sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Angelo Valle, guitarrista carioca, se lança em carreira solo

Angelo Valle, guitarrista carioca, se lança em carreira solo

por Luis Carlos
Foto: divulgação





Após anos tocando em algumas bandas de Metal na década de 90 e ainda fazendo participações em alguns grupos de Rock Pop, como por exemplo, o Dr.Silvana, Ângelo Valle finalmente resolveu mostrar seu lado "guitar hero" ao lançar o single "Lastless", que está sendo lançado por sua própria gravadora, a Sinfônica Records. Lembrando que ele também é guitarrista da banda de Thrash Metal Sanskrit.
Ouvi a música antes do lançamento do trabalho ao público através do whatsapp e Angelo me pareceu empolgado com o trabalho já que estava na correria da estrada naquele momento. Aliás, lembrando que esse lançamento está marcado para hoje em uma página através de suas redes sociais no horário de 21 h.
(divulgação no final da matéria)

"Lastless" é suave e emotiva, o tipo de instrumental que eu aprecio, sem aqueles maneirismos de quem se preocupa só em mostrar que toca bem. Não é esse o caso de Ângelo. Claro que ele toca bem, mas a música te envolve e mostra um tipo de som que faz com que o ouvinte aprecie a música, não o instrumentista. Baita feeling, que transita pelo Rock e belas nuances de progressivo até. Todos os instrumentos aparecem de forma democrática. "É uma das das 10 músicas de um disco instrumental que vai sair no que vem."
Falando de instrumentos, cabe ressaltar que o time que Ângelo reúne para esse live que acontecerá hoje é de primeira linha: Eduardo Lira, Eduardo Casemiro, Elias Oliveira e o também excelente guitarrista Celso Rossato, guitarrista do Hicsos, mostrando que Angelo não veio para brincadeira ao mostrar um trabalho promissor e que espero que renda bons frutos no futuro. Segundo Angelo: "Eles estarão tocando músicas deles. E eu também estou reunindo artistas para uma futura coletânea."

Link do evento:

https://www.facebook.com/events/1101147163367727/

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Rafael Terpins, o legado musical do Joelho de Porco no cinema



Rafael Terpins, o legado musical do Joelho de Porco no cinema.

Sim, Rafael é sobrinho de Tico Terpins, músico que fez parte do Joelho de Porco. Mas do que isso, Rafael teve a brilhante ideia de lançar um filme não só para celebrar a carreira do seu tio, mas a de uma banda que foi extremamente importante para o Rock Brasileiro, afinal, foi a primeira a usar o humor e o escracho na música.
Aproveitando que o filme "Meu Tio e o Joelho de Porco" está nos cinemas e antes mesmo de lançado já anda fazendo muito sucesso pelas mídias, bati um papo com Rafael Terpins sobre o filme, sobre a banda e também sobre sua carreira.

Por Luis Carlos
Fotos: divulgação / arquivo pessoal


1 - Rafael, para você qual é a real importância do Joelho de Porco para o Rock Brasileiro e o que eles representam?
 Lembro de uma aula de inglês onde o professor perguntou se alguém conhecia a banda chama “Pig Knee”. Ele estava lecionando sobre partes do corpo e achou que seria uma boa referência para aquelas geração na sala de aula. Eu era o único que conhecia a banda. Alguns amigos até lembram da participação deles no Festival dos Festivais da Globo. Para a maioria dos críticos, a mesma coisa: o rock parou quando Rita Lee saiu dos Mutantes e só voltou na década de 80. Apesar do breve estrelato do Joelho ele se tornou uma espécie de Elo Perdido do rock nacional. Mas para mim, desde muito pequeno, o Boeing 723897 era um clássico do rock brasileiro. Não só pra mim, mas para gente como o André Abujamra, o Língua de Trapo, o Barão Vermelho, os Inocentes, Ultraje A Rigor e etc. O joelho de Porco foi a banda pioneira do rock humor no país.

2 – Quando é que pintou a ideia do filme e o que te motivou a isso?
 Era começo da década de noventa, a perspectiva de fazer cinema no Brasil era muito escassa. Acabei optando por fazer faculdade de Comunicação com ênfase em propaganda e marketing, deixando aquele ideal do cinema de lado. Foi nessa época que meu tio Tico disse “Rafa, músicos fazem discos, cineasta fazem filmes”.
 Um documentário sore o Tico é um desejo antigo. Ao ver o filme, muitos dos meus amigos ficaram felizes em ver as histórias que eu já contava sobre meu tio tomarem forma na projeção. Fiz um grande esforço para explicitar este meu envolvimento no próprio filme, me colocando em cena e interagindo com o pedaço do Tico que ficou grudado em mim depois que ele faleceu. Mas, mais que uma homenagem, quis utilizar o creme da obra dele para contar sua própria história, extirpar o cerne das letras maravilhosamente sarcásticas e organizá-las de uma jeito que desenhassem a trajetória da banda. Essa vontade começou a ganhar forma de urgência principalmente depois da morte do Zé Rodrix, como o foco do filme era toda uma geração, que hoje tem por volta de 60 anos de idade e que abusou bastante da saúde, era necessário gravar antes que fosse tarde demais.


3 - O nome do filme é “Meu tio e Joelho de Porco”.  Em algum momento você se preocupou em reclamarem do título por associar o teu nome a história da banda?
 Quando voce empunha uma câmera e documenta alg, você está colocando seu olhar sobre o assunto. Não sou jornalista, sou um artista assim como meu Tio foi. É um filme pessoal e de autoria intransferível. Aqui devo me ater a máxima Joelhistica: Não gostou? O filme é meu e o problema é seu.
 

4 – Falando no filme, o que você espera alcançar com ele? Existem novos planos para depois dele?
 O filme fez uma carreira memorável em festivais de cinema, foi finalista da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com apenas outro brasileiro na disputa de 14 selecionados de 140 filmes. Foi para o maior festival de cinema da América Latina, o BAFICI em Buenos Aires e ainda participou do Cine PE e do In-Edit. Depois do cinema ele será exibido no Canal Brasil, que foi coprodutor da empreitada. Ainda este ano lanço a segunda temporada de Sonhos de Abu também no Canal Brasil. Projetos futuros, tenho vários, é a única maneira de sobreviver neste mercado.


