segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

CENA METAL CARIOCA - Parte 6 (final)

CENA METAL CARIOCA – Parte 6     

Finalmente chegamos a sexta e última parte da matéria onde pude falar um pouco do que temos da cena carioca, e, espero ter ajudado um pouco a quem leu a matéria, a de conhecer o que temos na cidade do Rio de Janeiro quando falamos do rock pesado, seja qual estilo for. Valeu a pena, foi uma boa pesquisa e um bom trabalho para que elas ficassem prontas e para pelo menos tentar colocar em pequenas matérias que foram divididas em seis partes, um pouco do que anda rolando na cena do Metal carioca.
Claro que algumas bandas acabaram não entrando e que isso não reflete a importância da cena em sua totalidade, já que certamente ficaram de foras muitas bandas boas e tão importantes quanto as que eu citei, independente do meu gosto pessoal, mas colocando acima de tudo o papel que cada uma delas representa.

 Seguem mais algumas bandas que estão atuando no cenário:


AS DRAMATIC HOMAGE
Alexandre Pontes é um veterano músico com uma bagagem musical que poucos músicos por aqui possuem e isso nas mais variadas vertentes da música pesada, passando pro grupos do Hardcore ao Doom metal. Desde 1999 ele leva o As Dramatic Homage a frente, com seu som mais do que único na cena carioca e com uma boa discografia. O grupo está em fase de composição para um novo trabalho e certamente promete mais um grande disco.

(foto: Luciana Pires)


           
TELLUS TERROR
O Tellus Terror é daquelas bandas que nasceram para ser grande e pensando assim, é visível a propaganda que eles fazem do seu trabalho nas maiores mídias do país. O grupo faz de sua música uma mistura dosa estilos mais extremo do Metal. O grupo promete muito trabalho para este ano e também uma nova formação que dará sequência ao seu primeiro trabalho, o disco EZ Life DV8 (Lê-se Easy Life Deviate, Desvio Fácil da Vida), que obteve uma excelente repercussão da mídia.




DREADNOX
A Dreadnox é outra veterana banda carioca com um currículo extenso na carreira. No momento o grupo está parado, mas que promete novidades para este ano. Kiko Dittert, seu guitarrista, reside no Canadá e lá vem desempenhando uma carreira solo, que se iniciou aqui no Brasil quando lançou dois singles por plataformas digitais. Esperamos por novidades dessa grande banda !







LION HEART
Thiê (vocal) e Brandon (guitarra) fizeram muito barulho anos atrás, e após um breve hiato de suas atividades, voltaram com força total divulgando um CD e soltando um novo clipe nas redes sociais, e claro, com uma nova formação, que se completa com Thiago Velásquez (Painside, Leather, ex-Statik Majik) e Rogers (bateria), que já tinha tocado no grupo. O grupo promete para este ano com seu Hard Rock oitentista.



SAGITTARION
Banda fundada pelo guitarrista Thiago D`Lopes, ex-guitarrista da Statik Majik e Seviciuc, e mais a presença dos integrantes Kleber ramalho (vocal) e dos experientes Alexandre Fersan bateria) e Rick Ferris (baixo). Gravaram seu primeiro trabalho e lançaram mã odo catarse para que possam lança-lo. O disco já tem capa e se chamará “Reborn”.




UNDERFECTION
Esse trio faz um Death metal inspirado. O que pude comprovar em uma apresentação recente do grupo que eu assisti. O vocalista é Matheus Silva, também membro do Forkill. O grupo foi formado em 2012, ou seja, uma banda ainda bem nova, assim como seus integrantes, e acredito que se continuarem nesse caminho, futuramente poderão alcançar maiores conquistas.








quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

CENA METAL CARIOCA – Parte 5

CENA METAL CARIOCA – Parte 5   
  
Chegamos na quinta parte da matéria e estamos chegando quase ao fim de uma matéria onde tentamos mostrar um pouco do que anda rolando pelo Rio de Janeiro, mostrando alguns grupos cariocas promissores e até mesmo alguns deles que mesmo que possuem mais tempo de atividade no cenário e que mesmo com hiato de suas atividades, estão de volta e mostrando que ainda possuem muito “sangue nos olhos”.
 Seguem mais algumas bandas que estão atuando no cenário:
           
PROPHECY
O Prophecy é uma banda veterana suas origens na banda “Bíblia negra”. Rogério, guitarrista e vocalista do grupo, leva a banda a frente, e agora contando com uma nova formação. Possuem um disco gravado chamado “Legions of Violence” e chamaram bastante atenção da mídia na divulgação desse trabalho, porém, mudanças na formação fizeram com que o grupo chegasse a encerrar suas atividades. Recentemente eles abriram o show do Testament no Rio de Janeiro.




FIREHEAT
Bu Bolzan e Glauco primo não são unidos apenas pelo casamento, como também formam uma bela dupla no palco desde os tempos do grupo Carpensarem. Bruna chegou a cantar por pouco tempo no Melyra, mas se juntou a Glauco para montarem mais um excelente grupo. Aliás, Ana, baterista do Melyra, e Edu Gomes (baixo) completam o time. Apesar de fazerem um som pesado, existe um flerte com o pop, como eles já demonstraram em alguns covers. Se intitulam como “Scary Rock”, algo como um estilo que possuem temáticas assustadoras em sua música.

