segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

UGANGA, a força musical do triângulo mineiro.

Manu Henriques é um amigo pessoal, mas é também um cara que eu também sou fã por tudo que ele fez e faz pelo Rock e Metal Brasileiro. Baterista de duas lendárias e expressivas bandas como Sarcofago e Angel Butcher, Manu canta no Uganga, uma das mais expressivas e batalhadoras bandas do Brasil. Além disso ,ainda faz parte do Programa Underdose e do fanzie Páginas vazias.
Nesta entrevista, pude colocar o papo em dia e saber das novidades que ele está preparando em seus projetos musicais, então, vamos nessa.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação


1 - Bem, antes de falarmos do seu trabalho com o Uganga, vamos falar do seu passado e do que você faz fora do Uganga. Você tocou no Angel Butcher, banda mineira bem antiga, mas, a impressão que tenho é que durante esse tempo o grupo parece mais um projeto do que uma banda. Fale-nos um pouco sobre o Angel Butcher.

Manu “Joker” Henriques: Salve meu chapa, bom falar com você! Eu comecei o Angel Butcher com alguns amigos de infância no ano de 1986 aqui em Araguari, e até 1990 era uma banda mesmo e não um projeto. Creio que fomos os primeiros a fazer crossover de metal e hardcore/punk em Minas Gerais, e com certeza uma das primeiras do Brasil. Lançamos algumas demos, tocamos aqui e ali com bandas legais como Genocídio, Megathrash, Anger entre várias outras do underground daquela época. Em 1991 a banda entrou numa hibernação que durou até 2006, quando retomamos com outra formação. De lá para cá lançamos na Europa um EP (“ 25 Years Bleeding Ears”) que vem com todas das demos antigas remasterizadas a partir do K7 e mais 5 sons inéditos. Nesse período fizemos mais alguns shows legais com Lobotomia, Calibre 12, Paura etc. Hoje em dia a banda é um projeto que novamente está hibernando.

2 - Além disso, você foi integrante do Sarcofago, inclusive, gravou o disco “Rotting”. Quais as lembranças que você tem de quando tocou na banda e por que saiu do grupo?

Manu “Joker” Henriques: Só tenho boas lembranças. Foi um tremendo aprendizado tocar com os caras, ter contato com estúdios e produtores de verdade tão cedo e deixar minha marca num álbum clássico como aquele. Quando o Wagner se mudou para o Triângulo Mineiro, logo após o I.N.R.I., ele se aproximou da nossa galera e em pouco tempo estávamos tocando juntos. Lembro de bons momentos em BH ao lado do pessoal do Overdose, Sextrash , Witchhammer e Holocausto,  e de muita bebedeira ( risos). Desde o início eu deixei claro que não entraria em definitivo para o Sarcófago por isso somente gravei o álbum e fiz os 3 shows ao lado do D.R.I. em São Paulo em 1990.  Tive a chance de me tornar membro fixo mas optei por outra estrada e não me arrependo. O Sarcófago faz parte da minha história e tenho muito orgulho disso.

Uganga detonando ao vivo.
3 - Além disso, você chegou a tocar com alguns outros ex-integrantes fazendo um ”Tribute to Sarcofago”, que aliás, eu tive o prazer de assistir ao vivo. Como é que pintou a ideia desse tributo? Parece que aconteceram alguns problemas para que isso se concretizasse.

Manu “Joker” Henriques: Em 2007 fui contatado pela Cogumelo para fazer um show em BH com alguns ex-integrantes num projeto chamado Tributo Ao Sarcófago, o qual prontamente aceitei. Em momento algum foi falado algo como uma volta da banda, e se fosse essa a ideia eu não toparia, pois, Sarcófago sem Wagner é igual a Motörhead sem Lemmy. Foi um evento muito foda onde ainda tocaram Witchhammer, Holocausto, Sextrash , Chakal e Calvary Death , e que diz a lenda um dia sairá em DVD. O resultado foi bem legal, a galera curtiu bastante e foi decidido de comum acordo entre as partes estender essa festa em mais algumas datas. Assim fizemos e fomos ao Chile tocar ao lado do grande Possessed. O lance é que o promotor que vendeu o show colocou no cartaz que se tratava de um retorno da banda e isso nos deixou bem putos. Por sorte esse otário não estava lá já que mora no México, senão o tempo teria fechado. Ele enganou inclusive os promotores do Chile quando vendeu a banda. Mesmo assim a resposta do público foi excelente!  Fora essa gig, nas outras ficou bem claro nas mídias promocionais, assim como em várias entrevistas que demos, que era um tributo com data para terminar, e nada além disso. Foi legal tocar bateria de novo. Sei que alguma merda foi dita sobre essa tour, mas não me importo com falatório alheio. Fui lá, fiz meu trabalho sem iludir ninguém e só. Na verdade, acho que fizemos shows bem legais e dignos do nome da banda.


