um álbum que viria a ser o “Rotting”. O Wagner estava morando por aqui e a gente andava junto, ele conhecia e curtia o Angel Butcher e sabia que eu daria conta do recado quando a formação do I.N.R.I. rachou. Aceitei o convite, trabalhamos no álbum na minha casa por um mês e fomos pra BH gravar no clássico JG Estúdio. O meu combinado com os caras era gravar e só mas cheguei a fazer 3 shows com a banda em SP , tocando ao lado do grande DxRxIx , depois disso saí de vez. Eles me convidaram por mais de uma vez para ficar na banda mas eu já estava em outra trajetória musical , que viria a ser o Uganga. Em 2007 rolaram alguns shows com o Tributo Ao Sarcófago mas foi só. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz com as duas bandas, respeito todos os músicos com quem toquei em ambas, mas o meu lugar com certeza é no Uganga.

3 – Você chegou a tocar no Tribute To Sarcófago, inclusive com uma data aqui no Rio. Como é que pintou essa ideia?
Manu: Cara o lance é o seguinte, quando saí da banda rolou um certo estresse entre as partes. Os caras fizeram de tudo para que eu ficasse e depois foram para uma revista ( Dynamite) falar merda a meu respeito, que tinham me tirado, que meu trabalho era uma bosta etc. Um grande papo furado enfim. Tenho até cartas , isso mesmo mais de uma, deles pedindo que ficasse na banda ( risos) ! Achei isso uma bosta e depois dessa treta não teve mais papo. Ficamos na real 16 anos sem nos falar. Em 2006 eu acho , encontrei o Wagner numa apresentação do Uganga aqui na área, tivemos um papo agradável e tudo ficou em paz já que não sou de ficar guardando rancor das pessoas. Com o Gerald o reencontro foi em 2007 já numa sala de ensaio em BH no dia da primeira apresentação do Tributo Ao Sarcófago, o cara com o baixo na mão plugado ( risos). Também fluiu legal e selamos a paz de vez , até porquê eu já havia desmentido eles ( risos). A ideia era para fazer só uma data no Warfare Noise Festival ao lado de Holocausto, Chakal, Witchhammer , Sextrash e Calvary Death. O resultado foi foda, a galera pirou e a Cogumelo resolveu fazer mais umas datas em consenso com as partes, mesmo sem a presença do Wagner. Eu não tive nenhum envolvimento nisso a não ser tocar bateria a convite de quem representa a banda. Penso assim, aquilo não foi uma volta do Sarcófago mas com certeza não era uma banda cover. Tinha o baixista que gravou todos os trabalhos da banda desde a primeira demo, um guitarrista ( Fábio Jhasko) que gravou um dos clássicos da banda e um batera que gravou outro clássico. Além disso o vocalista desse projeto, Juarez Tibanha, foi roadie da banda e tocou com o Wagner no Cirrhosis. Estava tudo em casa e tinha muita verdade ali. Independente  de quem curtiu ou não a ideia,  pra mim foi um rolê bem legal com data pra começar e acabar. Ao todo fizemos 7 shows em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Araguari, Uberaba e Santiago no Chile com o Possessed.


4 – O Uganga é uma banda que flerta com várias vertentes do Rock pesado, porém, parece ter um apelo pop e uma visão diferenciada na questão de como vocês trabalham. O fato de flertarem com vários estilos é a motivação maior?
Manu: Cara, nos misturamos os estilos que compõe a identidade do Uganga, Trabalhamos com thrash metal, hardcore punk, alguns detalhes do rap e de dub também... Eu diria que fazemos o nosso tipo particular de crossover, que tem sim infuëncias de bandas como Excel, DxRxIx etc mas vai além dessa vertente. Conseguimos transitar em festivais de segmentos bem diferentes, já tocamos em eventos com Amen Corner ou Elza Soares, com Racionais MC´s ou Vulcano. Acho legal termos essa abertura até porque não temos nenhum interesse em nos prender a determinado gueto musical ou a defender ideias radicais. Porém apesar de termos um gosto musical bem amplo , não é tudo que gostamos que colocamos no Uganga. Somos uma banda que funde determinados estilos a nossa maneira e levou um tempo até chegarmos a essa assinatura. Procuramos trabalhar sério mas nos divertimos muito com o que fazemos.

Manu com o UGanga, na abertura do show do Corrosion of Conformity.
5 – Vocês cantam na língua portuguesa. Qual a importância para a banda em cantar nesse idioma, já que muitos optam por cantar em inglês, sendo que vocês também são uma banda que já fez bastante shows no exterior.
Manu: Eu escrevo todas as letras do Uganga e desde o início optei pela nossa língua pois no Uganga o papo é bem a real, é conversa de rua, uso as nossas gírias, canto como converso com meus amigos ou desafetos ( risos). Eu já cantei e escrevi em inglês em outras bandas , não tenho problema com isso, mas no UG usar o português com certeza potencializa nosso recado. Mesmo na Europa a resposta para isso tem sido muito boa e seguiremos assim. Pode até rolar um ou outro som em outra língua mas algo pontual.


6 – A banda parece se envolver na produção ode eventos, assim como causas sociais. Conte-nos sobre isso.
Manu: Procuramos fazer nossa parte sempre que possível. Já tocamos em eventos beneficentes , já demos oficinas musicais gratuitas, se a ideia é interessante a gente abraça. É legal com certeza tocar em eventos grandes com um bom cache, muito público, promoção e tal, mas as vezes tocar numa escola de periferia , conversar com a molecada é igualmente inspirador, mesmo que seja de graça. Temos ideia de fazer algo nas penitenciárias também. É um projeto que a gente vem falando com nosso empresário Eliton Tomasi a algum tempo e creio que em 2019 vai rolar. Eventos propriamente ditos a gente não faz muitos , mas estamos envolvidos na produção do Festival Triangulice que rola aqui em Araguari , na rua e de graça, e que já está na segunda edição. Eu fiz por um bom tempo o Festival União em algumas cidades aqui do Triângulo onde você mesmo chegou a tocar com o Statik Majik, e meu irmão ( Marco – baterista) faz o Festival Pegando Fôgo aqui em Araguari no Vitrola Ambiente Cultural. Acho muito importante estar atuante na cena não só tocando mas fazendo algo pelo fortalecimento da mesma e fortalecendo parcerias reais.


7 – Além disso, tem o programa Underdose, que você já tem há bastante tempo. Fale-nos sobre o programa.
Manu: O Underdose está fazendo 4 anos, já estamos no episódio 46 e registramos vários rolês incríveis. Eu e o Guilherme Diamantino ( DCV)  tivemos essa ideia pois sempre conversamos muito sobre música tomando uma cerva, é algo corriqueiro pra gente. Na real mesmo quando tem uma galera junto a gente acaba falando mais ( risos). Os amigos sempre diziam pra gente filmar esses papos e ai surgiu o Underdose. Além disso eu viajo muito com o Uganga , vamos a festivais legais, encontramos artistas interessantes dos mais variados estilos então acaba sendo algo fácil de fazer. Atualmente além do nosso canal no Youtube ( www.youtube.com/c/underdosetv ) estamos no ar TV em um canal local chamado Canal da Gente. Com a mudança do Guilherme para SP eu passei a apresentar o Under sozinho e ele colabora eventualmente, mas a parceria permanece a mesma.

