quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Jackdevil, as novidades de uma excelente banda do metal Brasileiro.



Recentemente fomos surpreendidos pela informação de que a formação clássica do Jackdevil estava de volta, e de cara lançando uma nova música. Sorte a nossa e de todos headbangers brasileiros que podemos contar agora com uma banda mais forte do que nunca e que tem a somar ainda mais nessa cena rica e excepcional do Metal Brasileiro.
Vamos ao papo !

Por Luis Carlos
Foto: divulgação


1 – A primeira e inevitável pergunta para o Jackdevil. Por que a separação e agora esse retorno?

O primeiro a sair foi o Filipe Stress em 2016. A razão de sua saída foi a nossa implicância pelo fato dele estar montando uma nova banda. Nós estávamos errados, na época fomos muito imaturos e não soubemos nos entender. Ele preferiu se a afastar da banda. Já o André Nadler saiu após o retorno da turnê européia em 2017. Ele inclusive emitiu uma nota explicando a todos os motivos. Na minha opinião ele estava precisando de um tempo de afastamento da banda para resolver alguns problemas pessoais. Eu e ele temos uma ligação muito forte, pois nos conhecemos há muitos anos, então com tempo e conversa conseguimos nos acertar. A razão do retorno da formação original deu-se pelo fato de todos se sentirem donos do que nós conquistamos com a banda e enxergarem viabilidade nesta reunion. Também, é claro que rolou uma saudade (risos). Acredito que voltamos por que ainda temos uma missão a cumprir. Retornamos porque acreditamos no Metal do Brasil. O Jackdevil sempre foi um grito de resistência e muitos se identificam com a nossa luta.


2 – Vocês pegaram os fãs de surpresa anunciando a volta de antigos integrantes e de cara mandaram uma música nova: “Metal Madness”. Falando dela, conte-nos um pouco sobre a música.

Metal Madness é uma música que consegue condensar muito bem a musicalidade do Jackdevil. Nós decidimos lançá-la juntamente com a notícia da volta da formação clássica justamente para fortalecer a ideia de que este retorno é definitivo e não apenas um artifício midiático para tentar chamar atenção ou fechar alguns shows específicos. Ela foi gravada no Atom Music Lair pelo Chirs Wiesen e Filipe Stress que realizaram um excelente trabalho, na opinião da banda. O Filipe Stress vem gravando e mixando os nossos materiais desde o Evil Strikes Again, a vantagem da própria banda cuidar da gravação dos seus discos é que assim conseguimos lançar um material totalmente compatível com a nossa concepção. 


3 – Acredito que isso seja um recomeço, então, quais são os planos do Jackdevil daqui em diante?

Isso mesmo, estamos encarando todo este processo como um recomeço e uma oportunidade de fazer mais e melhor do que antes. Estamos em fase de pré-produção do próximo disco. O lançamento está previsto para o primeiro semestre de 2019. Estamos com o repertório em mãos e vamos gravar no Atom Music Lair em São Paulo em Janeiro de 2019. É isso, vamos continuar produzindo materiais inéditos, não queremos viver do passado. Estamos também planejando uma turnê de divulgação do disco novo na América Latina e no Brasil.


4 – O Jackdevil é uma banda que já tem uma boa estrada pelas turnês que fizeram. Quanto ao Brasil, ainda pesa por ser um país muito grande e com poucas possibilidades, e mais o fato de vocês não serem de uma região que não tem tanta tradição como, por exemplo, São Paulo ou Minas Gerais?

Tudo começou em São Luis/MA. Mas hoje o Ric Mukura e o Filipe Stress moram em São Paulo e isso já nos ajuda bastante, principalmente no quesito de realização de turnês. Assim, eu e o Andrezão estamos organizando a nossa mudança pra São Paulo para facilitar o trabalho com a banda. Por muitos anos nós lutamos contra essa ideia, mas neste momento enxergamos que não há outra alternativa senão esta. Vamos com a cara e a coragem. Saímos de São Luis mas nunca iremos esquecer nossas origens e a luta de todos os headbangers que moram longe dos grandes centros urbanos.

Divulgação e venda do novo single.
5 – Falando de sua cidade, eu mesmo já tive oportunidade em tocar nela quando fiz uma turnê norte/nordeste com a Statik Majik. Gostei bastante, inclusive. Quais são os prós e contras da cena daí e que bandas vocês destacariam?


A cena do Nordeste/Norte é muito forte, existe nítida a paixão e empenho daqueles que trabalham com o Metal. O público se destaca e geralmente as bandas do eixo sul-sudeste fazem grandes shows por aqui. Com relação às bandas maranhenses que estão na ativa posso destacar de a Grave Reaper, School Thrash, Nordeath e Leopard Machine. 