(foto:Gabriel Peres)


PAGAN THRONE
O Pagan Throne é uma banda carioca que se inspira em grupos como Marduk e Immortal e se denominam como “Pagan Black Metal”. Acompanhando o trabalho da banda pelas redes sociais, vejo que o grupo faz mais shows fora do Rio do que em sua cidade, e seja aqui ou fora, a aceitação odo seu trabalho é excelente.

(foto: beto Padilha)


LAND OF TEARS

Liderados por Robson Souto, músico oriundo da Zona Oeste do Rio de Janeiro, o Land of Tears está gravando um novo trabalho, porém, já possui um bom currículo na estrada. Citam como influência em sua música,  bandas como: Benediction, BoltThrower, Hipocrisy, Gore Fest, Unleashed, Six Feet Under, Morbid Angel, sendo assim, o Death mais tradicional da década de 90.





DARK SLUMBER
Conheci o som do dark Slumber quando toquei em Volta Redonda e vi mais recentemente a apresentação desse grupo de Volta Redonda e de quanto o grupo evolui a longos passos em um Death Metal de primeira.




EROS
Assim com o Prophecy, O Eros é outra banda carioca bem antiga. Possuem um disco gravado, mas ficaram um bom tempo parados, precisamente 22 anos. Themys Barros, guitarrista e vocalista do grupo, também produtor de eventos, leva o grupo a frente, que agora conta com Gabriel barros (baterista e filho de Themys), Raphael Marins (guitarra) e Thomas Abrantes (baixo e também integrante do Monstractor).




segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

UGANGA, a força musical do triângulo mineiro.

Manu Henriques é um amigo pessoal, mas é também um cara que eu também sou fã por tudo que ele fez e faz pelo Rock e Metal Brasileiro. Baterista de duas lendárias e expressivas bandas como Sarcofago e Angel Butcher, Manu canta no Uganga, uma das mais expressivas e batalhadoras bandas do Brasil. Além disso ,ainda faz parte do Programa Underdose e do fanzie Páginas vazias.
Nesta entrevista, pude colocar o papo em dia e saber das novidades que ele está preparando em seus projetos musicais, então, vamos nessa.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação


1 - Bem, antes de falarmos do seu trabalho com o Uganga, vamos falar do seu passado e do que você faz fora do Uganga. Você tocou no Angel Butcher, banda mineira bem antiga, mas, a impressão que tenho é que durante esse tempo o grupo parece mais um projeto do que uma banda. Fale-nos um pouco sobre o Angel Butcher.

Manu “Joker” Henriques: Salve meu chapa, bom falar com você! Eu comecei o Angel Butcher com alguns amigos de infância no ano de 1986 aqui em Araguari, e até 1990 era uma banda mesmo e não um projeto. Creio que fomos os primeiros a fazer crossover de metal e hardcore/punk em Minas Gerais, e com certeza uma das primeiras do Brasil. Lançamos algumas demos, tocamos aqui e ali com bandas legais como Genocídio, Megathrash, Anger entre várias outras do underground daquela época. Em 1991 a banda entrou numa hibernação que durou até 2006, quando retomamos com outra formação. De lá para cá lançamos na Europa um EP (“ 25 Years Bleeding Ears”) que vem com todas das demos antigas remasterizadas a partir do K7 e mais 5 sons inéditos. Nesse período fizemos mais alguns shows legais com Lobotomia, Calibre 12, Paura etc. Hoje em dia a banda é um projeto que novamente está hibernando.

2 - Além disso, você foi integrante do Sarcofago, inclusive, gravou o disco “Rotting”. Quais as lembranças que você tem de quando tocou na banda e por que saiu do grupo?

Manu “Joker” Henriques: Só tenho boas lembranças. Foi um tremendo aprendizado tocar com os caras, ter contato com estúdios e produtores de verdade tão cedo e deixar minha marca num álbum clássico como aquele. Quando o Wagner se mudou para o Triângulo Mineiro, logo após o I.N.R.I., ele se aproximou da nossa galera e em pouco tempo estávamos tocando juntos. Lembro de bons momentos em BH ao lado do pessoal do Overdose, Sextrash , Witchhammer e Holocausto,  e de muita bebedeira ( risos). Desde o início eu deixei claro que não entraria em definitivo para o Sarcófago por isso somente gravei o álbum e fiz os 3 shows ao lado do D.R.I. em São Paulo em 1990.  Tive a chance de me tornar membro fixo mas optei por outra estrada e não me arrependo. O Sarcófago faz parte da minha história e tenho muito orgulho disso.

Uganga detonando ao vivo.
3 - Além disso, você chegou a tocar com alguns outros ex-integrantes fazendo um ”Tribute to Sarcofago”, que aliás, eu tive o prazer de assistir ao vivo. Como é que pintou a ideia desse tributo? Parece que aconteceram alguns problemas para que isso se concretizasse.