8 – Como perguntei antes, apesar da banda transitar por estilos bem diferentes do Metal, o grupo parece muito respeitado na cena do estilo. Você acha que isso se deve também ao fato de você ter tocado em uma banda tão importante como Sarcófago?
Manu: Acho que no começo com certeza ajudou , mas esse respeito não duraria se fosse só isso. O Uganga vai fazer 25 de estrada em novembro. Acredito que as pessoas conseguem enxergar verdade na nossa música, conseguem enxergar nossa entrega no palco e sabem que estamos nessa por amor ao que fazemos. Tá cheio de banda genérica ai brigando pra ver quem é o mais humilde, ou o mais extremo ou o mais técnico ou seja lá o que for. Tá cheio de banda seguindo cartilha , estudando o mercado pra agradar determinada parcela do público mas essa não é a nossa. Fazemos o som que queremos, o som que nos inspira e não o que está na moda . Acredito que as pessoas percebem isso,  e por isso nos respeitam, mesmo que não curtam nosso som.

9 – O que a banda anda fazendo atualmente e quais os planos futuros?
Manu: Temos tocado bastante na tour do nosso DVD de 20 anos “ Manifesto Cerrado”, fomos a Recife no Abril Pro Rock, tocamos em SP com o C.O.C. , no Festival Timbre aqui em Uberlândia num show junto com o Clemente dos Inocentes/Plebe Rude , vamos pra Belém tocar com o Master ( EUA) e mais uma porrada de bandas legais, tem o Rural Rock aqui em Lagamar onde também terá Master, Nervochaos etc... O rolê tá legal. Paralelamente a isso estamos terminando as gravações do nosso sexto álbum de estúdio que se chamará “ Servus” e sairá em breve pela Wacken Foundation. Junto com essas gravações estamos trabalhando também em 3 clipes pro álbum e preparando nossa terceira ida a Europa. Ainda participamos dos tributos ao Motorhead e ao Black Sabbath lançados pela Secret Service ( UK) e estamos também no tributo ao AC-DC sairá em breve pelo mesmo selo. 2019 será um ano de muito trabalho e, esperamos, muita colheita boa também.


10 – Deixe seu recado final para os leitores do Arte Condenada.
Manu: Acho que está todo mundo cansado de falar de política então nem vou entrar nesse assunto,  mas quero dizer uma coisa a quem leu essa entrevista. Por causa dessa polarização ridícula de extremistas de direita e esquerda o nosso país, que já tá mal das pernas faz muito tempo, pode enfrentar dias piores ainda. De verdade espero que não, sou um otimista  , mas as perspectivas tanto para um lado quanto pro outro, ao meu ver, são péssimas. O que tenho a dizer é para as pessoas deixarem de lado tanto ódio, tanta segregação e entenderem que essa terra é de todos nós, mesmo com diferenças. Separados, enfraquecidos, brigando por migalhas ou endeusando vagabundos , ladrões ou fascistas , somos massa de manobra e nada mais. Obrigado pelo espaço mano, um salve a todos.


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Nervosa, a mais nova força do Metal Brasileiro para o mundo.



Nervosa, a mais nova força do Metal Brasileiro para o mundo.

Assim como já toquei em dois eventos com a Nervosa, cheguei a produzir um evento com elas em minha cidade, Rio de Janeiro, e assim, pude observar o quanto aquelas Banda que despontava no cenário e já atraía um público fiel foi aos poucos se tornando um dos grandes nomes do novo Metal Brasileiro.
Fazendo diversas turnês mundo afora, a Nervosa vem consolidando seu nome tocando nos mais importantes eventos do cenário e ao lado de importantes nomes do Metal mundial. Aproveitei a passagem da banda pelo Brasil para entrevistar a baterista Luana Dametto, que também é a mais nova integrante do grupo.
Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação




1 – A Nervosa tem estado constantemente na estrada, mais recentemente por conta da divulgação odo novo trabalho, “Downfall of Mankind”, lançado nesse ano. Como tem sido a receptividade tanto do disco como das turnês?

A receptividade do novo disco tem sido melhor do que esperávamos, está realmente muito boa. Acabamos de voltar de uma tour Europeia de um mês e meio, e tivemos os melhores resultados possíveis, sentimos que as pessoas estão muito mais empolgadas com o nosso novo set list ao vivo, e as vendas do novo disco tem sido realmente boas. Ficamos muito felizes com esse resultado do público.

2 – Você é a mais nova integrante da banda. Como e quando pintou o convite para entrar na Nervosa e como tem disso tocar com elas? Lembro de que quando produzir evento da banda no RJ, você tinha acabado de entrar na banda.

Eu tocava em uma banda de Death Metal antes da Nervosa, e acabei tocando no Rio Grande do Sul com o Nervochaos. Quando as meninas ficaram sem baterista, a Prika saiu para procurar e perguntar para as pessoas quem elas poderiam conhecer e se encaixar com o perfil da banda, e foi nessa que ela perguntou ao Edu, e a indicação que ele deu fui eu. Depois disso eu fui pra São Paulo pra um audição e acabei entrando na banda. Tem sido muito bom, temos metas muito parecidas e também uma amizade desde que entrei na banda, isso é o mais importante.

Luana Damatto


3 – Você não passou pelos problemas que a banda enfrentou no começo da carreira quando a banda foi vítima de muito preconceito nas redes sociais. Qual a tua opinião respeito e que a banda fez para passar por cima desses problemas?

Creio que as pessoas tenham se acostumado com a banda, e percebido que não adianta nos jogar pedras, pois continuaremos fazendo o que gostamos independente dos comentários que receberemos, se as pessoas não gostam do que fazemos, isso é problema delas. A Nervosa teve um grande sucesso logo de cara, quando a banda tinha recém começado, então a cada ano que passo é perceptível a evolução musical e profissional, e isso também vem mostrando pra muito gente que não estamos aqui por aparência ou brincadeira. Continuaremos independente das circunstâncias, pois somos verdadeiras ao que gostamos.

4 – Acredito que você já tenha realizado e vivenciado muitas conquistas na sua carreira hoje tocando com a Nervosa. Existe ainda algum sonho a realizar, seja como baterista ou pela banda?

Como baterista já realizei muito sonhos, como conseguir grandes e ótimas marcas que me apoiam, que fazem com que tudo seja mais viável pra mim. Acho que meu sonho é sempre melhorar como musicista, tenho metas pessoais e sempre tento atingi-las, isso cobre meus sonhos como bateristas e na banda. 

5 – Sei que você não participou de todos os discos, mas sobre a discografia da banda você poderia falar um pouco sobre o que cada um deles representou na carreira da banda?

Creio que o primeiro álbum, "Victim of Yourself", foi quando a Nervosa ainda estava se formando como banda e descobrindo seu estilo, foi o primeiro esboço do que a banda ofereceria no futuro, e já é um grande álbum em termos de gravação e produção, creio que a banda já começou muito melhor que a média, por isso sempre chamou atenção. O "Agony" já é uma versão sólida da Nervosa, que vem com muito peso nos timbres e mostra o que a banda quer sair, foi onde a banda ficou muito mais conhecida, conseguiu coisas maiores e teve uma visibilidade internacional ainda maior. O último álbum, "Downfall of Mankind", é a versão mais recente e “atualizada” do quando a banda evoluiu, é musicalmente mais complexo e rápido, e mostra o resultado da experiência adquirida em todos esses anos de tour. Esperamos que o próximo álbum seja mais violento ainda, essa sempre será a meta.