6 – Tempos atrás o Jackdevil foi acusado de ser uma banda de White Metal. Qual a opinião de vocês a respeito dessa polêmica? Isso realmente pesa mais para bandas como vocês que tem uma sonoridade de um público, digamos, mais purista?

Hoje em dia isso não nos pesa em nada. Não ligamos para haters, mas sabemos que eles são grandes divulgadores do nosso trabalho. Na verdade nós damos muitas risadas dessas "acusações" e dos babacas que acham que estão nos prejudicando ao difundir fake news. Nosso inimigo é outro, nós temos nossa própria luta: nos esforçamos pra nos manter vivos nesse país cheio de contradições e continuarmos firmes para buscar nossos sonhos. E àqueles que acharam que o Jackdevil estava morto, tomem esse retorno na cara e engulam seco, essa é a única alternativa deles. Nós sabemos de onde viemos e mantemos firmes a nossa essência. 


7 – Gostaria que vocês falassem um pouco sobre cada trabalho lançado pelo Jackdevil e o que cada um deles representa na carreira da banda.

Nosso primeiro lançamento foi o Under The Satan Command (2012), sendo uma demo com 5 músicas. Foi o início de tudo, este trabalho teve uma grande repercussão principalmente pelo destaque dado pela revista Roadie Crew e pelo estouro do clipe da faixa título da demo. Em 2013 nós lançamos o EP Faster Than Evil. Neste material nós tivemos nossas primeiras experiências conscientes dentro de um estúdio e ele se tornou a nossa referência de composição e mixagem no futuro. Na época do lançamento nós disponibilizamos o download gratuito e milhares de pessoas baixaram. Foi o primeiro registro nosso que trazia um solo de baixo: a intro da faixa Bastards in the Guillotine. Em 2014 lançamos o Unholy Sacrifice como debut e tivemos excelentes resenhas e críticas da mídia especializada e do público. Este disco fora lançado pela Urubuz Records do RJ e rendeu inclusive lançamento em vinil. Os destaques ficam para a faixa Age of Antichrist que ganhou um video clipe e para a canção Thrash Demons Attack que se tornou um hino da banda. 
Em 2015 lançamos o Evil Strikes Again. Este disco foi um divisor de águas na nossa história pois marca o início das nossas tours internacionais. Tocamos no Paraguai, Chile e Argentina com o lendário Onslaught e fizemos duas tour Européias.
Em 2016 a Urubuz Records lançou o Back to the Garage, uma compilação da nossa demo e do EP. Foi uma ótima oportunidade para quem queria adquirir estes materiais que a banda deixou de vender em 2013. Por fim, lançamos o single em streaming Metal Madness com a capa que ilustra exatamente o que a letra fala.


8 – Deixem suas considerações finais para os leitores do Arte Condenada.
Primeiro destacar a nossa gratidão pela oportunidade concedida pelo Arte Condenada, em nome do Luís Carlos. Nós realmente enxergamos a importância do trabalho executado por este blog, bem como a resistência por trás de cada dia de produção de conteúdos novos. Muito Obrigado por tudo. Aos leitores eu também deixo meus agradecimentos e me coloco a disposição para responder qualquer questionamento via redes sociais. Obrigado a todos e vamos caminhar juntos porque ainda há muito o que fazer. Valeu!!

domingo, 23 de setembro de 2018

Hatefulmurder, superação e determinação de quem sabe o que faz.



O trabalho dos cariocas do Hatefulmurder se traduz na superação de quem já passou por uma tragédia pessoal dentro da banda, venceu uma premiação e a cada disco,  vai mostrando seu valor através das ótimas críticas e shows importantes que tem conquistado através do grande trabalho que tem feito em sua carreira.
Diante da gravação de um novo trabalho e mais shows por vir, Renan, guitarrista do grupo, respondeu a nossa entrevista contando um pouco sobre a banda.
Vamos ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação.



1 – O Hatefulmurder tem feito shows, inclusive em eventos importantes. A visão que eu tenho é que a banda tem tomado um papel importante, inclusive sendo headliner em alguns eventos. Estou certo? Como tem sido esses shows?
Renan Campos: Salve Carlinhos e todo mundo que acompanha o Arte Condenada. Temos trabalhado e levado nossa música para lugares que antes não levávamos. E tem sido ótimo. A energia dos shows é algo que a gente considera fundamental. Trazer essa experiência para quem está assistindo. Eu acho que o Metal/Rock tem esse plus. É uma música que tem que ser vista além de ouvida. A energia dos shows é um lance fundamental.