Manu “Joker” Henriques: Em 2007 fui contatado pela Cogumelo para fazer um show em BH com alguns ex-integrantes num projeto chamado Tributo Ao Sarcófago, o qual prontamente aceitei. Em momento algum foi falado algo como uma volta da banda, e se fosse essa a ideia eu não toparia, pois, Sarcófago sem Wagner é igual a Motörhead sem Lemmy. Foi um evento muito foda onde ainda tocaram Witchhammer, Holocausto, Sextrash , Chakal e Calvary Death , e que diz a lenda um dia sairá em DVD. O resultado foi bem legal, a galera curtiu bastante e foi decidido de comum acordo entre as partes estender essa festa em mais algumas datas. Assim fizemos e fomos ao Chile tocar ao lado do grande Possessed. O lance é que o promotor que vendeu o show colocou no cartaz que se tratava de um retorno da banda e isso nos deixou bem putos. Por sorte esse otário não estava lá já que mora no México, senão o tempo teria fechado. Ele enganou inclusive os promotores do Chile quando vendeu a banda. Mesmo assim a resposta do público foi excelente!  Fora essa gig, nas outras ficou bem claro nas mídias promocionais, assim como em várias entrevistas que demos, que era um tributo com data para terminar, e nada além disso. Foi legal tocar bateria de novo. Sei que alguma merda foi dita sobre essa tour, mas não me importo com falatório alheio. Fui lá, fiz meu trabalho sem iludir ninguém e só. Na verdade, acho que fizemos shows bem legais e dignos do nome da banda.


4 - Além dessas bandas, você faz parte do Underdose. Lembro dos fanzines e dos vídeos no youtube. Como está o zine atualmente?

Manu “Joker” Henriques: São duas coisas diferentes o zine e o programa. O zine se chamava Páginas Vazias” e foi um projeto que meu irmão Marco, batera do Uganga, começou com outro amigo e durou 7 anos. Colaborei em várias edições com uma coluna fixa (“ O Som Do Bico Da Galinha”) onde falava da minha vivência na cena desde moleque e fiz também algumas resenhas e entrevistas. O zine infelizmente parou devido a várias outras correrias que temos, mas foi um período muito legal. Já o Underdose é um projeto que criei ao lado do meu amigo Guilherme Diamantino 3 anos atrás. Já são 43 episódios que podem ser conferidos nesse link:  https://www.youtube.com/channel/UCPASrZYY53JmZ6lm7feA6mA/videos . Atualmente , devido a mudança do Guilherme para São Paulo,  eu estou a frente sozinho do programa tendo o suporte do Ras , baixista do Uganga, na edição. Estamos começando uma nova série sobre o metal mineiro com 3 programas especiais, o primeiro episódio foi com o Mutilator e o próximo será com o Holocausto. É algo que faço por prazer, sem retorno financeiro , e pretendo dar continuidade.

5 – Eu que já tive o prazer de tocar no triângulo Mineiro, terra de tantas bandas boas, fora que, considero Minas Gerais como o “berço do Metal extremo Brasileiro” faço uma pergunta. Como está a cena local hoje e quais as perspectivas futuras quanto as novas bandas?

Manu “Joker” Henriques: A cena por aqui sempre gerou boas bandas e atualmente não é diferente. Temos uma galera trabalhando sério e posso citar Seu Juvenal, Chafun Di Formio, Scourge, Black Pantera, Tríade, Lava Divers, Canábicos, Toxic Assault , Revolta Blues entre várias outras que estão na batalha. Temos alguns espaços para tocar como o Vitrola em Araguari e o Favela Chic em Uberaba, marcas de roupa que apoiam as bandas como Incêndio e Mortuus,  dois grandes festivais ( Timbre e Triangulice) , porém o momento atual carece de mais público nos eventos, em especial nos eventos menores. Acho que isso é algo que vem rolando no mundo todo, as pessoas estão mais interessadas em ficar em casa vendo vídeos antigos e falando merda do que em apoiar a cena. Que se foda, rock não é para escoteiros e em tempos como esses os fortes devem arregaçar as mangas e virar o jogo. Os fracos ficam de mimimi no Facebook e gozando com o pau dos outros (risos).

Manu Henriques, vocalista do Uganga.
6 – O Uganga é uma banda que sempre possui bons apoio para a realização dos seus trabalhos. No Rio de janeiro, por exemplo, bandas que fazem um som mais pesado não conseguem esse tipo de apoio. A que se deve esse diferencial na carreira de vocês?

Manu “Joker” Henriques: Creio que se deva a acreditarmos no que fazemos e não ficar esperando as oportunidades caírem do céu. Não entro no mérito das outras bandas, como as do Rio, pois não sei do corre dos outros. Gosto de várias bandas daí , desde as antigas até mais recentes inclusive. No nosso caso trabalhamos pesado com planejamento junto ao nosso manager Eliton Tomasi e usamos todas as ferramentas que temos a nossa disposição, inclusive leis de incentivo municipais, estaduais e internacionais como foi a recente parceria com a Wacken Foundation (Alemanha) que bancou parte dos custos do nosso próximo álbum por acreditar no Uganga. Também procuramos tocar somente quando o evento realmente vale a pena, mesmo que possamos nos enganar com essa leitura vez ou outra (risos). Porém acho que o principal motivo é que somos 6 caras que amam de verdade o que fazem, já toquei com idiotas que me falaram algo tipo “ se a banda não virar em 2 anos vou prestar concurso” (risos). Como se uma coisa impedisse a outra! Essa trilha, esse caminho na música autoral, não é brincadeira, quem quiser só aparecer sem ralar não vai durar muito.

7 – O que podemos esperar do novo trabalho “Servus”?