6 – Para quem curte Metal há bastante tempo como eu, no passado pouco se viam mulheres atuando em bandas de Metal. Hoje, isso não acontece, pois temos por aí várias mulheres tocando. Qual é o papel da mulher no cenário hoje e quais mulheres você destacaria? (seja banda ou instrumentista).

É muito importante termos outros mulheres como exemplo e influências, porque sabemos que também é possível e todos tem a mesma capacidade de fazer o que quiser, no passado as mulheres tinham dificuldade de entram outra inspiração feminina, e é ótimo que a nova geração possa encontrar tantos exemplos vindo de outras mulheres no meio, também estamos servindo de influência para outras meninas, e isso é muito relevante pra nós. Eu citaria a baterista Anika Niles, é uma grande baterista que está chamando muita atenção ao redor do mundo hoje em dia, é uma das minhas favoritas.

7 – Que conselho você daria como baterista para quem está começando?

Toque somente o que você gosta, aprenda especificamente no que você quer ficar bom, e se divirta tocando e aprendendo até atingir suas metas, não tenha pressa, apenas tenha um bom momento enquanto toca o que gosta. Esse é o caminho, pois tocando o que se gosta e se divertindo com isso, isso jamais se tornará maçante, e é aí que você aprende muito mais, não ficando estressado ou super carregado. Você não precisa ser bom em tudo, mas seja bom no que gosta, mesmo que isso seja a coisa mais simples do mundo.

8 – Deixe seu recado final para os leitores do Arte Condenada.

Fico feliz pelo espaço que o Arte Condenada proporcionou e agradeço a todos que tiraram um tempinho pra ler a entrevista, espero vê-los por aí, valeu!

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Jackdevil, as novidades de uma excelente banda do metal Brasileiro.



Recentemente fomos surpreendidos pela informação de que a formação clássica do Jackdevil estava de volta, e de cara lançando uma nova música. Sorte a nossa e de todos headbangers brasileiros que podemos contar agora com uma banda mais forte do que nunca e que tem a somar ainda mais nessa cena rica e excepcional do Metal Brasileiro.
Vamos ao papo !

Por Luis Carlos
Foto: divulgação


1 – A primeira e inevitável pergunta para o Jackdevil. Por que a separação e agora esse retorno?

O primeiro a sair foi o Filipe Stress em 2016. A razão de sua saída foi a nossa implicância pelo fato dele estar montando uma nova banda. Nós estávamos errados, na época fomos muito imaturos e não soubemos nos entender. Ele preferiu se a afastar da banda. Já o André Nadler saiu após o retorno da turnê européia em 2017. Ele inclusive emitiu uma nota explicando a todos os motivos. Na minha opinião ele estava precisando de um tempo de afastamento da banda para resolver alguns problemas pessoais. Eu e ele temos uma ligação muito forte, pois nos conhecemos há muitos anos, então com tempo e conversa conseguimos nos acertar. A razão do retorno da formação original deu-se pelo fato de todos se sentirem donos do que nós conquistamos com a banda e enxergarem viabilidade nesta reunion. Também, é claro que rolou uma saudade (risos). Acredito que voltamos por que ainda temos uma missão a cumprir. Retornamos porque acreditamos no Metal do Brasil. O Jackdevil sempre foi um grito de resistência e muitos se identificam com a nossa luta.


2 – Vocês pegaram os fãs de surpresa anunciando a volta de antigos integrantes e de cara mandaram uma música nova: “Metal Madness”. Falando dela, conte-nos um pouco sobre a música.

Metal Madness é uma música que consegue condensar muito bem a musicalidade do Jackdevil. Nós decidimos lançá-la juntamente com a notícia da volta da formação clássica justamente para fortalecer a ideia de que este retorno é definitivo e não apenas um artifício midiático para tentar chamar atenção ou fechar alguns shows específicos. Ela foi gravada no Atom Music Lair pelo Chirs Wiesen e Filipe Stress que realizaram um excelente trabalho, na opinião da banda. O Filipe Stress vem gravando e mixando os nossos materiais desde o Evil Strikes Again, a vantagem da própria banda cuidar da gravação dos seus discos é que assim conseguimos lançar um material totalmente compatível com a nossa concepção. 


3 – Acredito que isso seja um recomeço, então, quais são os planos do Jackdevil daqui em diante?

Isso mesmo, estamos encarando todo este processo como um recomeço e uma oportunidade de fazer mais e melhor do que antes. Estamos em fase de pré-produção do próximo disco. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2019. Estamos com o repertório em mãos e vamos gravar no Atom Music Lair em São Paulo em Janeiro de 2019. É isso, vamos continuar produzindo materiais inéditos, não queremos viver do passado. Estamos também planejando uma turnê de divulgação do disco novo na América Latina e no Brasil.


4 – O Jackdevil é uma banda que já tem uma boa estrada pelas turnês que fizeram. Quanto ao Brasil, ainda pesa por ser um país muito grande e com poucas possibilidades, e mais o fato de vocês não serem de uma região que não tem tanta tradição como, por exemplo, São Paulo ou Minas Gerais?

Tudo começou em São Luis/MA. Mas hoje o Ric Mukura e o Filipe Stress moram em São Paulo e isso já nos ajuda bastante, principalmente no quesito de realização de turnês. Assim, eu e o Andrezão estamos organizando a nossa mudança pra São Paulo para facilitar o trabalho com a banda. Por muitos anos nós lutamos contra essa ideia, mas neste momento enxergamos que não há outra alternativa senão esta. Vamos com a cara e a coragem. Saímos de São Luis mas nunca iremos esquecer nossas origens e a luta de todos os headbangers que moram longe dos grandes centros urbanos.

Divulgação e venda do novo single.
5 – Falando de sua cidade, eu mesmo já tive oportunidade em tocar nela quando fiz uma turnê norte/nordeste com a Statik Majik. Gostei bastante, inclusive. Quais são os prós e contras da cena daí e que bandas vocês destacariam?


A cena do Nordeste/Norte é muito forte, existe nítida a paixão e empenho daqueles que trabalham com o Metal. O público se destaca e geralmente as bandas do eixo sul-sudeste fazem grandes shows por aqui. Com relação às bandas maranhenses que estão na ativa posso destacar de a Grave Reaper, School Thrash, Nordeath e Leopard Machine. 


6 – Tempos atrás o Jackdevil foi acusado de ser uma banda de White Metal. Qual a opinião de vocês a respeito dessa polêmica? Isso realmente pesa mais para bandas como vocês que tem uma sonoridade de um público, digamos, mais purista?

Hoje em dia isso não nos pesa em nada. Não ligamos para haters, mas sabemos que eles são grandes divulgadores do nosso trabalho. Na verdade nós damos muitas risadas dessas "acusações" e dos babacas que acham que estão nos prejudicando ao difundir fake news. Nosso inimigo é outro, nós temos nossa própria luta: nos esforçamos pra nos manter vivos nesse país cheio de contradições e continuarmos firmes para buscar nossos sonhos. E àqueles que acharam que o Jackdevil estava morto, tomem esse retorno na cara e engulam seco, essa é a única alternativa deles. Nós sabemos de onde viemos e mantemos firmes a nossa essência. 


7 – Gostaria que vocês falassem um pouco sobre cada trabalho lançado pelo Jackdevil e o que cada um deles representa na carreira da banda.