5 – Falando de sua carreira agora. Conte-nos um pouco sobre ela.
 Depois de criar uma das empresas pioneiras de produção de sites no Brasil, acabei abrindo uma produtora de animação. Através desta produtora, fiz créditos de abertura para novos clássicos do cinema nacional como As Melhores Coisas do Mundo, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias e Tropa de Elite 2. Após 4 anos de trabalho, lançamos minha estréia como diretor:  “Batalha, A Guerra do Vinil” em 2007, que se transformou tanto em curta-metragem como em uma minissérie no Cartoon Network. Uma pequena ópera hip hop em animação stopmotion. Após um hiato de 6 anos, dirigi um filme com o Thiago Brandimarte Mendonça: A Guerra dos Gibis de 2013. O documentário com animação teve um impacto grande, ganhamos o grande prêmio no Festival de Brasília, Grande Prêmio do Cinema Brasileiro da Academia Brasileira de Cinema e um prêmio de direção de arte no Cine PE em 2013. Dirigi também 2 filmes para o Memória do Esporte Olímpico: O Salto de Adhemar, também com o Thiago, e 3P, onde novamente juntei cinema e música com um documentário todo narrado em RAP sobre a seleção brasileira de basquete. Entre meus projetos para série de TV com o músico e parceiro André Abujamra, onde tive a honra de ser o último diretor de ficção a trabalhar com o Antonio, pai dele.


6 – Nos anos 80 nós tivemos algumas bandas que se utilizaram demais do humor em suas músicas como o Ultraje a Rigor, a Blitz e anos depois o Mamonas Assassinas. Parece que mesmo aquela geração, principalmente a que conheceu o Mamonas, não tomou conhecimento do Joelho de Porco e do quanto eles foram relevantes e importantes para esses grupos. O que você tem a dizer sobre isso?
Fiz um filme sobre isso! Somos um país sem heróis reais e não cultivamos nossa história. Isso abre espaço pra muito ignorância coletiva. Esse foi um dos motivadores para contar a história do Joelho.


Tico Terpins nos tempos de Joelho de Porco.
7 – Sabia que existe uma banda aqui no Rio, inclusive que se utiliza de bastante humor em sua música, chamada cara de Porco? Você acha que atualmente o Joelho de Porco é influência para muitas bandas que estão hoje em atividade?
Não conheço a Cara de Porco, mas me impressiona com o alcance do Joelho. Há dados de que hoje se ouve mais música velha que nova. O Spotify insiste em nos entregar os lançamentos, mas há toda uma geração que se diverte escavando pérolas de outras décadas. Conheci muita gente nova que é fã recente do Joelho, um quadrinista do interior que achou um CD numa baia de hipermercado quando era jovem, uma cidade no interior de minas em que o “saqueando a Cidade” era obrigatório nos bailinhos. Acredito que o documentário vai ajudar a consolidar esta segunda vida do Joelho de Porco.

8 - Deixe suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada.
Como diz o Tico no fim do filme: TGNBAS (Tudo de Grosso na Bunda e Até Segunda)

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Lobão, sem papas na língua e com muito a dizer.

Lobão, sem papas na língua e com muito a dizer.


Gostando ou não dele, ninguém pode negar que Lobão sempre foi autêntico e nunca teve medo de falar aquilo que sente,.
Sendo assim, não é à toa que foi praticamente o primeiro artista do mainstream da música Brasileira a literalmente “chutar o balde” e abrir mão de tudo ao se lançar independente com disco e uma revista (Outracoisa), lançando inclusive, trabalho de alguns artistas como Plebe Rude e Cachorro Grande. 

por Luis Carlos
Fotos: divulgação.



1 - Em um certo momento de sua carreira, você se lançou de forma independente com a revista “Outracoisa”. Como foi essa experiência?
Eu me lancei independente com o projeto do disco A Vida é Doce que acarretou empreender a revista OutraCoisa que veio a sair 4 anos depois do disco. Bem, desde então venho me tornando mais independente a cada projeto que faço. Melhor, impossível. Liberdade para criar é tudo para um artista.

2 - Como é que pintou a ideia de gravar um disco com músicas de artistas importantes do Rock Brasileiro nos 80 e justamente sobre essa época? É verdade que teve negativa de alguns artistas ao não deixarem você gravar? Já são três livros lançados, poderia nos contar sobre cada um deles?
Esse disco (Antologia Politicamente Incorreta dos Anos 80 pelo Rock), lançado em 2017. é uma consequência e um complemento ao livro semi-homônimo lançado o ano passado( Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 Pelo Rock),que já é recorde de vendas da grife( Guia politicamente incorreto do Leandro Narloch) Quanto a veto de faixa, tive apenas  uma isolada  negativa (Os Replicantes) dentre as 25 faixas do disco( é um disco duplo) . A reação dos autores e artistas ”homenageados" está sendo muito emotiva e carinhosa.
Na verdade, eu já estou no meu quarto livro lançado. O 50  Anos a Mil( 2010), nominado para o Jabuti daquele ano e é a história da minha vida. O Manifesto do Nada na Terra do Nunca de 2013, um ensaio sobre os efeitos nefastos da semana de 22 na vida, na mentalidade, nas artes e na política brasileira. O Em Busca do Rigor e da Misericórdia de 2015 que conta como compus todas as músicas, arranjei, toquei todos os instrumentos e gravei sozinho o disco (de 2016) O Rigor e a Misericórdia, todo gravado no estúdio da minha casa. e Esse último( O Guia Politicamente Incorreto dos Anos 80 Pelo Rock) de 2017,sobre o qual estamos conversando .