Manu “Joker” Henriques: Sem falsa modéstia e sem medo de soar clichê podem esperar nosso melhor e mais maduro trabalho até aqui. Estamos a dois anos trabalhando pesado nas composições, será o primeiro álbum como sexteto e acredito totalmente que daremos vários passos adiante com o Servus. As gravações já começaram, novamente no Rocklab (Goiânia) e eu estou dividindo a produção com o meu chapa Gustavo Vazquez.  Até o meio do ano o álbum deve estar pronto.

8 – O Uganga tem experiência em turnês internacionais. Farão uma nova para o “Servus”? Já fizeram ou pretendem fazer alguma Sul-americana?

Manu “Joker” Henriques: Com certeza voltaremos a Europa com o Servus já que desde 2013 nossos álbuns são lançados por lá. Estamos construindo nosso caminho no velho mundo passo a passo e continuaremos fazendo isso. Quanto a América Latina com certeza é uma meta e na hora certa vamos concretizar. Temos vários bons contatos em países como Chile, Argentina, Peru e Bolívia e espero que a tour do Servus nos leve a esses e outros lugares. Também estamos com conversas adiantadas para alguns shows no Canadá e se rolar tentaremos algo nos EUA também.  Em paralelo a isso sempre estamos rodando o Brasil com nossas tours e nesses roles já tocamos com artistas de peso entre eles Exodus, Coroner, Ratos De Porão, Sepultura, Tim Ripper Owens, Cathedral , Racionais MC´S  , Camisa de Vênus, Dead Fish, Marcelo D2, Pato Fu e mais uma porrada de artistas legais e de estilos variados.

9 – O Uganga faz um som diferenciado quando falamos de “Rock pesado” no Brasil, já que vocês conseguem atrair uma parcela do público do Metal, até mesmo pela sua estória com o sarcófago, como também uma galera que curte Hardcore e até mesmo Rap. Qual o segredo da banda para fazer essa mistura com tanta identidade própria?

Manu “Joker” Henriques: Eu acho que é deixar a música fluir com verdade sem tentar forçar a barra. Vejo bandas fazendo um esforço tremendo para serem o novo Behemoth, o novo Arch Enemy, o novo Sepultura, o novo Sarcófago e isso é ilusão... Desde o início demos um foda-se pro que as pessoas pensam da nossa música, em especial os detratores, fazemos o que gostamos e buscamos evoluir nisso sempre com humildade e trabalho. Outro motivo são as diversas referências musicais que cada um dos integrantes traz para o som do Uganga. Acredito que com o tempo aprendemos a equacionar melhor essas referências/influências e com isso fomos conquistando nossa identidade.

10 – Deixe seu recado final para os leitores do Arte Condenada.



Manu “Joker” Henriques: Apoiem as bandas da sua rua, da sua cidade, do seu estado e do seu país! O Brasil é respeitado em todo o mundo pela música pesada feita aqui, seja nos anos 80 seja hoje em dia. E público é parte essencial para que isso se mantenha. Agradeço a todos que tiraram um tempo para ler a essa entrevista e em especial a você meu amigo pela oportunidade. Esperamos voltar ao Rio de Janeiro uma hora dessas. Um salve a todos! 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CENA METAL CARIOCA - parte 4

CENA METAL CARIOCA – parte 4 
    
Estamos agora na quarta parte de seis matérias onde estamos divulgando um pouco do que temos na cena do Metal carioca. Pelo que vemos desde a parte 1 é a diversidade de estilos de um só estilo, o Metal, de bandas da cidade.
Óbvio que será impossível fazer com que todas as bandas caibam nessa pequena matéria, o que não diminui em nada a qualidade das bandas que por ventura fiquem de fora. De fato, eu deixei aquelas bandas mais antigas e reconhecidas nacionalmente, como é o caso de uma Dorsal Atlântica ou Taurus, até porque já as entrevistei para o próprio blog.
 Seguem mais algumas bandas que estão atuando no cenário:
           
INDISCIPLINE
A Indiscipline transita pelo Metal, mas tem uma boa dose do Rock alternativo no seu som e me faz lembrar daquela vibe de bandas que surgiram na década de 90 com grupos que faziam um tipo de música que transitavam entre o Rock pesado com elementos do Punk Rock e até mesmo do som mais “garage”.
O som desse power trio vem conquistando bastante fãs e as meninas te mrealizado importantes apresentações pelo país. Seu último trabalho se chama “Sanguínea” e mostra muito bem o potencial desse grupo.

(Foto: Alessandra Tolc)



SCATHA
A banda foi formado no fina lde 2004 e ainda que tenham tido um hiato em suas atividades e por agumas mudanças de formação, o grupo permance ainda na ativa e agora como quarteto. Além das remanescentes Julia Pombo (guitarra), Cintia Ventania (baixo) e Cynthia Tsay (bateria), hoje elas contam com um vocalista que chamam de “O lenhador”. Lançaram um novo disco em abril do ano passado chamado “Take the Risk”. O som do quarteto é um Thrash Metal inspirado em grupos como Testament, Metallica, Exodus, entre outras.