Nosso primeiro lançamento foi o Under The Satan Command (2012), sendo uma demo com 5 músicas. Foi o início de tudo, este trabalho teve uma grande repercussão principalmente pelo destaque dado pela revista Roadie Crew e pelo estouro do clipe da faixa título da demo. Em 2013 nós lançamos o EP Faster Than Evil. Neste material nós tivemos nossas primeiras experiências conscientes dentro de um estúdio e ele se tornou a nossa referência de composição e mixagem no futuro. Na época do lançamento nós disponibilizamos o download gratuito e milhares de pessoas baixaram. Foi o primeiro registro nosso que trazia um solo de baixo: a intro da faixa Bastards in the Guillotine. Em 2014 lançamos o Unholy Sacrifice como debut e tivemos excelentes resenhas e críticas da mídia especializada e do público. Este disco fora lançado pela Urubuz Records do RJ e rendeu inclusive lançamento em vinil. Os destaques ficam para a faixa Age of Antichrist que ganhou um video clipe e para a canção Thrash Demons Attack que se tornou um hino da banda. 
Em 2015 lançamos o Evil Strikes Again. Este disco foi um divisor de águas na nossa história pois marca o início das nossas tours internacionais. Tocamos no Paraguai, Chile e Argentina com o lendário Onslaught e fizemos duas tour Européias.
Em 2016 a Urubuz Records lançou o Back to the Garage, uma compilação da nossa demo e do EP. Foi uma ótima oportunidade para quem queria adquirir estes materiais que a banda deixou de vender em 2013. Por fim, lançamos o single em streaming Metal Madness com a capa que ilustra exatamente o que a letra fala.


8 – Deixem suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada.
Primeiro destacar a nossa gratidão pela oportunidade concedida pelo Arte Condenada, em nome do Luís Carlos. Nós realmente enxergamos a importância do trabalho executado por este blog, bem como a resistência por trás de cada dia de produção de conteúdos novos. Muito Obrigado por tudo. Aos leitores eu também deixo meus agradecimentos e me coloco a disposição para responder qualquer questionamento via redes sociais. Obrigado a todos e vamos caminhar juntos porque ainda há muito o que fazer. Valeu!!

domingo, 23 de setembro de 2018

Hatefulmurder, superação e determinação de quem sabe o que faz.



O trabalho dos cariocas do Hatefulmurder se traduz na superação de quem já passou por uma tragédia pessoal dentro da banda, venceu uma premiação e a cada disco,  vai mostrando seu valor através das ótimas críticas e shows importantes que tem conquistado através do grande trabalho que tem feito em sua carreira.
Diante da gravação de um novo trabalho e mais shows por vir, Renan, guitarrista do grupo, respondeu a nossa entrevista contando um pouco sobre a banda.
Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação.



1 – O Hatefulmurder tem feito shows, inclusive em eventos importantes. A visão que eu tenho é que a banda tem tomado um papel importante, inclusive sendo headliner em alguns eventos. Estou certo? Como tem sido esses shows?
Renan Campos: Salve Carlinhos e todo mundo que acompanha o Arte Condenada. Temos trabalhado e levado nossa música para lugares que antes não levávamos. E tem sido ótimo. A energia dos shows é algo que a gente considera fundamental. Trazer essa experiência para quem está assistindo. Eu acho que o Metal/Rock tem esse plus. É uma música que tem que ser vista além de ouvida. A energia dos shows é um lance fundamental.


2 – A banda está gravando atualmente. Soube que terá participação odo Jimmy, vocalista do Matanza. Conte-nos sobre isso.
Renan: Exatamente Sempre tivemos uma brodagem e uma enorme admiração com o trabalho do Matanza. Tocamos juntos inúmeras vezes. Os caras abriram umas portas legais para gente. E isso é impagável. Sobre o convite, aconteceu quando eu e Thomás(bateria) notamos que fizemos uma música que a gente conseguia “ouvir nitidamente” a voz do Jimmy se encaixando ali. (risos) Daí veio a ideia, conversei com ele, que ficou muito amarradão e topou de cara. Além de participar cantando ele quis produzir a banda em estúdio e foi bem irado, trouxe uma boa experiência nesses mais de 20 anos de Matanza. Aprendemos muito com ele e com o Jorge Guerreiro que também trabalha com Matanza e outros artistas. Gravamos mais uma vez no Estúdio Casa do Mato, que é um espaço incrivelmente legal. Sobre a música, ela traz um aspecto novo até então para banda, uma letra em português com um tema bem atual e válido. Sobre o disco... estamos terminando as composições, e entraremos em estúdio logo logo. Essa música faria parte do álbum. Mas achamos legal lançar logo esse single por agora.

3 – A mulher tomou um papel importante na cena do Metal, seja no Brasil quanto no mundo todo. O Hatefulmurder mesmo é uma banda que cresceu com a entrada da Angelica. O que ela de fato acrescentou para banda e qual a diferença entre o grupo atualmente e sobre o que fez no passado?
Renan: Concordo! Acho que tudo rolou de uma forma muito doida e natural.
A gente já pensava em fazer um segundo disco mais solto, menos preso aos moldes de um gênero. Eu acho que a Angélica é a representação física dessa mudança no som da banda. E claro, o fato dela cantar de forma bem exótica, ter uma postura e um comportamento único no palco e ser uma mulher bonita atraiu muitos olhares para banda. Ela trouxe uma forma única de cantar e uma percepção mais de ouvinte para banda, algo mais no “feeling”. O que nos deixou mais soltos para compor. Nosso disco “Red Eyes” já mostra determinadas mudanças e essa liberdade para trabalhar. 4 – Lembro bem de quando vocês ganharam a etapa carioca do evento que consistia em um show da banda vencedora no importante festival Wacken. O que aquela vitória representou para a banda naquele momento?
Renan: Eu costumo dizer que foi a partir dali que a banda “nasceu”. A coisa começou a virar mais pra banda. Ali entendemos muitas coisas importantes para banda e começamos a trabalhar com mais intensidade e o fluxo de atividades foi crescendo. Antes era bem mais “calmo”, o que eu considero bem ruim (risos). Mas participar desta seletiva e ter a chance de disputar uma vaga apra tocar no Wacken Open Air representando nosso país foi muito importante, um dos dias mais legais que a banda teve.

5 – Fale-nos um pouco sobre cada trabalho e a importância de cada um deles na carreira do grupo.
Renan: When The Slaughthering Begins (Demo 2010) – foi o primeiro registro gravado da banda, uma demo com 4 músicas. Lembro que a gente trocava com as bandas e entregávamos para os produtores. Eu gosto das músicas. Mas é aquilo... Uma demo, né? (risos)
The Wartrail (Ep – 2011) – Esse trabalho nos deu uma puta “visibilidade” lembro que fomos destaque em revistas, conseguimos vender pra bastantes lugares(ainda rolava legal esse lance de vender demos e CDs)  Eu gosto bastante desse Ep. Quem sabe um dia, a gente não o regrava? De repente trabalhar os arranjos... eu gosto mesmo de todas as músicas ali. Muito orgulho do que fizemos nessa época.
No Peace (Full – 2014) – Debut da banda, né? Super importante. Ele foi lançado pela Cogumelo Records. O que nos proporcionou a primeira tour da banda fora do país. Foi extremamente importante. Eu particularmente não gosto muito do disco. Acho que fizemos esse material numa época estranha (Ernani, co-fundador da banda já tinha se afastado para cuidar da saúde), tava tudo meio estranho. E talvez por estar de dentro eu veja o reflexo disso nas músicas. Talvez eu destaque três músicas ali que gosto. Em geral não é um disco que eu ouço. (risos ) Mas é inegável a importância desse material pra banda. Tenho muito orgulho dele.
Red Eyes (Full – 2017) – Nosso favorito até agora. Primeiro disco com Angélica Burns nos vocais. Que nos levou mais longe de fato. Acho que foi o trabalho onde mais “acertamos” e que mais expandimos os horizontes em termos de composição e arte e junto a isso também a possibilidade de mais pessoas curtirem nossa música. Nos rendeu uma turnê que atravessou o país, vários festivais e shows legais. Ele saiu pelo selo “Secret Records” de um brasileiro que mora lá na Inglaterra. Lançamos aqui e lá. Sem dúvida nosso melhor trabalho até agora.
Hatefulmurder detonando ao vivo.