3 - Aos 60 anos de idade você foi considerado por Nelson Motta em sua coluna no Globo como um dos maiores compositores de sua geração. Você se imaginaria depois tudo que passou em sua longa carreira, chegando aos 60 anos produzindo tanto e tão bem? Isso significa que o Rock hoje não é feito somente por e para jovens?
 Da minha geração? eh eh eh.... curioso..Bem, se não fosse assim , não haveria a menor graça em ser um artista, ser um compositor, ser um instrumentista 
Ser artista é sempre procurar criar mais e melhor, sempre. Não faço mais que a minha obrigação
  
4 - Já são quase 45 anos de carreira. Sobre tudo o que já fez nela, teria alguma coisa que você não faria ou faria melhor hoje?
 Estou fazendo muito melhor hoje aquilo que sempre fiz na minha vida inteira. Compor, tocar e e escrever Justamente por crer que a repetição como a busca pela diferença, a tentativa e o erro nos são o  verdadeiro caminho para a liberdade e para o aprimoramento da alma. . Fora isso, eu cozinho, amo minha mulher e minhas gatinhas.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, fala sobre sua carreira solo.

Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, fala sobre sua carreira solo.

Guto Goffi é um músico incansável. Há décadas tocando com o Barão Vermelho, banda criada no início dos anos 80 e que voltou recentemente, Guto ainda divide seu tempo com seus trabalhos solos e sua escola de bateria que já possui 18 anos de atividade.
Nessa sua agenda corrida, Guto nos concedeu um pouco do seu tempo para falar sobre seus projetos futuros e de tudo que vem atualizando atualmente.
Vamos ao papo !

Por Luis Carlos
Fotos: reprodução internet

Ao lado do tecladista Mauricio Barros, Guto Goffi, é um dos remanescentes da primeira formação do Barão vermelho, clássica banda de Rock carioca. Atualmente com uma nova formação, contando agora com Rodrigo Suricato nos vocais, também integrante do grupo Suricato, o Barão está de volta a estrada e completamente renovado.

Mas, o papo aqui não é só sobre o que Barão Vermelho, e sim, muito mais sobre sua carreira solo e suas atividades fora da banda. Claro que nós entramos no papo sobre o grupo e perguntado sobre o retorno e as atividades atuais do grupo: “O que podemos esperar do Barão Vermelho e da formação atual é empenho, vontade, dedicação. Não voltamos à toa, viemos recuperar nosso legado e caminhar para frente com novas músicas. ” Perguntei também sobre seu disco preferido e aquele que ele menos curte na discografia do Barão. “O Barão não fez disco ruim ao longo da carreira. O meu predileto é o NA CALADA DA NOITE de 1990 (WARNER), o que menos curto é o BARÃO VERMELHO de 2004, disco estranho, meio nascido a fórceps e que perdemos o produtor no meio do caminho.

com o Barão vermelho.
            Atualmente Guto está em um planejamento de um financiamento coletivo para não só lançar seu novo trabalho solo, que já tem nome se chamará “”caos”, que segundo ele terá a participação do “Bando do Bem”, um grupo que o acompanha desde o segundo disco solo. Perguntado também sobre sua escola, Guto responde orgulho de que ela já tem 18 anos de atividade por implementar uma cultura no Rio de janeiro e para todo Brasil através dela. Voltando a falar do CD solo: “Será o meu último trabalho em CD e para valorizá-lo irei encartá-lo também num “BOX”, com os meus três trabalhos discográficos, ALIMENTAR (2011), BEM (2016) e CAOS (2019). Nesse “BOX”, vou adicionar um pequeno livro de letras/poemas, coisa que nunca fiz, dar um maior destaque ao que venho escrevendo ao longo desses anos. Isso tudo para acontecer dependerá de um financiamento coletivo, essa campanha, pretendo chamar de “Alimente a música que você gosta”, vou oferecer diversas possibilidades de patrocínio aos possíveis colaboradores.

Próximo show.
Dentro desses 18 anos da escola, além é claro, de muitos e muitos anos tocando bateria Guto disse sobre a importância de tocar com outros músicos, praticar, fazer jams, se relacionar com gente que possui a mesma vibe. “É assim que se aprende, insistindo, doando as horas ao seu instrumento e intuição. Vá a uma escola, um professor pode te ajudar no caminho e em o que estudar, é claro que indico a Maracatu Brasil para isso, temos a Oficina de prática de conjunto para Rock e MPB. Como músico gostaria de poder tocar o meu arranjo junto com o Peninha do Hino nacional brasileiro, versão Batuqueiros, ali demonstro que mesmo sendo do rock, entendi o Brasil que vivo e sirvo. ”

            Para encerrar o papo, perguntei sobre todos vocalistas que passaram pelo Barão.
“O Barão deu tremenda sorte com os vocalistas. Primeiro foi Cazuza que desbandou a todos com a sua espontaneidade e grande poesia, saiu do Barão e abriu espaço para o Frejat aparecer como vocalista, demos o suporte e pintou esse grande cantor. Por último fomos brindados com o talento deste rapaz que em minha opinião foi a última grande revelação expressiva do rock brasileiro. ”
Guto Goffi estará tocando n odia 18 de setembro no Manouche, Jockey Club do Brasil no show Guto Goffi e o Bando do Bem, que terá ainda a participação de George Israel e Arnaldo Brandão. Os ingressos estão com esses preços: inteira = R$ 60,00, 1 KG de alimentos = R$ 40,00 e meia entrada e lista amiga R$ 30,00



segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Rec/All, o lado Heavy Metal de Rodrigo Rossi.

Rec/All, o lado Heavy Metal de Rodrigo Rossi.

O Rec/All é um novo grupo carioca de Heavy Metal, porém, um grupo que nasceu para ser grande, já que seu vocalista, Rodrigo Rossi, não chegou para brincadeira e já está mostrando muito serviço.
Lançando-se em shows importantes, um disco super bem produzido e uma formação que conta com dois músicos importantíssimos nela como Felipe Andreolli e Marcelo Barbosa, ambos integrantes do Angra, o Rec/All é o novo papo do Arte Condenada, daí, aproveitamos para bater um papo com Rodrigo para que ele contasse um pouco sobre seu projeto.

Por Luis Carlos
Fotos: Arquivo pessoal/reprodução internet.