(Foto: Bruno Coe)



SAVANT
Essa banda carioca já tem tempo de Estrada desde os tempos em que se chamava Oráculo. Liderados pelo vocalista e Guitarrista Antônio, o grupo segue firme e forte desde o lançamento odo seu primeiro trabalho, o EP “Portrait of Reality”, que foi produzido pelo Carlos Lopes da Dorsal Atlântica. Muitas mudanças na formação adiaram o andamento da carreira do grupo, mas hoje, com a formação estabilizada, o Savant apresenta seu novo trabalho, o disco “Serial Tales”. O grupo ainda gravou "No Hope", lançado em 2007.





MONSTRACTOR
O Monstractor foi formado em 2012 na cidade de Resende. É um grupo novo, porém, muito promissor. Em 2015 eles lançaram “Recycling Thrash”, um disco muito pesado profissional, gravado pelo Pompeu e Heros, integrantes do Korzus. Mesmo considerando o som deles como Thrash Metal, percebe-se bastante influência do HC mais atual, como fazia o Pantera e o Bioharad.




GORE
O Gore já está na batalha desde a década de 90 produzindo um grindcore violento. Voltaram recentemente, onde lançaram até um clipe pelas redes sociais. Acredito que em 2018 ouviremos falar bem mais deles.




MELYRA
A Melyra continua na ativa e após passar por algumas mudanças de vocalistas, o quinteto se estabilizou com Verônica Vox. Atualmente, a banda trabalha na divulgação do single “Living and Drifting” gravado para o primeiro volume do álbum “A New Lease Of Life” em homenagem ao cantor e compositor Edu Falaschi. Além disso o grupo tem como lançamentos o EP "Catch me if you can", de 2014 e o single “Run and Burn” de 2015, ambos muito bem recebidos pelos fãs e pela mídia especializada. As meninas também preparam seu primeiro álbum a ser lançado no início de 2017.




segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

VODU, o retorno de mais uma lenda do Metal Brasileiro.

Para quem conhece e gosta de Metal Brasileiro, para mim fica impossível não citar o VODU entre as preferidas naquela grande safra de excelentes bandas daqueles saudosos anos 80. Aquele Thrash Metal com uma boa pegada do Metal tradicional fez parte da minha juventude naqueles discos maravilhosos lançados pelo grupo, fora que, eu ainda tive a felicidade de ter assistido um show deles naquela época.
Quando anunciaram seu retorno eu fiquei na expectativa de que muita coisa boa ainda estava por vir e foi nessa entrevista com Sergio Facci, baterista do grupo, que eu pude conferir sobre o que está rolando com a banda. Vamos ao papo!
Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divugação.

1 - O Vodu voltou à ativa e lançou uma música nova. Além disso, podemos esperar um disco novo?
Sergio Facci - Sim !!! Estamos em fase de finalização das últimas músicas e com previsão de entrada em estúdio para o início de março/2018 !! Além de um novo relançamento de dois LPs em CDs para o início deste ano também !! O Seeds Of Destruction e o No Way devem ser lançados em um único CD, claro que acompanhados com algumas músicas extras !! Aguardem, pois, por estes dias, estaremos lançando via redes sociais e mídia digital, algumas músicas em versão DEMO !!

2 – Mesmo quando a banda começou, o Vodu nunca foi uma banda de turnês, mas de shows esporádicos. Com esse retorno, existiria a possibilidade de algo do tipo?
Sergio Facci - Então Luis, na verdade o VODU foi uma das bandas que mais tocou pelo Brasil quando o Final Conflict foi lançado !! SP e interior/MG / RJ / DF/ BA / PR / PI ... e alguns shows na Argentina ... Na época não existia esse lance de van ou ônibus da banda (avião nem vou comentar ..hehehe) nós íamos para a rodoviária mesmo !!! Acho que só conseguimos uma passagem de avião só no retorno de Teresina !!!já a tour do Seeds foi menor ..., mas nem por isso foram poucos shows !! ... segue em anexo um calendário da primeira tour do VODU !!Brincávamos que o Pomba (que arrumava esses shows) ainda nos levaria para a fronteira Irã x Iraque (na época em guerra) para fazer um showzinho por la!!!

3 – Apesar de considerada como uma banda de Thrash metal, o Vodu sempre teve muitas influências do Metal tradicional. Isso procede?
Sergio Facci - Sim !! A primeira fase do VODU (Final Conflict) foi bem caracterizada em bandas como Black Sabbath/ Dio, Iron Maiden, Motorhead, King Diamond ... Depois com a mudança da formação para o Seeds .. A banda teve uma pegada mais thrash com influencias de Slayer, Anthrax ...

4 – O Vodu retornou com o primeiro vocalista, André Góis, mas o grupo teve outro vocalista Claudio Vicky, que não se me falha a memória chegou a ter uma loja chamada Empire. Por onde ele anda?
Sergio Facci - Sim, o Claudio teve esta loja!!! Ele entrou em contato quando soube dos relançamentos dos LPs em CD, parece que ele está tocando em uma banda com o filho !!

5 – Victor Birner também é outro ex-integrante bem conhecido e hoje atua no Jornalismo esportivo. Além disso, ainda tem o próprio André Góis que é radialista e o André Cagni que também atua como DJ e na área política. É possível conciliar outra área além de tocarem com o Vodu ou realmente não existe nenhuma ambição maior com o Vodu como por exemplo, turnês no exterior?
 Sergio Facci - Grande Tumba!! Hoje grande comentarista de futebol !! Eu particularmente consigo conciliar minhas duas áreas (advocacia e música) e tenho sim !! Ambição de engatarmos uma tour com este novo material !!!