6 –A banda já fez uma turnê pelo Brasil e também sul-americana. Quando é que teremos uma europeia?
Renan: Sim, fizemos duas turnês sul-americanas, em 2014 passando pelo Chile e 2015(passamos por seis países) e em 2017 rodamos o Brasil inteiro em um mês. Fizemos vinte e quatro shows em trinta dias em todas as regiões do Brasil. Foi muito louco (risos) Ano que vem após lançarmos nosso próximo disco, com certeza vamos trabalhar algo pela Europa.
Já passou da hora!

7 –Qual a opinião de vocês sobre o Metal no Brasil e sobre a cena carioca atual?  Inclusive, vocês fazem também o próprio evento. O que representa isso?
Renan:  Metal no Brasil... É sempre aquela energia e sangue no olho! Tudo feito na base da força de vontade. Eu vejo muito essa energia das bandas que fazem um trabalho incrível e organizado. No Brasil, hoje a galera faz literalmente tudo, desde venda de shows, auto-produção nos discos, vídeos-clipe e até merch. A galera que entendeu que auto-gestão é um puta caminho bom e sabe usar as ferramentas tem colhido bons frutos. Quem fica esperando as coisas caírem do céu... infelizmente continuará esperando. Esse lance de produzir os próprios shows não é novidade. Várias bandas fazem isso. Entendemos que aqui no Rio de Janeiro a gente consegue colocar a mão na massa e organizar para fazer. Nada contra os produtores/contratantes que fazem as coisas por aí. Mas é uma questão de timing, fizemos o lançamento do Red Eyes e foi bem legal. Produzimos um show da tour (que passou pelo Rio) e deu super certo também, depois fizemos o “Hatefulfest” que foi irado também. Nesses três eventos nunca perdemos dinheiro, incrível né? (risos) Dá pra fazer algo com profissionalismo e organização pro público e pras bandas, é só ter os pés no chão, saber a hora certa pra fazer e trabalhar com vontade.

8 – Deixem recado final para os leitores do Arte Condenada.

Renan: Muito obrigado pelo espaço, Luis Carlos. Parabéns pelo trabalho e incentivo aos artistas. Muito obrigado a todo mundo que nos acompanha e nos dá força para continuar. Nos vemos por aí!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Living Metal, divulgando o verdadeiro Heavy Metal !



Tão pouco tempo de carreira mas a convicção de quem faz isso a bastante tempo, é o que move bandas como o Living Metal, grupo formado em São Paulo, e que já vem fazendo bastante barulho por lançarem uma nova música e um clipe que vem repercutindo muito bem nas redes sociais.
Bati um papo com Rafael e Jean, respectivamente, guitarrista e baterista do grupo, sobre a carreira do Living Metal e seus planos para divulgar seu Heavy Metal.
Vamos ao papo, mas, se eu fosse poser eu aconselho a não ler essa entrevista.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação.

1 – O Living Metal é uma banda nova, porém, contando com integrantes experientes em outras bandas. Quando e como se formou o grupo?
RAFAEL ROMANELLI - O Living Metal a princípio era para ser apenas um projeto “solo” meu, com alguns amigos da cena Metal brasileira participando. Então de início convidei o Amilcar Christófaro (Torture Squad) para gravar as linhas de batera, a Fernanda Lira do Nervosa para fazer alguns backing vocals e na produção do disco o Rafael Augusto Lopes do Casanegra Estúdio. Eu gravaria as guitarras, o baixo e a voz principal. Só que a coisa foi se desenvolvendo de uma forma tão excelente e com uma qualidade tão satisfatória, que de uma certa forma o Amilcar e o Lopes me convenceram a isso acabar tornando-se uma banda. Mas não poderia ser com o Amilcar na batera em definitivo, obviamente por sua agenda lotada com o Torture Squad. As gravações começaram no início do ano passado, então em fevereiro desse ano, fiquei pensando em quem chamaria para uma formação em definitivo, e resolvi chamar amigos já experientes da cena metal de muitos anos e formar o Living Metal. O vocal que até então eu gravaria, acabei colocando para o posto o Pedro Zupo (Armadilha), na bateria chamei o Jean Praelli (ex-MadDog e ex-Fire Strike) e no baixo o João Ribeiro (ex-Carraz, Banda Sukata e ex- Blackfull’s Black Sabbath Cover).



2 – No marketing que a banda faz do seu trabalho, vocês reforçam bastante o discurso sobre o que chamam de “verdadeiro Metal”. O que seria o falso Metal? E o que vocês acham que falta ainda para o estilo no Brasil?
JEAN PRAELLI  - Sempre pregamos que o LIVING METAL toca o verdadeiro metal, muitas pessoas acreditam que isso não exista, mas sabemos diferenciar o metal tocado nas tradições de bandas clássicas, o metal sem invenções, sem pretensões de inventar um novo estilo. O Heavy Metal que sobreviveu e que influenciou tudo que temos até hoje é baseado no que foi feito nos anos 70/80 e é disso que gostamos e é esse caminho que queremos seguir, nossas influências são bandas como Judas Priest, Accept e Manowar, isso é diferente de bandas com sanfona e pandeiro em meio as guitarras. No Brasil acredito que falte ainda uma atitude mais dedicada por parte do público, bandas, mídias especializadas, etc. Bandas de qualidade temos muitas, mas, talvez necessitamos de uma adaptação a nossa realidade que não é fácil, ter ideias mais criativas para atrair público nos eventos, confiar mais em seu potencial e não apenas esperar que as coisas aconteçam como é no exterior onde existe mais estrutura. Tem que dar a cara a tapa e principalmente saber que o caminho do Heavy Metal não é nada fácil, só os fortes sobrevivem.


3 – Vocês divulgaram um clipe recentemente, mas parece que tiveram um problema no youtube e o clipe foi retirado. O que aconteceu?
PEDRO ZUPO - Houve uma confusão envolvendo direitos autorais, existe um selo na Colombia chamado Living Metal Producciones e quando nosso vídeo atingiu seis mil visualizações isso chamou a atenção deles, pois eles achavam que estávamos usando indevidamente o nome deles.
Então pediram para que o youtube removesse nosso vídeo alegando violação de direitos autorais, porém, nosso nome está registrado aqui no Brasil e podemos pela legislação nacional usá-lo como bem entendermos. Desta forma acabamos entrando em acordo afinal tudo não passou de um mal-entendido, e inclusive agora o Living Metal Poducciones são um de nossos parceiros, porém tivemos esse grande prejuízo pois o número de visualizações em um vídeo ajuda muito a conseguirmos patrocínios para os projetos da banda e agora estamos correndo atrás de garimpar visualizações.