1 – Rossi, como é que pintou a ideia de fazer o Rec/All ?

Estávamos no meio da tour dos CAVALEIROS DO ZODÍACO: IN CONCERT, e conversando com o Renato Tribuzy o assunto sobre fazer um novo disco pra mim surgiu, já que tinha muito tempo que eu não lançava nada meu além das músicas de Anime. A origem mesmo foi essa, mas ao longo do processo todo (que demorou bastante porque fizemos com calma e nos intervalos das viagens do IN CONCERT) as coisas foram mudando naturalmente. A cada fase pensávamos em quem chamaríamos para a gravação, onde faríamos, como faríamos, etc. E quando tudo ficou pronto, naturalmente a questão foi sobre quem estaria no palco e daria prosseguimento ao trabalho junto comigo.  

Rodrigo Rossi

2 – A banda possui em sua formação dois músicos muito conhecidos, Felipe Andreoli e Marcelo Barbosa, ambos integrantes do Angra. Ao mesmo tempo que você possui dois excelentes músicos tocando contigo, também não tem receio que isso acabe atraindo mais atenção do que o teu próprio trabalho ?

Independente de serem conhecidos ou não, o importante é que tivemos os melhores músicos envolvidos. Todos os que passaram pelo álbum, incluindo as participações, equipe técnica, todo mundo sem exceção foram profissionais gabaritados. O fato de termos uma história que antecede a Rec só faz com que nos shows as pessoas naturalmente peçam músicas do Angra ou passem o show inteiro gritando "Saint Seiya". Nesse ponto eu faço questão de não decepcionar, e sempre teremos algumas menções no set list. Não tenho receio nenhum quanto a isso, estou tocando com meus ídolos e adoro o trabalho deles. 


Marcelo Barbosa e Felipe Andreoli.
3 – Rossi, você é um artista que por algum tempo trabalhou fora do Rock pesado cantando em outros segmentos. Você ainda trabalha nisso ou resolveu dividir esse trabalho com o Rec/All ?

Nunca vou me afastar do que me permitiu me tornar músico profissional e viver de música. Eu adoro música pesada, mas atuo menos porque os passos tem que ser dados com cuidado já que é uma fonte de renda mais difícil. E mesmo depois que os Cavaleiros e Dragon Ball já estavam a todo vapor na TV, eu nunca deixei de atuar como freelancer gravando álbuns como vocalista contratado ou fazendo participações. Na verdade os convites só aumentaram. 

Capa do disco.
4 – Aliás, acho Rec/All é um nome diferente para uma banda. Por que você colocou esse nome ?

Esse nome surgiu de uma conversa com o Tribuzy quando tentávamos definir que estilo iríamos gravar: o animesong onde eu atuava no momento, o Heavy Metal que eu cresci ouvindo ou o hard rock/AOR que eu adoro e nunca havia gravado nada nessa direção. A resposta dele foi "vamos gravar tudo". Isso ficou na minha cabeça, e o "record it all" acabou sendo contraído para REC/ALL.  

5 – Falando em shows agora. Como é que está agenda do grupo ?

Estamos embarcando nesse momento para uma turnê com a TARJA TURUNEN (Ex-Nightwish) para algumas datas no Brasil. No fim do ano tocaremos no Rio de Janeiro ao lado do SHAMAN. Por enquanto são as únicas datas que estão confirmadas, já que o Angra ainda está em plena turnê mundial do OMNI e eu estou lançando minha coletânea comemorativa de 10 anos como cantor de Animesongs. As agendas por enquanto não permitiram mais datas. 

6 – Falando ainda em shows. Alguma possibilidade de uma turnê fora do país ?

Sim, já estamos conversando sobre isso. Temos alguns convites, mas o angedamento de turnês é sempre complicado quando precisamos trabalhar com o tempo livre em comum. Certamente não iremos antes de 2019 e antes de terminarmos um novo álbum.  

Rec/All ao vivo no Teatro Odisséia/RJ.
7 – Sobre o disco. Fale-nos sobre o processo do disco, da gravação, produção, etc.

Foi um processo bem demorado e que mudou a todo momento. Fizemos com calma por que todos estávamos muito ocupados com outras coisas. E acho que foi um álbum muito focado na minha personalidade, em que eu trouxe tudo muito pra minha perspectiva particular, já que eu nem imaginava que teríamos os músicos que tivemos participando. O Renato realmente foi a engrenagem por trás de tudo, sem ele nada teria acontecido. Eu não saberia nem como começar a explicar o quanto eu aprendi e o quanto eu cresci com a influência dele. Nos últimos anos ele certamente foi uma das pessoas mais importantes que eu tive na minha vida e continuamos essa parceria com ele e com a ART Entretenimento, que cuida do nosso booking nos animes e nos representa com a Som Livre. 

A gravação em si foi feita em partes. Sempre pausávamos após concluirmos um bloco grande para reorganizarmos e readaptarmos a estratégia, planejar com calma a próxima fase e, claro, aguardar a disponibilidade de todos. Foi um aprendizado enorme.

8 – Sendo você um vocalista, qual seus vocalistas preferidos ? Quais são suas maiores influências ?

Depois de ouvir a vida inteira caras como Bruce Dickinson, Dio, Steve Perry, Davis Coverdale, Axl Rose, etc. Eu comecei a buscar uns caras fora do metal... aí descobri o Michael Bolton, o Mark Free (até hoje um dos meus favoritos), etc. Eu atualmente estou retomando algumas coisas de R&B, Soul e principalmente world music. Todos os cantores do Buena Vista Social Club, por exemplo, não saem da minha playlist.  


9 – Fale dos planos futuros do Rec/All e deixe seu recado final para os leitores do Arte Condenada.


Esse ano nós faremos mais alguns shows que marcam o fim de um primeiro ciclo. Espero fazer um segundo álbum na sequência e aos poucos iniciar as atividades em diferentes países. Obrigado pelo espaço e pela atenção e parabéns pelo trabalho!! 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Regis Tadeu na mira da Arte Condenada

Regis Tadeu na mira da Arte Condenada

Regis Tadeu é certamente um dos jornalistas mais atuantes do Rock Brasileiro hoje. Ele dá consultoria artística, apresenta um programa de rádio, tem site e um canal no youtube, fora a participação no programa do Raul Gil. Diante de suas inúmeras atividades e um tempo super corrido, Régis nos atendeu para um bate papo.
Aliás, vamos ao papo !