Vodu no Revival Metal fest.
6 – Falando de área política, em algum momento o Vodu sofreu algum tipo de preconceito já que Andre Cagni, baixista do grupo, milita em defesa da causa dos homossexuais, ou as pessoas realmente respeitam?
Andre Pomba .... Não. Embora no rock e no meio metal ainda existe muito machismo, também existem muitos exemplos de artistas gays, lésbicas e até transexuais. Até porque o que importa no final das contas é o som e não a vida pessoal dos integrantes.

7 – A banda foi fundada em 1984 e na discografia tem os trabalhos: “The Final Conflict”, lançado em 1986; “Seeds Of Destruction”, lançado em 1988 e “Endless Trip”, lançado em 1991) e também um EP, "No Way", lançado em 1989. Fale-nos um pouco sobre cada um deles e o que ele representa na carreira do Vodu e qual entre eles é o preferido.
Sergio Facci … O Final Conflict foi o primeiro trabalho da banda, com a formação original, e é bem notada a influência de Black Sabbath / Iron Maiden / Motorhead nas canções … Já o Seeds, com uma formação mais “thrash” tem uma pegada mais Slayer, Anthrax … O EP “No Way” foi um registro que fizemos ao vivo, na tour do Seeds, inclusive uma gravação foi captada no lendário CAVERNA II (ao lado do canecão) aee do Rio de Janeiro !! E por fim, o “Endless Trip” foi o último registro da banda em vinil e foi uma tentativa de mesclar o metal com alguns sons alternativos - eletrônicos que na época estavam surgindo. A preferência ?? Hummm … O Final Conflict e o Seeds estão em uma briga boa … (é fiquei em cima do muro hehehe !!)

8 – Sergio Facci é um baterista com uma longa carreira e reconhecido por ter feito parte de grandes discos da história do Metal nacional. Além do Vodu, ele tocou com o Viper e com a Volkana. Sergio, você é o único integrante que vive exclusivamente da música?
Sergio Facci ... Ahhh .. Obrigado pela lembrança!!! Gostaria de viver exclusivamente ... mas faço alguns trabalhos com advocacia ainda !! Mas atualmente trabalho mais com música (meus projetos com a Volkana/V Project/Fenícios/3 In The Box/Jonnie Cake) do que com direito !! Sem a divulgação e apoio necessário fica difícil viver exclusivamente de música … mas um dia chegamos lá!!

9 – Eu assisti show da banda no saudoso Caverna 2, saudosa casa de show situada em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. Olhando para aquela época, o que melhorou ou piorou daquele tempo para cena atual?
Sergio Facci … Ahhh era uma outra época não??  Tenho ótimas lembranças daquele tempo … mas era uma época difícil, pois não exista apoio para nada, tudo TOTALMENTE UNDERGROUND, tínhamos que ir de ônibus de linha (saindo da rodoviária), muitas vezes nos submetendo a equipamentos totalmente sem condições… chegar no local o show, e nem banho dar para tomar …, sem falar nos calotes…. Enfim, dificuldades que me deram experiência (de vida e musical!!) . Agora o cenário apesar de ainda ser underground, tem mais profissionalismo, os equipamentos já são melhores, isso não significa que você chega em um local e os equipamentos são top ou aqueles que você pediu !! O que sinto também, é que o pessoal da antiga curte mais do que a galera que está começando agora … pois o pessoal mais antigo vem curtir mesmo nos shows … ja o pessoal que está começando agora é uma geração mais de internet, redes sociais, e não comparecem aos shows das bandas nacionais e principalmente as autorais !! Mas entendo que é uma questão de cultura nacional, pois aqui o cover é mais bem aceito do que as bandas autorais, por outro lado, nos EUA, as bandas quando estão se apresentando, raramente tocam mais que um ou dois covers no se repertório… e os shows sempre estão lotados !!

10 – Deixem suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada. 

Sergio Facci … Muito bom poder participar e divulgar o trabalho do VODU com vocês!! Agradeço o apoio que você nos dá, e gostaria de mandar um abraço aos leitores do Arte Condenada e dizer para nos seguir nas redes sociais da banda e nas nossas redes particulares e que aguardem o novo CD do VODU !! Estaremos relançando os LPs antigos também !!!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

SIEGE OF HATE, 20 anos de muito barulho !!!

Conheço muito bem o trabalho do Siege of Hate, aliás, tão bem que no tempo em que eu era baterista da Statik Majik e faria uma turnê pela Europa em 2013, foram eles que estiveram nessa gig comigo tocando pelos melhores e mais toscos palcos na estrada passando por muita diversão e adversidades, e onde eu pude ver um Grindcore poderosíssimo desse grupo oriundo de Fortaleza/Ceará, executado por músicos de primeira linha. 
Bati um papo com eles para falar do momento atual da carreira e da celebração de 20 anos de atividade, e claro, do lançamento do lançamento do livro onde eles contaram um pouco da vida do grupo pela estrada. Vamos ao papo !
Entrevista por Luis Carlos