4 - Além dessas bandas, você faz parte do Underdose. Lembro dos fanzines e dos vídeos no youtube. Como está o zine atualmente?

Manu “Joker” Henriques: São duas coisas diferentes o zine e o programa. O zine se chamava Páginas Vazias” e foi um projeto que meu irmão Marco, batera do Uganga, começou com outro amigo e durou 7 anos. Colaborei em várias edições com uma coluna fixa (“ O Som Do Bico Da Galinha”) onde falava da minha vivência na cena desde moleque e fiz também algumas resenhas e entrevistas. O zine infelizmente parou devido a várias outras correrias que temos, mas foi um período muito legal. Já o Underdose é um projeto que criei ao lado do meu amigo Guilherme Diamantino 3 anos atrás. Já são 43 episódios que podem ser conferidos nesse link:  https://www.youtube.com/channel/UCPASrZYY53JmZ6lm7feA6mA/videos . Atualmente , devido a mudança do Guilherme para São Paulo,  eu estou a frente sozinho do programa tendo o suporte do Ras , baixista do Uganga, na edição. Estamos começando uma nova série sobre o metal mineiro com 3 programas especiais, o primeiro episódio foi com o Mutilator e o próximo será com o Holocausto. É algo que faço por prazer, sem retorno financeiro , e pretendo dar continuidade.

5 – Eu que já tive o prazer de tocar no triângulo Mineiro, terra de tantas bandas boas, fora que, considero Minas Gerais como o “berço do Metal extremo Brasileiro” faço uma pergunta. Como está a cena local hoje e quais as perspectivas futuras quanto as novas bandas?

Manu “Joker” Henriques: A cena por aqui sempre gerou boas bandas e atualmente não é diferente. Temos uma galera trabalhando sério e posso citar Seu Juvenal, Chafun Di Formio, Scourge, Black Pantera, Tríade, Lava Divers, Canábicos, Toxic Assault , Revolta Blues entre várias outras que estão na batalha. Temos alguns espaços para tocar como o Vitrola em Araguari e o Favela Chic em Uberaba, marcas de roupa que apoiam as bandas como Incêndio e Mortuus,  dois grandes festivais ( Timbre e Triangulice) , porém o momento atual carece de mais público nos eventos, em especial nos eventos menores. Acho que isso é algo que vem rolando no mundo todo, as pessoas estão mais interessadas em ficar em casa vendo vídeos antigos e falando merda do que em apoiar a cena. Que se foda, rock não é para escoteiros e em tempos como esses os fortes devem arregaçar as mangas e virar o jogo. Os fracos ficam de mimimi no Facebook e gozando com o pau dos outros (risos).

Manu Henriques, vocalista do Uganga.
6 – O Uganga é uma banda que sempre possui bons apoio para a realização dos seus trabalhos. No Rio de janeiro, por exemplo, bandas que fazem um som mais pesado não conseguem esse tipo de apoio. A que se deve esse diferencial na carreira de vocês?

Manu “Joker” Henriques: Creio que se deva a acreditarmos no que fazemos e não ficar esperando as oportunidades caírem do céu. Não entro no mérito das outras bandas, como as do Rio, pois não sei do corre dos outros. Gosto de várias bandas daí , desde as antigas até mais recentes inclusive. No nosso caso trabalhamos pesado com planejamento junto ao nosso manager Eliton Tomasi e usamos todas as ferramentas que temos a nossa disposição, inclusive leis de incentivo municipais, estaduais e internacionais como foi a recente parceria com a Wacken Foundation (Alemanha) que bancou parte dos custos do nosso próximo álbum por acreditar no Uganga. Também procuramos tocar somente quando o evento realmente vale a pena, mesmo que possamos nos enganar com essa leitura vez ou outra (risos). Porém acho que o principal motivo é que somos 6 caras que amam de verdade o que fazem, já toquei com idiotas que me falaram algo tipo “ se a banda não virar em 2 anos vou prestar concurso” (risos). Como se uma coisa impedisse a outra! Essa trilha, esse caminho na música autoral, não é brincadeira, quem quiser só aparecer sem ralar não vai durar muito.