Por Luis Carlos
Fotos: arquivo pessoal


Polêmico? Não sei, talvez Regis seja mesmo um jornalista verdadeiro que não tem medo de falar o que sente, mas, o papo começou leve, aliás, falando de sua atividade como baterista, algo que eu não sabia. Cheguei a conhecer a banda Musak, mas não imaginava que Regis tivesse sido baterista do grupo. “Na verdade, é o seguinte, a banda lançou um Ep pela EMI, isso em 1985, e depois de alguns shows com o Victor, antigo baterista, saiu e eu entrei para fazer a turnê do disco. Hoje, infelizmente ele não está mais entre nós. ”
Sobre o papel do Jornalista hoje, Regis acha que o papel do profissional, do crítico ou de qualquer pessoa que manifeste sua opinião é o de fazer as pessoas pensarem, que concordar ou não faz parte, o pensamento é democrático. “Toda vez que eu faço alguém pensar naquilo sobre aquilo que eu falo o meu trabalho já está feito. ” Acha que tem que oferecer um argumento sólido para que tire essa pessoa da zona de conforto. A principal função é dar uma chacoalhada nos conceitos pré-estabelecidos que as pessoas têm. ” Sobre essa questão de pensamento democrático, relembrei sobre a polêmica envolvendo o Manowar em seu canal no youtube onde ao entrevistar alguns fãs em um show da banda, Regis quase se envolveu em uma pequena confusão envolvendo alguns deles por discordância de opiniões. “O que acontece é que quando se fala em pensamento democrático é um Brasil que não existe porque as pessoas se posicionam assim, uma espécie de “Grenal” (nome que se dá ao clássico entre os times Grêmio e Internacional, importantes clubes do Rio Grande do Sul). Ou você é de um time ou você é de outro, então, é óbvio que eu tenho que te atacar. Para quem veio dos anos 60, anos 70 como eu, acha isso um absurdo total. Nós temos pessoas com pensamentos e posicionamentos antagônicos sem o menor respeito pela opinião das outras pessoas. Eu tenho amigos que acham que o Bolsonaro deve ser o Presidente do Brasil, para mim é uma estupidez, mas eu jamais vou deixar de ser amigo dessas pessoas. ”
Regis com Raul Gil.
Já que o papo chegou na política, onde as discussões são sempre acirradas nas redes sociais, cheguei a brincar com Régis dizendo que deveria se chamar “Rede antissocial”. Para ele, a rede social tem um papel importante, mas do contrário, também dá voz para um monte de imbecis, inclusive dizendo que muitos portais de comunicação fazem um jornalismo preguiçoso. Voltando a falar de jornalismo, ele acha que para quem está começando a pessoa tem que ler compulsivamente. “A pessoa tem que ler qualquer coisa, ter compulsão por informação. ” Acha que com isso a pessoa terá uma linguagem própria para criar uma boa opinião. “Existe o jornalismo opinativo e o de reportagem. O de reportagem descreve um fato, o opinativo, óbvio, emite uma opinião. ” Sendo um crítico, ele afirma que não existe uma opinião, uma crítica isenta.
Com sua banda: Muzak.
Perguntado sobre suas inúmeras atividades, para Régis, a melhor coisa para definir todas essas atividades é o prazer que ele tem em cada uma delas. “Ao contrário do que as pessoas imaginam, na televisão eu não faço um personagem. Por força da contingência eu acabei atingindo um público infantil, o que jamais imaginaria. “ Diz que sente um privilegiado por só ter trabalhado em atividades que ele gosta. ” Ele disse que foi parar na televisão basicamente por causa de uma entrevista no Jô Soares, para falar de uma revista que trabalhava na época e acabou falando da coleção de discos. “Até hoje é considerado umas das entrevistas mais longas do programa. ” Disse que foi chamado para participar do programa SuperPop (programa da emissora rede TV, na época apresentado por Luciana Gimenez) para alguns debates, e como gostaram muito dele, acabou ganhando um quadro no programa onde as vezes quebrava uns discos e dava o seu recado. Mas, o quadro começou a ser vetado e a emissora ameaçada de boicote. Daí, atendeu o pedido do Raul Gil para ir para o seu programa. “Ele queria um jurado do mal e disse que eu não fazia força para ser um jurado mau. ”
Na bancada do programa Rau Gil.
Para encerrar a entrevista, perguntei sobre o cenário do Rock atualmente, inclusive sobre sua participação em uma reunião com alguns representantes do estilo no estado de São Paulo. “Achei que fosse um debate, com plateia, mas era tudo politicagem. Esperei as pessoas se apresentarem e me retirei, acho que a secretaria de cultura não faz porra nenhuma o tempo inteiro. Fiquei sabendo depois que algumas pessoas foram embora. Sou uma pessoa íntegra, eu não participo de presepada. ” Ele acha que o governo não faz 10% do que deveria pela cultura, mas migalhas para quem age como tolos. Acha que estão pouco se lixando para Rock ou para qualquer outra coisa. “Estão tentando matar o Rock desde que o Elvis Presley apareceu e isso nunca vai acontecer. O estilo precisa dialogar mais com seu público, que foi o que aconteceu nos anos 80, as pessoas gostam de outros estilos e bandas como Paralamas e Legião, por exemplo, tinha espaços em programais mais populares, um canal aberto. A MTV mesmo estabeleceu esse canal. Mas, com o final da MTV o Rock parou de dialogar com as massas, estabeleceu uma extrema arrogância, ficou mainstream e se afastou do underground. ”

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Forkill, Thrash Metal carioca em constante evolução.

Forkill, Thrash Metal em constante evolução.