1 – Recentemente saiu o livro “Rota de Colisão”. Fale-nos um pouco dele.
Bruno Gabai - O livro surgiu de uma ideia do George Frizzo (baixista) de registrar a nossa primeira turnê na Europa (de 2009). Então, ele e o nosso amigo Lucas Gurgel, guitarra e vocal da Clamus, que estava de roadie nessa turnê, foram fazendo anotações que se complementavam. Só que, ao voltar da turnê, mesmo com contribuições de todos, não conseguimos evoluir no texto na velocidade desejada. Acabou que quatro anos depois já estávamos em turnê por lá de novo, com novas histórias para contar. Depois em 2015, pelo Brasil, e finalmente em 2016 pela América do Sul e abrindo para uma banda como o Extreme Noise Terror (junto com o Nervochaos e Desecration). Foram 4 turnês com experiências bem distintas, o que deu o tom que faltava no livro para contarmos sobre como é a vida em turnê de uma banda underground em cenários bem diferentes.

2 – O primeiro trabalho do Siege of Hate foi uma demo lançada em 1998 chamada “Return to Ashes”. Hoje o que significa o seu lançamento e qual a diferença da banda nessa época para os tempos atuais?
BG - O Siege of Hate (S.O.H.) surgiu como uma brincadeira, um "projeto Grind" paralelo de músicos de bandas de Metal (eu tocava no Insanity e o Amaudson Ximenes na Obskure) em uma época que o Grindcore andava esquecido. Só que esse projeto ficou tão legal, que resolvemos gravar uma demo e que, por sua vez, ficou muito bem gravada, teve uma excelente resposta do público Metal e HC e até influenciou muita gente boa que está na cena até hoje. Era uma homenagem nossa às nossas influências mais extremas, "old school", e por isso tem aquela pegada Metal em músicas Grind, sem compromisso, bem diretas. Com o fim do Insanity em 2003 e mudanças de formação (inclusive com a entrada do George, também do Insanity, no baixo), o Siege of Hate se tornou nossa banda principal, que passamos a levar mais a sério e de forma cada vez mais profissional, mas sempre mantendo as mesmas influências do início. Com a banda completando 20 anos, achamos uma boa ideia lançar essa versão comemorativa em CD Digipack da demo remasterizada, com muitas bônus e um encarte com vários registros da época. É uma forma de resgatar um pouco as origens e levar mais pessoas a conhecer as "raízes" da banda.


S.O.H. em Numberg/Alemanha. (foto: Luciana Pires)
3 -  “Subversive by Nature”, “Deathmocracy” e “Animalism” sãos os trabalhos lançados pelo grupo. Gostaria que falassem sobre cada um deles, sobre o que cada um representa na carreira do grupo.
BG - O "Subversive..." foi um grande desafio, pois estávamos num momento de tocar a banda em frente e lançar o 1o CD, mas na época de ensaiarmos para gravar o disco (lá por 2001), ficamos sem baterista. Para não atrasar mais, já que as músicas já estavam compostas, assumi as baquetas e ensaiamos eu, o George e o Ricarte Neto (2a guitarra e backing vocals) para gravar o instrumental. Gravei também minhas guitarras e o vocal. O batera que aparece na foto do disco (Thiago Feijó) entrou durante as mixagens e ainda fez vários shows conosco, mas saiu logo que o CD foi lançado, de modo que o show de lançamento, em dezembro de 2003, já foi com o Saulo Oliveira. "Deathmocracy" só veio 06 anos depois do 1º (em 2009), pois teve o split CD "Out of Progress" nesse meio tempo (em 2006). Esse split foi meio que uma sequência do "Subversive" (tendo inclusive músicas das sessões de gravação dele). Já no "Deathmocracy" considero que há uma evolução significativa, tanto em termos de composições, como de produção sonora e de capa. Em "Animalism" (2013), já havíamos acumulado mais experiência de shows, turnês, assim como de estúdio e acho que o CD é reflexo disso, o que considero nosso melhor trabalho, mais pesado, raivoso e maduro. Mas sempre mantendo o mesmo espírito e as influências do começo, assim como a temática das letras, envolvendo desde reflexões pessoais, até críticas à política, religião, intolerância, falsidade, guerras e outras mazelas da humanidade.  

4 – Como aborda o próprio livro e do qual eu mesmo vi de perto o trabalho de vocês, já que na época estava em turnê conjunta quando tocava na Statik Majik, ainda existe uma certa “”Glamourização” por parte de algumas bandas Brasileiras de que se tocar lá fora vai fazer algum sucesso no Brasil. Você acredita que é um tipo de experiência que vale a pena ou pode ser uma “furada”?
BG - Tocar no exterior não tem glamour nenhum, mas considero importante e válido para a carreira de uma banda. E conta não só para o currículo ou pra divulgação, mas principalmente pela experiência que se vive. Agora, na minha opinião, só vale a pena apostar em uma turnê no exterior se for em uma das seguintes situações: ou você se prepara pra gastar uma grana (passagens aéreas, aluguel de backline, transporte e uma reserva de sobrevivência), organiza e planeja bem tudo sozinho, tipo "do it yourserlf", faz contatos, agenda shows etc. e se prepara pra curtir a viagem e tocar em qualquer lugar, pra qualquer público, dormir onde der, vender material e ganhar alguns cachês pra tentar cobrir os custos; ou paga uma agência de "booking" pra fazer tudo isso pra você, mas desde que sua banda vá abrir pra uma banda maior, mais conhecida, que vai trazer público e boas condições de shows e aí valha o investimento para trazer retorno de divulgação para a banda. Mesmo nessas duas situações, ainda pode ser uma furada, pois sempre pode haver algum produtor picareta ou pode ser que a resposta do público não seja a esperada. Assim, em qualquer cenário, recomendo duas coisas: planejamento e baixa expectativa.