2 – A banda está gravando atualmente. Soube que terá participação odo Jimmy, vocalista do Matanza. Conte-nos sobre isso.
Renan: Exatamente Sempre tivemos uma brodagem e uma enorme admiração com o trabalho do Matanza. Tocamos juntos inúmeras vezes. Os caras abriram umas portas legais para gente. E isso é impagável. Sobre o convite, aconteceu quando eu e Thomás(bateria) notamos que fizemos uma música que a gente conseguia “ouvir nitidamente” a voz do Jimmy se encaixando ali. (risos) Daí veio a ideia, conversei com ele, que ficou muito amarradão e topou de cara. Além de participar cantando ele quis produzir a banda em estúdio e foi bem irado, trouxe uma boa experiência nesses mais de 20 anos de Matanza. Aprendemos muito com ele e com o Jorge Guerreiro que também trabalha com Matanza e outros artistas. Gravamos mais uma vez no Estúdio Casa do Mato, que é um espaço incrivelmente legal. Sobre a música, ela traz um aspecto novo até então para banda, uma letra em português com um tema bem atual e válido. Sobre o disco... estamos terminando as composições, e entraremos em estúdio logo logo. Essa música faria parte do álbum. Mas achamos legal lançar logo esse single por agora.

3 – A mulher tomou um papel importante na cena do Metal, seja no Brasil quanto no mundo todo. O Hatefulmurder mesmo é uma banda que cresceu com a entrada da Angelica. O que ela de fato acrescentou para banda e qual a diferença entre o grupo atualmente e sobre o que fez no passado?
Renan: Concordo! Acho que tudo rolou de uma forma muito doida e natural.
A gente já pensava em fazer um segundo disco mais solto, menos preso aos moldes de um gênero. Eu acho que a Angélica é a representação física dessa mudança no som da banda. E claro, o fato dela cantar de forma bem exótica, ter uma postura e um comportamento único no palco e ser uma mulher bonita atraiu muitos olhares para banda. Ela trouxe uma forma única de cantar e uma percepção mais de ouvinte para banda, algo mais no “feeling”. O que nos deixou mais soltos para compor. Nosso disco “Red Eyes” já mostra determinadas mudanças e essa liberdade para trabalhar. 4 – Lembro bem de quando vocês ganharam a etapa carioca do evento que consistia em um show da banda vencedora no importante festival Wacken. O que aquela vitória representou para a banda naquele momento?
Renan: Eu costumo dizer que foi a partir dali que a banda “nasceu”. A coisa começou a virar mais pra banda. Ali entendemos muitas coisas importantes para banda e começamos a trabalhar com mais intensidade e o fluxo de atividades foi crescendo. Antes era bem mais “calmo”, o que eu considero bem ruim (risos). Mas participar desta seletiva e ter a chance de disputar uma vaga apra tocar no Wacken Open Air representando nosso país foi muito importante, um dos dias mais legais que a banda teve.

5 – Fale-nos um pouco sobre cada trabalho e a importância de cada um deles na carreira do grupo.
Renan: When The Slaughthering Begins (Demo 2010) – foi o primeiro registro gravado da banda, uma demo com 4 músicas. Lembro que a gente trocava com as bandas e entregávamos para os produtores. Eu gosto das músicas. Mas é aquilo... Uma demo, né? (risos)
The Wartrail (Ep – 2011) – Esse trabalho nos deu uma puta “visibilidade” lembro que fomos destaque em revistas, conseguimos vender pra bastantes lugares(ainda rolava legal esse lance de vender demos e CDs)  Eu gosto bastante desse Ep. Quem sabe um dia, a gente não o regrava? De repente trabalhar os arranjos... eu gosto mesmo de todas as músicas ali. Muito orgulho do que fizemos nessa época.
No Peace (Full – 2014) – Debut da banda, né? Super importante. Ele foi lançado pela Cogumelo Records. O que nos proporcionou a primeira tour da banda fora do país. Foi extremamente importante. Eu particularmente não gosto muito do disco. Acho que fizemos esse material numa época estranha (Ernani, co-fundador da banda já tinha se afastado para cuidar da saúde), tava tudo meio estranho. E talvez por estar de dentro eu veja o reflexo disso nas músicas. Talvez eu destaque três músicas ali que gosto. Em geral não é um disco que eu ouço. (risos ) Mas é inegável a importância desse material pra banda. Tenho muito orgulho dele.
Red Eyes (Full – 2017) – Nosso favorito até agora. Primeiro disco com Angélica Burns nos vocais. Que nos levou mais longe de fato. Acho que foi o trabalho onde mais “acertamos” e que mais expandimos os horizontes em termos de composição e arte e junto a isso também a possibilidade de mais pessoas curtirem nossa música. Nos rendeu uma turnê que atravessou o país, vários festivais e shows legais. Ele saiu pelo selo “Secret Records” de um brasileiro que mora lá na Inglaterra. Lançamos aqui e lá. Sem dúvida nosso melhor trabalho até agora.
Hatefulmurder detonando ao vivo.