Que o Rio de janeiro sempre foi um celeiro de boas bandas todo mundo já sabe, e também, uma cena muito complicada por conta de muitas adversidades existentes dentro dela. Mas nem por isso deixam de existir tantas pessoas que acreditam que é possível fazer Heavy Metal por aqui, e uma dessas pessoas atende pelo nome de Ronnie, guitarrista, e o cara que leva o Forkill a frente com toda sua força e talento.
Um grupo que ao longo dos anos vem dando um passo a frente na sua carreira com um Thrash Metal fortemente influenciado pelos anos 80, porém, com muita identidade e a propriedade de quem sabe onde quer chegar, não copiar o passado.
Vamos ao papo !

Por Luis Carlos
Fotos: divulgação

1 – Tenho percebido que ao longo dos anos o Forkill tem evoluído musicalmente. Pode-se dizer que o fato de terem uma formação melhor agora deu uma nova força para o Forkill?
Estamos nesse mês comemorando um ano com a atual formação e quando todos têm o mesmo objetivo e gostam do que fazem o trabalho flui naturalmente. Estou muito orgulhoso da galera da banda pela dedicação e empenho para atingimos nossas metas e agora estamos nos preparando para o lançamento do novo álbum (The Sound of the Devil's Bell ) para Outubro 2018 e que foi o objetivo principal dessa atual formação desde o começo !!!

2 – Muitas bandas de Thrash Metal hoje têm copiado demais aquelas bandas que surgiram nos anos 80, mas esse não é o caso do Forkill, que apesar das influências da época, a banda parece olhar para frente e sair desse rótulo. Até onde você acha que o saudosismo pode ser bom ou ruim na sonoridade de uma banda?
Vejo bandas começar e as principais influências dos músicos são seus ídolos e isso vai determinar o som. Muitas vezes as bandas acabam fazendo um som genérico. Acredito que aquelas que levam a sério o trabalho, com o tempo, estudo, experiência e sua evolução musical vai determinar a banda a descobrir sua própria identidade. Depende muito da maturidade e experiência do músico e seu autodescobrimento. Por outro lado, também, vejo isso como uma forma de manter a chama acessa, uma homenagem a um estilo marcante no já distantes anos 80! A maioria das vezes esses Headbangers nem viveram essa época mas resgatam esse lado com muita paixão e amor ao estilo. Acho legal bandas manterem o legado, com visuais da época e para mim o som que você curte tocar e te faz feliz é o que importa. Opinião dos outros não se deve levar em conta se você acredita em suas convicções e ama o que faz!

3 – Falem sobre o disco novo e também sobre o clipe da música “Emperor of pain”.
Gravamos ele todo no HR Estúdio, com o produtor Daniel Escobar que também fez a mixagem e a masterização. Daniel fez um grande trabalho e conseguimos uma incrível qualidade em termos de som e timbres !!Para começar a promover o álbum que está chegando, lançamos o novo Vídeo Oficial para a música ”Emperor of Pain" que é o primeiro single do novo álbum a ser divulgado! Foi filmado no Tellus Estúdio com a produção do Felipe Borges e que com sua equipe, realizou um grande trabalho. Uma curiosidade é que o Headbanger que quebra a TV no começo do clipe é o produtor do álbum Daniel Escobar. Tivemos uma ótima aceitação com o clipe nas mídias, nos rendendo muitos elogios sobre a produção de nosso trabalho. Agradeço demais também aos muitos amigos que estão compartilhando o vídeo e nos ajudando a divulgar o trabalho. Essa música retrata bem como vai ser a linha e a pegada principal do novo álbum. Nesse trabalho a vibe do momento foi focar num som direto, rápido, violento e muito pesado nas partes cadenciadas. Letras fortes e contestações sobre as atrocidades de nossa humanidade, representam nossa indignação com a realidade vivemos. Não  é  um álbum  conceitual mas temos algumas músicas  interligadas e que nos fazem refletir sobre nosso comportamento e o que nos aguarda em um futuro próximo. 

4 – Sobre esse trabalho novo, o que vocês consideram como um grande passo para o grupo e como vocês analisa hoje o trabalho passado (Breathing Hate)?
Nosso presente agora é focar nesse novo material, divulgar e tocar o máximo possível! O segundo álbum é uma formação, estamos curtindo muito esse momento de pré-lançamento e já temos muito material, novas músicas e muitas ideias para um próximo álbum.  É muito prazeroso nessa atual fase, ter a oportunidade de estar sempre trabalhando e batalhando por nosso espaço!

capa do novo disco.
5 – Ronnie, você é um entusiasta do estilo e uma influência para muitos músicos hoje da cena carioca por além de ser músico há um bom tempo, também fazer eventos reunindo algumas bandas cariocas. O que te motiva tocar Metal e qual sua avaliação dessa mesma cena hoje?
Obrigado pelas palavras e fico feliz demais de passar essa impressão. Tocar, produzir Heavy Metal é acima de tudo "atitude", é demostrar uma maneira de se expressar através da arte, da música, do visual, contestar tudo que vemos e achamos errado. Metal é muito mais do que um estilo musical, considero um estilo de vida!  É claro que manter uma banda séria é complicado, é caro, um desafio constante e gera muito tempo de dedicação. Damos soco na ponta de facas o tempo todo, são muitas frustrações e tem que ter muita força de vontade para continuar, mas amamos isso e essa é a força para continuar na batalha. Acreditamos que com um trabalho bem feito e muita insistência as oportunidades vão aparecer e já tivemos alguns momentos que são inesquecíveis de shows e que rendeu grandes histórias para contar!! Temos uma cena muito complicada hoje em dia. Temos público, mas devido à crise econômica que estamos passando, violência, falta de condução apropriada, muitos eventos seguidos com bandas gringas e por fim uma geração de novos Headbangers deixou de comparecer aos eventos e se fecha em seu mundo virtual. Tudo isso acaba gerando uma falta de interesse de público generalizada nos eventos underground . Resgatar essa galera é nosso maior desafio, acredito que todas bandas que fazem som autoral estão sentindo o problema. Lutamos para reverter esse efeito, fazemos eventos com outras bandas que pensam parecido e chegam junto. Investimos numa maior qualidade de som, preço justo, tudo para mostrar ao público que temos grandes bandas e juntos podemos fazer reverter essa situação. Falta também um pouco mais de união das bandas e o público prestigiar, apoiar mais suas bandas underground favoritas. Penso que todos devem fazer sua parte corretamente e em vez de criticar quem faz e se esconder na hora que se precisa, apoie e traga suas ideias! Ainda acreditamos sempre que esse quadro vai mudar e uma hora as coisas vão se ajustar para dias melhores e assim seguimos fortes em frente.