4 – O Heavy Metal é um estilo popular no Brasil, porém, a grande mídia não a reconhece como deveria, ou, parece valorizar apenas alguns artistas como Sepultura e Angra. O que vocês acham disso?
RAFAEL ROMANELLI – Cara, o Angra e o Sepultura (principalmente o Sepultura) tem o seu mérito nisso, são bandas pioneiras e que tem a sua história e mostraram para o mundo que no Brasil também se fazia Heavy Metal de qualidade. Esses caras são um diferencial, mudaram a história! Mas assim, se você ler qualquer biografia do Sepultura, você vai ver que eles tiveram que começar a fazer um sucesso estrondoso lá fora, para a mídia brasileira começar a dar atenção para os caras e o respeito devido. É uma merda? É! Mas eu entendo isso, o Heavy Metal não faz parte da nossa cultura, ao contrário da Europa que é um tipo de música mais tradicional por lá. E sinceramente eu não sei também até que ponto a GRANDE MÍDIA brasileira, poderia ajudar com a cena Heavy Metal do país... A grande mídia está pensando no $$$ e não na música em si ou a qualidade disso, ou em alguma cena que seja. Tudo aqui mudou e na minha opinião decaiu, seja o Rock Nacional, seja o Samba raiz, o Funk, o Rap... na grande mídia do Brasil está preocupada em soltar artistas que duram 3 meses nela, enchem o cu de dinheiro e está tudo certo, procuram outro artista faz um single, e o ciclo continua. Em que espaço isso vai entrar bandas como o Living Metal? As bandas de Metal não nasceram para ser descartadas, bandas de Heavy Metal entram na história, mudam a história, não são uma mera “moda”, marcam pessoas, vidas e momentos. Eu sinceramente não consigo enxergar. É triste dizer isso, mas o lugar do Heavy Metal é ainda mais lá fora. Mas de verdade? Não precisamos da merda da grande mídia, hoje temos o You Tube, tem programas/canais como o Kazagastão que está aí falando sobre Metal e Rock n Roll, temos Blogs como o seu, dezenas de Web Radios e uma porrada de mídias que divulgam a coisa da forma certa, com respeito e realmente se preocupam com o Heavy Metal.

5 – Aproveitando a pergunta anterior, em contrapartida, parece existir uma resistência de pessoas que aceitam que se o estilo se popularizar demais corre o risco de se tornar ruim. Concordam ou não com isso?
RAFAEL ROMANELLI – Ao meu ver o Heavy Metal é um estilo popular, o Heavy Metal enche estádios e arenas até hoje em qualquer canto do mundo. Se você olhar nos anos 80 as grandes turnês mundiais, comerciais, revistas, e todos os tipos de marketing e o quanto isso rodava e ainda roda de dinheiro é uma coisa absurda! Agora se a coisa ao ficar popular se torna ruim... bom, depende. O Heavy Metal ao partir dos anos foi aumentando sua popularidade e se dividindo em outros subgêneros, e que EU sinceramente considero uma merda, como o New “Metal” e toda essa porcaria de “Metal” pula pula shortão modernoso. Mas ao mesmo tempo ele mostra que pode continuar excelente seguindo as suas origens e raízes, sem essa mudança brusca de som. Um exemplo claro disso para mim é o Iron Maiden. Escute a discografia dos caras, eles nunca deixaram de ser Metal.  E por mais que muitas pessoas torçam o nariz para essa fase atual deles, mais “progressiva” digamos assim, os caras ainda são Heavy Metal, e na real a música deles é menos comercial hoje em dia do que na época auge, onde era tudo feito com riffs e refrões que grudavam facilmente na sua mente, e mesmo assim, são de uma imensa popularidade, mas claro, estamos falando de IRON MAIDEN né?! Então acho que isso é uma coisa particular de cada banda e até onde ela quer chegar, e até onde ela está disposta fazer chegar sua música ou não. Se você está só pensando na fama e no dinheiro, provavelmente a sua popularidade vai crescer e você vai ter que agradar um bando de molecada idiota que vai se contentar com qualquer coisa que você vomitar no estúdio. Agora se você pensa na música para valer, o estilo pode SIM ser popular e continuar em uma excelente qualidade. Basta ouvir Iron Maiden, AC/DC, Motorhead, Accept, Saxon e etc...


6 – Muitas revistas foram acabando e parece que o Metal Brasileiro continua sendo levado por poucos produtores, fanzines e webs que valorizam o que está aqui e não somente o que tem lá fora. A internet através das redes sociais é outro caminho a seguir, mas eu mesmo já vi muitas pessoas que se dizem contra a tecnologia ao reforça a ideia do que tínhamos antes era melhor. Para uma banda surgida em 2018, mas com raízes em décadas passadas, qual a opinião do Living Metal a respeito disso?
JOÃO RIBEIRO – As redes sociais, se forem bem usadas, podem ser uma ótima ferramenta de divulgação para as bandas. Infelizmente hoje em dia as pessoas estão totalmente polarizadas e ao invés de usar as redes pra coisas úteis acabam é   gerando a discórdia. Sobre os fanzines e revistas realmente foi uma boa época. Como o acesso ao material era mais limitado a galera realmente corria mais atrás, em vez de ficar apenas na internet. Mas infelizmente essa foi uma mudança que atingiu tudo ao nosso redor, não só a cena metal. Então temos que nos adaptar.

7 – Já critiquei diversas vezes a respeito de um público que mais parece se importar com estilos alheios, onde o que gostam está sendo deixado de lado, inclusive para ficar discutindo sobre política. Qual a opinião de vocês sobre isso e onde se insere o Living Metal nessas questões?
RAFAEL ROMANELLI – Bem-vindo as redes sociais cara, a maior porta voz de idiotas da história da humanidade! O ser humano gosta é de barraco, saca? Tipo Programa do Ratinho, não interessa o conteúdo, você quer ver é o barraco, quer ver a merda acontecer, o circo pegar fogo, está em nosso DNA. Então fica muito mais fácil falar merda, criticar qualquer coisa que seja, do que dedicar uns 5..10mins da sua vida, gastando esse momento para falar bem de uma banda, divulgar um trabalho ou de qualquer outra porcaria. O Living Metal é uma banda que surgiu justamente por que estamos de saco cheio dessa coisa toda. Eu mesmo acho um porre, você ir em um show, onde o cara sobe no palco e fica dando discurso em quem você deve votar, se você tem que ser esquerda ou direita, em que merda de religião você deve seguir ou qualquer coisa parecida. Acredito que todos nós passamos por uma par de merda em nosso dia a dia: no trabalho, transporte público, família, eleições e etc... Cara a única coisa que eu quero na minha Sexta Feira, no meu fim de semana, é sair, esquecer pelo menos por UM DIA essa porra toda, tomar uma cerveja, me encontrar com uma garota, com meus amigos e lembrar de que a apesar de todo esse caos, a vida é realmente boa, e o Heavy Metal me traz isso desde a adolescência. Não preciso de um mala em cima do palco fazendo me lembrar de toda a coisa chata. Então onde o Living Metal se insere nessas questões? O Living Metal não se insere nelas! O nosso objetivo é apenas o Heavy Metal. Nosso show é aberto para as pessoas se divertirem e terem uma noite inesquecível, que vá trazer boas lembranças, e não um monte de problemas de volta para sua cabeça.