7 – O que podemos esperar do novo trabalho “Servus”?

Manu “Joker” Henriques: Sem falsa modéstia e sem medo de soar clichê podem esperar nosso melhor e mais maduro trabalho até aqui. Estamos a dois anos trabalhando pesado nas composições, será o primeiro álbum como sexteto e acredito totalmente que daremos vários passos adiante com o Servus. As gravações já começaram, novamente no Rocklab (Goiânia) e eu estou dividindo a produção com o meu chapa Gustavo Vazquez.  Até o meio do ano o álbum deve estar pronto.

8 – O Uganga tem experiência em turnês internacionais. Farão uma nova para o “Servus”? Já fizeram ou pretendem fazer alguma Sul-americana?

Manu “Joker” Henriques: Com certeza voltaremos a Europa com o Servus já que desde 2013 nossos álbuns são lançados por lá. Estamos construindo nosso caminho no velho mundo passo a passo e continuaremos fazendo isso. Quanto a América Latina com certeza é uma meta e na hora certa vamos concretizar. Temos vários bons contatos em países como Chile, Argentina, Peru e Bolívia e espero que a tour do Servus nos leve a esses e outros lugares. Também estamos com conversas adiantadas para alguns shows no Canadá e se rolar tentaremos algo nos EUA também.  Em paralelo a isso sempre estamos rodando o Brasil com nossas tours e nesses roles já tocamos com artistas de peso entre eles Exodus, Coroner, Ratos De Porão, Sepultura, Tim Ripper Owens, Cathedral , Racionais MC´S  , Camisa de Vênus, Dead Fish, Marcelo D2, Pato Fu e mais uma porrada de artistas legais e de estilos variados.

9 – O Uganga faz um som diferenciado quando falamos de “Rock pesado” no Brasil, já que vocês conseguem atrair uma parcela do público do Metal, até mesmo pela sua estória com o sarcófago, como também uma galera que curte Hardcore e até mesmo Rap. Qual o segredo da banda para fazer essa mistura com tanta identidade própria?

Manu “Joker” Henriques: Eu acho que é deixar a música fluir com verdade sem tentar forçar a barra. Vejo bandas fazendo um esforço tremendo para serem o novo Behemoth, o novo Arch Enemy, o novo Sepultura, o novo Sarcófago e isso é ilusão... Desde o início demos um foda-se pro que as pessoas pensam da nossa música, em especial os detratores, fazemos o que gostamos e buscamos evoluir nisso sempre com humildade e trabalho. Outro motivo são as diversas referências musicais que cada um dos integrantes traz para o som do Uganga. Acredito que com o tempo aprendemos a equacionar melhor essas referências/influências e com isso fomos conquistando nossa identidade.

10 – Deixe seu recado final para os leitores do Arte Condenada.



Manu “Joker” Henriques: Apoiem as bandas da sua rua, da sua cidade, do seu estado e do seu país! O Brasil é respeitado em todo o mundo pela música pesada feita aqui, seja nos anos 80 seja hoje em dia. E público é parte essencial para que isso se mantenha. Agradeço a todos que tiraram um tempo para ler a essa entrevista e em especial a você meu amigo pela oportunidade. Esperamos voltar ao Rio de Janeiro uma hora dessas. Um salve a todos! 

6 comentários:

  1. Tu tem energia de sobra pra valorizar o trabalho da galera. Parabéns, garoto! Tu é fantástico!

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    1. Obrigado Renato, e ainda mais pelo garoto de 45 anos. rsrsrsrs Abração !

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  2. Sempra na parceria irmão! Muito obrigado pelo espaço!

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    1. O mérito é seu e dessa fantástica banda que é o Uganga. Uma honra !!!

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  3. Parabéns pela entrevista meu camarada, essa banda é muito boa.

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    1. É sim, inclusive, já tive o prazer de dividir o palco. Banda boa demais !

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Uganga, música sem fronteiras e de muita qualidade.

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