6 – Vocês citam o fato de terem tocado com muitas bandas importantes do Metal brasileiro e gringo. Como foram essas experiências?
É como se fosse um prêmio por toda dedicação, damos o sangue por isso e nessas horas vemos como uma espécie de reconhecimento de todo o trabalho que temos feito. Situações difíceis que passamos vem em mente e a sensação de dar a volta por cima é muito gratificante. Sou acima de tudo fã de Metal e Headbanger até os ossos!! Ter a oportunidade de poder dividir o palco com alguns músicos que admiro o trabalho e contar com a simpatia, respeito e camaradagem da galera do Vulcano, Metamorphose, Krisiun, músicos que acompanho de longa data é demais. Tivemos alguns momentos que são inesquecíveis e que rendeu grandes histórias para contar, momentos que jamais poderia imaginar que um dia iria acontecer. Dan Lilker (Nuclear Assault), quando abrimos para eles, nos desejou um bom show, abrindo e me entregando uma cerveja para levar para o palco, chegando a ser surreal pela simplicidade e espontaneidade daquele momento! Isso me marcou muito pelo fato de ser muito fã do cara e da banda.

Ronnie, guitarrista do Forkill.
7 – Ronnie, você tocou no Stagedive. Tenho a coletânea que conta com a participação da banda. Conte-nos um pouco sobre isso.
Acredito que a banda Stagedive tivesse insistido mais um pouco poderia ter ido mais longe pois o som era bem legal e tinha grande potencial. Hoje em dia se acha no youtube facilmente, shows e a demo tape 94. Uma curiosidade é que essa Demo foi produzida pelo Carlos do Dorsal! A banda rolou por 4 anos e no seu maior momento acabou e isso me desanimou muito para continuar tocando. A prioridade era acabar os estudos na faculdade, trabalho e assim fiquei parado sem tocar por longos 15 anos. Hoje tenho uma ótima relação com os músicos da última formação e tenho certeza que breve iremos fazer uma reunião para relembrar os velhos tempos. Particularmente, considero o Forkill uma espécie de continuação dessa época. 

8 – Deixe um recado final para os leitores do Arte Condenada.
 Obrigado aos Headbangers que apoiam de verdade o Metal Nacional, comparecendo aos eventos, divulgando material, apoiem sempre suas bandas favoritas pois elas precisam de vc! Obrigado aos muitos amigos que apoiam a banda Forkill também, hora adquirindo material, compartilhando nosso som, comparecendo aos shows e ajudando muito a divulgar o trabalho, muito obrigado pela força. Admiro demais vc Carlinhos por sempre batalhar e abrir espaço para as bandas Underground, seu apoio e Amor ao Metal Nacional em especial a Cena Metal Carioca é digna de muitos aplausos e também é muito importante para todos nós músicos ou não !...Parabéns pelo trabalho do Arte Condenada que acompanho direto, desejo muito sucesso para seus projetos pessoais e estamos juntos na batalha 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Jornalista Christina Fuscaldo lança livro sobre Os Mutantes.

Jornalista Christina Fuscaldo lança livro sobre Os Mutantes.


"Lançamento é uma discobiografia do grupo."

Christina Fuscaldo é uma importante jornalista carioca. Nascida em Niterói e apaixonada por música desde cedo, Christina além de tudo, canta e atua. Atualmente vem trabalhando no lançamento do seu novo livro, uma discobiografia sobre a banda Mutantes. 

Por Luis Carlos
Fotos por Tatynne Lauria




1 – Por que Os Mutantes e a escolha por uma discobiografia?
Mutantes é minha banda brasileira preferida desde que ouvi aquela coletânea do David Byrne – “The Best of Os Mutantes”, que tinha como subtítulo “Everything Is Possible!” – pela primeira vez. Antes, conhecia uma canção ou outra, mas cresci em um momento em que os Mutantes estavam na obscuridade. Com a “redescoberta” feita por Byrne, os Mutantes passaram a ser cultuados no mundo todo e eu, eu descobri a banda ali, saí correndo atrás dos álbuns de carreira. Garimpei, paguei caro por alguns deles, mas completei minha coleção de LPs e de CDs. Amo cada um daqueles discos e acho que eles contam a história da banda por um viés diferente. Desde que escrevi o “Discobiografia Legionária”, em que reúno informações sobre os álbuns da Legião Urbana (também dá para dizer que conto a história da banda através de seus discos), encantei-me com essa forma de se escrever biografias, que é diferente da escrita de uma biografia tradicional.


2 – Eu não sabia que você era cantora, mas somente jornalista. Fora que, você também já atuou como atriz. A que se deve essa carreira multifacetada?
Acho que é culpa da minha mãe... Hehehe... Quando era pequena, ela me incentivava a experimentar tudo e me colocou em aulas de balé, jazz, sapateado, capoeira, teatro, violão, canto, inglês, italiano, francês, redação etc. Fiz duas faculdades (Jornalismo e Letras)! Algumas dessas atividades, eu abandonei. Outras, continuei por algum tempo (como o balé, as línguas e o violão). E há as que exerço até hoje: eu escrevo (muito!), canto, sapateio e atuo (raramente, quando sobra tempo ou pinta algum trabalho que valha a pena). Fora isso, estou em um doutorado de Literatura, Cultura e Contemporaneidade. Acho que as artes conversam entre si e não consigo conter a necessidade que, dentro de mim, elas têm de se comunicar. Meu primeiro álbum solo e autoral, “Mundo Ficção”, de certa forma rememora meus textos. Meus livros só existem por causa de minha experiência com a música. Alguns de meus clipes musicais têm roteiro meu e um deles mostra eu sapateando. Com meu irmão, essa estratégia de minha mãe não funcionou e ele, hoje, é só músico. Já eu fiquei assim. Deve ser da pessoa mesmo, sei lá... E, apesar de ser cansativo estar sempre com tanta coisa para dar conta, eu amo poder experimentar o tempo todo. Além de multifacetada, sou meio hiperativa; meus dias parecem ter muito mais do que 24 horas.