8 – Quais são os planos futuros do Living Metal? Deixem um recado final para os leitores do Arte Condenada.
RAFAEL ROMANELLI – Planos futuros? Dominar o mundo! Estamos trabalhando demais desde fevereiro. Então em 2018 ainda teremos o show de lançamento do nosso EP em formato físico, mais shows ao redor do Brasil e uma novidade absurda e bombástica que irá acontecer no início do ano que vem, que acreditamos que pode ser um divisor de águas para a história da banda. Dentre tudo isso, já começamos também a trabalhar em nosso primeiro full-lenght, que inclusive já tem até título. Não estamos de brincadeira, chegamos para ficar, e cravar a espada do True Metal do Brasil para o mundo. Um grande obrigado ao Arte Condenada pelo espaço e respeito, um enorme HAIL! Para todas as pessoas que estão nos acompanhando e nos apoiando, e que pode acreditar cara, não está sendo poucas e um grande chute no traseiro dos posers ao redor do mundo. Somos o Living Metal e tocamos Heavy Metal! HAIL THE TRUE METAL AND FUCK ALL THE POSERS!!!


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Gangrena Gasosa e a raiz do Saravá Metal

Eu que conheci a Gangrena no começo da década de 90 e acompanhei bem não só a sua carreira, como também toda aquela cena que acontecia na década de 90 por intermédio de várias bandas da época como, por exemplo, Sex Noise, Poindexeter e Second Come, sei da importância que eles tiveram naquela momento e de como foram o principal nome de tudo que acontecia do Rio de janeiro para o Brasil.
Um tempo atrás surgiu uma grande polêmica nas redes sociais através de um problema com o nome e as atividades da banda entre antigos e novos integrantes e que gerou muita polêmica, com pessoas defendendo e outras atacando. Bati um papo com Vladimir, guitarrista do grupo, sobre essa polêmica e também sobre os planos que a banda possui de agora em diante.
Vamos ao passe...ops ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação



1 – Bem, de cara eu recebi convite do teu perfil e logo vi postagens polêmicas a respeito do Gangrena Gasosa. O que de fato aconteceu?

Então Carlinhos, convidei você e muitos amigos, e conhecidos, que viram a Gangrena nascer, no início dos anos 90. E a intenção era de expor a situação absurda ao qual nos colocaram, perante um público novo, que tem como referência a história recente que vem sendo empurrada, através das redes sociais. O que aconteceu, de fato, foi o seguinte:  Em 2015, fãs começaram a entrar em contato, pedindo uma reunião dos membros da formação original, para tocar o Welcome to Terreiro (primeiro disco lançado pela banda) na integra.  Então, o Chorão, o Cid e o Paulão ficaram na pilha de fazer isso se tornar realidade e entraram em contato com a outra parte, para conversar sobre essa possibilidade, já que eles eram amigos. A ideia era fazer 2 ou 3 shows pontuais, reunindo a formação que gravou o disco, sem que prejudicasse ambas as partes. A conversa se estendeu um bom tempo, o Cid (baterista) tentou de todas as formas amigáveis, fazer com que isso fosse possível, inclusive até surgiu o papo de fazerem um show misto, com as duas formações, ou de usarmos um outro nome, mas eu por várias questões morais e éticas, que hoje, para mim estão justificadas por essa e outras atitudes de extrema má fé da outra parte, deixei claro que não dividiria palco com ele. No meio dessa conversa entre o Cid e a outra parte, ele deu entrada no INPI, com registro de marca mista, para a Gangrena Gasosa e continuou conversando com o Cid, como se nada tivesse acontecido, e sem ao menos comunica-lo, e solicitar a cessão de direitos, uma vez que TODOS sabemos que quem criou o conceito, o nome, o mascote (o Zé) e a logomarca, foi o Cid. A entrada com o pedido se deu em 10 de outubro de 2016, e só descobrimos em novembro, faltando pouquíssimo tempo para que expirasse o prazo para que entrássemos com oposição. Para nós isso foi uma atitude de extrema má fé, que não condiz com o tratamento de amizade e respeito que sempre existiu entre os integrantes originais e criadores do conceito. Todos nós sempre soubemos que a banda e a marca não eram registradas, e nunca quisemos nos apropriar de algo que não era nosso. Ainda mais assim na cara dura.

2 – Eu acompanhei a Gangrena do começo, de quando rolava as demos e dos primeiros shows, isso lá pelo comecinho da década de 90. Quando é que veio essa ideia de celebrar o primeiro disco com a antiga formação?

 Cara, na verdade essa ideia sempre existiu, dado que o “Welcome To Terreiro” e o “Smells like” , são discos clássicos da década de 90, que influenciaram muitas bandas, e fizeram parte da vida de muitas pessoas daquela época do Garage, e que curtem as músicas até hoje. Foi uma época de ouro no Underground do Rio. Porém, ela só começou a tomar força, em 2015, até por conta, de vários shows que começaram a acontecer, com bandas tocando seus álbuns clássicos, com a formação original daquela gravação. Ai o Paulão, o Cid e o Chorão, começaram a tentar viabilizar isso. Eu encontrei por acaso o Chorão num show do D.F.C, e a ideia era fazermos um show do WTT, e depois um do “Smells”. O que para mim não rolava, porque o Chorão queria que a outra parte participasse do show do Smells, e eu não topei, pelos motivos mencionados acima, e pelo fato dele não ter cantado no disco, mais do que 30 segundos, já que quando ele voltou para banda em 99, após ter substituído o Felipe, no Baixo por alguns poucos shows em 94, já estávamos no estúdio gravando, com todas as músicas prontas. Então falei que faria o show do WTT com os integrantes originais.


 3 – Hoje, parece existir então duas “Gangrenas”. Uma com nova formação e outra com os antigos membros. Sobre vocês, é possível que isso tenha alguma continuação?

Carlinhos, não existem 2 gangrenas. O conceito de “Saravá Metal”; é ÚNICO. Ele só poderia ser criado e desenvolvido pelas pessoas que haviam naquele grupo. Naquela formação inicial. E é tão forte, que se estende até hoje, porque é muito original. A Gangrena ultrapassou os limites musicais e se estabeleceu como um conceito artístico, representando um estilo único. A gangrena criou o seu próprio estilo, e sempre será vista assim. Inclusive, mesmo tendo uma postura totalmente anárquica no palco e fora dele. Nunca deixou de estar presente nos maiores meios de comunicação televisão, jornais e maiores palcos da época. Para mim que fui integrante por 20 anos da banda, e passei por todas essas fases, desde o WTT, até o “Se deus é 10”, está bem claro que existe a Gangrena Original, com os membros fundadores, donos do conceito e de toda a criação artística, e um grupo que se apropriou de maneira nada justa, e quer ter posse de um conceito que não lhe pertence. Visto que em todo esse tempo nada se criou e continuam a reproduzir as coisas que falamos, a história que não viveram, as músicas que criamos, e todo resto. Quanto as possibilidades de continuidade. Cara o que seriam 2 ou 3 shows, se tornou um projeto muito maior. Ainda mais depois de todas essas atitudes erradas que esse senhor fez. Então assim que resolvermos esse imbróglio judicial, temos ideia de regravar o WTT, fazer shows e relançar alguns materiais.