Livro lançado pela Banda que a história das turnês.
5 – Aliás, o Siege of Hate é um trio, mas por que na turnê Europeia de 2013 vocês tocaram com mais um guitarrista? (Lucas Gurgel).
BG - O Siege of Hate sempre foi um quarteto, até final de 2008, quando o Ricarte Neto foi morar no Canadá. Por isso, em 2009, fizemos a 1ª turnê na Europa como trio e o Lucas foi apenas como roadie. Quando voltamos para o Brasil, o George ficou na Alemanha ainda por mais de um ano. Nesse período, recrutamos o Fábio Morcego para o baixo e backing vocais e ficamos ainda como trio. Quando o George voltou, voltamos a ser um quarteto, com o Morcego passando pra 2a guitarra e essa formação ficou até pouco antes do lançamento do "Animalism", quando ele pediu para sair. Assim, quando fomos divulgar este álbum na Europa, convidamos novamente o Lucas para a viagem, sendo que ele colocou uma condição: "Só vou se eu tocar também". Daí, deu perfeito, pois completou a formação. Assim, somente oficializamos como trio em 2014, após concluídos os shows com o Lucas também aqui no Brasil.

6 – Falando em formação, recentemente o baterista Saulo saiu do grupo em uma polêmica que rendeu bastante críticas nas redes sociais da banda. O que podemos esperar para 2018? Nova formação e a continuação do excelente trabalho que o Siege of Hate vem fazendo?
BG - A polêmica que culminou com a saída do Saulo foi decorrente deste momento político atual, onde os extremismos de direita e de esquerda estão dividindo o país em dois e jogando as pessoas umas contra as outras (e enfraquecendo a população). A intolerância e o ódio estão descontrolados e as redes sociais são uma arma perigosa nesse sentido. As pessoas publicam, para o mundo todo (embora não se toquem disso) pensamentos, ideias, opiniões, como se estivessem numa mesa de bar ou dentro de seus quartos. Só que de forma escrita, fria e sem contexto. E como consequência, cada um lê, interpreta e julga do jeito que entende, com base nas experiências que têm ou que estão passando e julgam e condenam em um piscar de olhos pessoas que nem conhecem, sequer verificando a fonte ou a credibilidade da informação. Todos querem saber da vida dos outros e dizer o que e como os outros devem ser, mas não se enxergam. E no dia seguinte, estão vivendo suas vidas normalmente e não estão nem aí para o dano que podem ter causado a terceiros. Eu, por exemplo, que sou filho de judeu, que já produzi vários festivais beneficentes, entre outras coisas que fiz em quase 30 anos de underground, tive de engolir ser chamado de "bando de fascistas" por gente que nem me conhece ou o trabalho da minha banda. Essa experiência me fez repensar muita coisa sobre a banda, sobre o que desejamos tocar e que público queremos alcançar. 2018 será um ano de replanejamento, trabalhar em novas composições que já estávamos iniciando. Com essa mudança, decidi também deixar o núcleo da banda somente comigo e o George, inclusive para novas gravações (já que também sou baterista). Quando voltarmos a fazer shows, chamaremos algum baterista como convidado.

7 – Alguma previsão de um trabalho novo ou uma turnê pelo Brasil e/ou exterior novamente?
BG - Temos um álbum pronto para sair em 2018 (ainda com selos a definir), que será um EP ("Era do Ódio") + Ao Vivo. As músicas de estúdio foram gravadas ainda em 2015, no estúdio Family Mob (SP), com produção do grande Jean Dolabella (Ego Kill Talent e ex-Sepultura) e será nosso primeiro lançamento com letras em português. A parte ao vivo foi gravada no Catharsis Metal Festival, em Torelló (Espanha), na nossa turnê de 2013 (com o Statik Majik), na condição atual da banda, fica meio inviável fazer turnês, mas deveremos fazer alguns shows para divulgar o novo trabalho.

S.O.H em Emmen/Holanda. (foto: Luciana Pires)
8 – Deixe suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada.
BG - Muito obrigado a você, Carlinhos, pelo espaço cedido no Arte Condenada, assim como pela força e parceria desde a época do Statik Majik. Também agradeço a todos que vem sempre apoiando e acreditando no Siege of Hate nesses 20 anos. VOCÊS são quem importa. Quem quiser conhecer mais sobre a banda, acesse nossa fanpage no Facebook (www.facebook.com/siegeofhate), canal no YouTube (www.youtube.com/siegeofhate) ou confira nossas músicas no Bandcamp, Soundcloud, Spotify ou Deezer. Vocês podem também conferir as letras da banda em siegeofhatelyrics.wordpress.com e ficamos à disposição para trocar ideias ou informações sobre nossos materiais (livro, CDs etc.) pela fanpage, por nossos perfis no Facebook ou pelo e-mail siegeofhate@yahoo.com.br. O Siege of Hate continuará fazendo barulho e incomodando muita gente por aí. Um barulhento 2018 a todos! \m/



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