3 – Aliás, você foi responsável pelo lançamento de “Discobiografia Legionária”, livro sobre a Legião Urbana. Conte-nos um pouco sobre esse lançamento também. Aliás, seu próximo livro será sobre o Zé Ramalho?
O “Discobiografia Legionária” me trouxe muitas alegrias. A maior delas, sem dúvida, foi a quantidade de legionários que conheci e dos quais me aproximei para trocar experiências e informações sobre uma das bandas que mais marcaram minha infância e adolescência. Também foi uma felicidade quando Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá elogiaram meu trabalho, reconhecendo que consegui narrar da melhor forma a história que eles vivenciaram. Estou, sim, escrevendo uma biografia de Zé Ramalho e adoraria que esse livro fosse o próximo a sair. No entanto, parei de prometer isso desde que percebi que este é um trabalho bem mais difícil do que os outros que fiz até agora. Já faz mais de 10 anos tudo começou... Quero contar a história de vida deste artista paraibano em detalhes, sem deixar nada de importante de fora e evitando errar ao máximo. É uma pesquisa mais difícil, mais cara, com distâncias mais longas para percorrer, com entrevistas com personagens mais complexos. Esse livro me toma muito tempo! Mesmo assim, é um dos projetos que mais me deu prazer na vida, pois amo o universo nordestino no qual a história se inicia e acho extremamente necessário falarmos sobre ele. Por causa dele, fiz um mestrado e engatei em um doutorado (que está em curso). Há outros livros sobre Legião Urbana e Mutantes, mas nenhum sobre o Zé que vá abordar a importância dele na cena musical brasileira como esse que estou escrevendo. Não sei se será meu próximo lançamento (pois estou fazendo outras coisas paralelamente), mas, quando for lançado, com certeza será um dos mais importantes de minha história.

4 – Voltando a falar de Mutantes, sabemos que a relação entre eles parece não muito amigável. Você teve contato direto com cada um deles ao trabalhar no seu livro? E qual foi a receptividade de cada um deles?
Eu iniciei minha pesquisa na faculdade, em 2002. Naquela época mesmo, fiz entrevistas com Rita Lee e Sérgio Dias. Fui conseguir acesso a Arnaldo Baptista anos depois, quando trabalhava como jornalista. Ao longo dos anos, juntei recortes, fiz outras entrevistas e, claro, ouvi muito Mutantes. A ideia de transformar tudo o que tinha (inclusive minha monografia da faculdade) em livro surgiu em fevereiro de 2018 e coloquei a campanha de financiamento coletivo no ar em março. Tive dois meses para fazer ela acontecer e, depois, dois meses para escrever o livro. Entrei em contato com todos os vivos presentes nas fichas técnicas de todos os discos. Vários me deram retorno e falaram comigo. Outros, não. Sérgio Dias se dispôs a ajudar novamente e foi essencial na solução de algumas dúvidas que eu tinha. Agora que o livro ficou pronto, espero que a receptividade de todos seja boa! 

5 – Quando os Mutantes se reuniram, Zélia Duncan substituiu Rita Lee nos vocais. Você gostou dessa formação? E qual seu disco preferido do Mutantes?
Eu adorei essa formação, porque sempre fui fã da Zélia Duncan. Desde que ela apareceu na cena musical brasileira, eu pirei naquela voz diferentona, na sonoridade bastante influenciada pelo rock que eu cresci escutando e nas letras muito inteligentes. Claro que eu também questionei se, nos Mutantes, ela funcionaria. E fiquei tentando apaziguar os ânimos dos fãs que, mesmo antes de ouvi-la cantando com Sérgio e Arnaldo, já estavam reclamando. Quando os vi pela primeira vez, achei o máximo! Zélia não tentou assumir o lugar de Rita Lee, mas fez direitinho (e muito elegantemente) o seu papel de cantora convidada. E Esméria Bulgari salvou todos os agudos das músicas. Acho que ela escreveu um ótimo trecho na história dos Mutantes.

6 – Qual são suas expectativas com a discobiografia do Mutantes?
Quero muito que esse livro chegue a todos os admiradores dos Mutantes, tanto os do Brasil quanto os que moram fora. Foi para isso que fiz o livro bilíngue, em português e em inglês. Os Mutantes tem uma legião de fãs enorme no mundo todo e quero manter viva a memória desta banda que me deu tantas alegrias.

OS MUTANTES
Os Mutantes foi uma importante banda do Rock Brasileiro, inclusive, muito cultuada no exterior onde sua discografia é venerada por músicos e fãs do mundo inteiro. O grupo formado por Rita Lee, Sergio Dias e Arnaldo Baptista começou se apresentando em programas de TV, tendo seu nome batizado por Ronnie Von.
Com essa formação Os Mutantes lançaram discos de sucesso como “a Divina Comédia ou Ando meio Desligado” e “Jardim Elétrico”, separando-se entre 1973 e 1974, quando Sergio Dias seguir com o grupo e fazer um tipo de música voltada para o Rock Progressivo. A banda chegou a se reunir em 2006, quando a cantora Zélia Duncan assumiu os vocais no lugar de Rita Lee e ainda se apresenta esporadicamente com Sergio Dias na companhia de novos músicos carregando grande legado musical que o grupo deixou, porém, infelizmente a formação clássica nunca mais se reuniu e parece que isso não deve acontecer algum dia.

Uganga, música sem fronteiras e de muita qualidade.

O Uganga é uma banda que vem se destacando no cenário brasileiro pelo que faz, porém, indo além do que tem como padrão de um estilo ao f...