4 – Eu assisti o documentário e nele teve inclusive a participação dos antigos integrantes. Poucas bandas seguem sem seus integrantes originais ou fundadores, o Napalm Death e o próprio Sepultura são exemplos disso. Vocês acham que se o Gangrena Gasosa tivesse sido levado a frente por algum integrante fundador ou mesmo antigo, os rumos da banda teria sido outro?

Normalmente essas bandas, como as que você mencionou, seguem, porque obtiveram uma cessão de direitos sobre a marca. No caso da gangrena, o que está acontecendo é a apropriação da marca. Nós não transferimos e nem cedemos o direito. Nunca nós negamos a ajudar. Um cara, entrou com o pedido de registro, sem que o Cid ou nenhum de nós tivesse conhecimento, para se apropriar dela. E se não tivéssemos procurado advogados especializados, hoje já teríamos perdido o direito ao nome da banda. Sim, os rumos seriam outros. Cara, eu saí em 2011, e o Felipe em 2013. Não tem tanto tempo assim. Até o Disco “Se Deus é 10…”as composições são minhas. Então, eu considero que o que temos hoje não tem a essência da banda. É um projeto paralelo, sem referência e base. É só escutar os cd`s. A Gangrena, sempre foi um bicho estranho dentro do zoológico, com várias influências musicais. Nós chamamos atenção para uma coisa que ninguém prestava atenção, tanto nas possibilidades musicais quanto artísticas. 


5 – Sobre o primeiro disco, “Welcome to Terreiro”, muito se questiona sobre a qualidade dele. Se vocês concordam com isso, por que aconteceu? E se pudessem relança-lo algum dia, fariam uma nova gravação?

Carlinhos, é legal você falar isso, porque você viveu a década de 90, e você sabe que não tinha as mesmas facilidades que temos agora… Equipamento mais barato, facilidade de gravação, internet entre outras coisas. E hoje, para qualquer um que não estava inserido nesse contexto, escutar a gravação e criticar o disco é muito fácil. Na verdade, a Gangrena, nunca conseguiu colocar dentro de um disco, toda a energia que tinha ao vivo. O Welcome foi um pouco disso. Acho que o mercado não estava pronto para a gangrena, e de certa forma, a gangrena também não era madura o suficiente para lidar com isso. Éramos muito jovens e imaturos, vínhamos do subúrbio e não tínhamos acesso à equipamentos bons, bons estúdios. Tínhamos uma ideia muito grande, mas não tínhamos controle na parte técnica. O WTT foi gravado em sobras de estúdio, e assim que escutamos o disco, não curtimos o resultado, mas mesmo assim, ele se tornou um disco Clássico e extrapolou as expectativas. Se pudéssemos, remixaríamos esse disco, mas a master foi apagada. Na época, a RockIt, gravava em rolo e depois usava o mesmo rolo para gravar outra banda.  Eu tenho certeza que se tivéssemos essa master, track a track, com a tecnologia que temos hoje, nós conseguiríamos deixar esse material infinitamente melhor. Uma pena não termos essa master. É uma ideia regravar esse disco. Pensamos nisso há um bom tempo, não só ele como outros materiais também.


6 – O que fez com que cada antigo integrante saísse do grupo, já que a Gangrena sempre se destacou no meio musical alternativo. Se não concordam, o que acham sobre o que faltou para que a banda alcançasse conquistas maiores?

Foram motivos diversos, tanto pessoais, como profissionais e até morais. Eu saí em 2011 porque eu já estava desgastado, por causa das atitudes que outros membros vinham tomando, tentando agir pelas costas dos outros, e querendo ser maior do que a banda. Eu saí também por que em 2000, depois que gravei o Smells, eu resolvi conversar com o pessoal e investir numa turnê, pra Europa. Fiz os contatos, coloquei grana, arrumei parcerias e fomos. Quando voltamos, já com uma turnê possivelmente agendada no ano seguinte, e um convite para gravar o próximo CD nos EUA, os vocalistas, resolveram sair da banda, por achar que não era o tipo de vida que eles queriam. Eu sempre acreditei que o caminho da banda, para ela se tornar maior, e chegar no lugar que o conceito merecia, era fora do Brasil. Mas ele nunca quis. A prioridade sempre foi outra. Eu queria que a banda fosse maior do que era, e eu não via essa vontade e nem esforço para que isso acontecesse. Estávamos com material novo, e eu queria fazer outra turnê, mas nunca foi intenção dele, pelo menos, enquanto eu estava na banda…

7 – Deixe seu recado final.

Meu recado final é o seguinte:

A história começa do início, e não do meio ou do fim. As pessoas, antes de falar e tomar partido de algum lado deveriam realmente entender o que está acontecendo. Pesquisar a história da banda desde 1990. E não tratar a banda como se fosse um terreno baldio. A Gangrena nunca foi um terreno. Ela é uma criação artística. O Brasileiro não conhece seu direito, ainda mais os direitos autorais. Nós mesmos não tínhamos ideia de 20% do que isso representa. O Direito autoral é um bem inalienável. E não uma casa, que se alguém ocupar por 5 anos, vira dono.

Eu pergunto a vocês? Onde estava essa galera, em 1990, na hora que a banda foi criada?
Não sei. E provavelmente eles também não.

Onde estava essa galera com 5, 10, 15 anos de banda? Cara, dos que se dizem Gangrena hoje, nenhum estava presente. Um dos membros da outra parte passou pela banda 3 vezes. A primeira, eu o convidei para substituir o Felipe, em 94 (me arrependo muito, e peço desculpas para os amigos por isso), por poucos shows, saindo em 95, para fazer uma tour com a Dorsal, por que a Gangrena nunca foi prioridade dele. Depois saiu da Dorsal “não sei porque” e nós o aceitamos de volta, pela amizade, em 99, quando estávamos já em estúdio para gravar o Smells. Onde ele participou 30 segundos num CD inteiro. Se for por esse raciocínio, o B Negão é mais da banda que ele, porque gravou uma música inteira, rsrs. Em 2000, meu pai morreu, e eu investi o dinheiro que eu recebi de seguro, numa tour, o cara foi, e quando voltou saiu da banda de novo… Só voltando pra fazer um show com o Ratos em 2003, porque era a boa. Aliais, ele só ia nas boas se vocês repararem… Daí em 2005 o cara diz que quer voltar com a banda, pega metade das músicas que eu tinha feito e gravado em 95, junta com as outras melodias que eu tinha feito para um trabalho novo da Gangrena, fala que é dele, e agora ele diz que é dono da coisa toda… Por favor né? O mundo está ficando maluco!!! Daí em 2018 vocês já sabem o que aconteceu… E nesse meio tempo, a gente só tá se defendendo disso tudo. Eu quero que a Galera entenda que quem fala aqui é uma pessoa que atravessou TODAS as fases da Gangrena, e que só saiu em 2011, por conta de todas essas atitudes que ele vinha tomando… O que está sendo discutido aqui é a apropriação de um conteúdo único, uma ideia que já nasceu grande para o universo que habita, e que hoje está sendo apropriada de maneira indevida, e é apenas reproduzida. O que seria deles hoje, se não existíssemos ?

Uganga, música sem fronteiras e de muita qualidade.

O Uganga é uma banda que vem se destacando no cenário brasileiro pelo que faz, porém, indo além do que tem como padrão de um estilo ao f...