6 –A banda já fez uma turnê pelo Brasil e também sul-americana. Quando é que teremos uma europeia?
Renan: Sim, fizemos duas turnês sul-americanas, em 2014 passando pelo Chile e 2015(passamos por seis países) e em 2017 rodamos o Brasil inteiro em um mês. Fizemos vinte e quatro shows em trinta dias em todas as regiões do Brasil. Foi muito louco (risos) Ano que vem após lançarmos nosso próximo disco, com certeza vamos trabalhar algo pela Europa.
Já passou da hora!

7 –Qual a opinião de vocês sobre o Metal no Brasil e sobre a cena carioca atual?  Inclusive, vocês fazem também o próprio evento. O que representa isso?
Renan:  Metal no Brasil... É sempre aquela energia e sangue no olho! Tudo feito na base da força de vontade. Eu vejo muito essa energia das bandas que fazem um trabalho incrível e organizado. No Brasil, hoje a galera faz literalmente tudo, desde venda de shows, auto-produção nos discos, vídeos-clipe e até merch. A galera que entendeu que auto-gestão é um puta caminho bom e sabe usar as ferramentas tem colhido bons frutos. Quem fica esperando as coisas caírem do céu... infelizmente continuará esperando. Esse lance de produzir os próprios shows não é novidade. Várias bandas fazem isso. Entendemos que aqui no Rio de Janeiro a gente consegue colocar a mão na massa e organizar para fazer. Nada contra os produtores/contratantes que fazem as coisas por aí. Mas é uma questão de timing, fizemos o lançamento do Red Eyes e foi bem legal. Produzimos um show da tour (que passou pelo Rio) e deu super certo também, depois fizemos o “Hatefulfest” que foi irado também. Nesses três eventos nunca perdemos dinheiro, incrível né? (risos) Dá pra fazer algo com profissionalismo e organização pro público e pras bandas, é só ter os pés no chão, saber a hora certa pra fazer e trabalhar com vontade.

8 – Deixem recado final para os leitores do Arte Condenada.

Renan: Muito obrigado pelo espaço, Luis Carlos. Parabéns pelo trabalho e incentivo aos artistas. Muito obrigado a todo mundo que nos acompanha e nos dá força para continuar. Nos vemos por aí!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Living Metal, divulgando o verdadeiro Heavy Metal !



Tão pouco tempo de carreira mas a convicção de quem faz isso a bastante tempo, é o que move bandas como o Living Metal, grupo formado em São Paulo, e que já vem fazendo bastante barulho por lançarem uma nova música e um clipe que vem repercutindo muito bem nas redes sociais.
Bati um papo com Rafael e Jean, respectivamente, guitarrista e baterista do grupo, sobre a carreira do Living Metal e seus planos para divulgar seu Heavy Metal.
Vamos ao papo, mas, se eu fosse poser eu aconselho a não ler essa entrevista.

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação.

1 – O Living Metal é uma banda nova, porém, contando com integrantes experientes em outras bandas. Quando e como se formou o grupo?
RAFAEL ROMANELLI - O Living Metal a princípio era para ser apenas um projeto “solo” meu, com alguns amigos da cena Metal brasileira participando. Então de início convidei o Amilcar Christófaro (Torture Squad) para gravar as linhas de batera, a Fernanda Lira do Nervosa para fazer alguns backing vocals e na produção do disco o Rafael Augusto Lopes do Casanegra Estúdio. Eu gravaria as guitarras, o baixo e a voz principal. Só que a coisa foi se desenvolvendo de uma forma tão excelente e com uma qualidade tão satisfatória, que de uma certa forma o Amilcar e o Lopes me convenceram a isso acabar tornando-se uma banda. Mas não poderia ser com o Amilcar na batera em definitivo, obviamente por sua agenda lotada com o Torture Squad. As gravações começaram no início do ano passado, então em fevereiro desse ano, fiquei pensando em quem chamaria para uma formação em definitivo, e resolvi chamar amigos já experientes da cena metal de muitos anos e formar o Living Metal. O vocal que até então eu gravaria, acabei colocando para o posto o Pedro Zupo (Armadilha), na bateria chamei o Jean Praelli (ex-MadDog e ex-Fire Strike) e no baixo o João Ribeiro (ex-Carraz, Banda Sukata e ex- Blackfull’s Black Sabbath Cover).



2 – No marketing que a banda faz do seu trabalho, vocês reforçam bastante o discurso sobre o que chamam de “verdadeiro Metal”. O que seria o falso Metal? E o que vocês acham que falta ainda para o estilo no Brasil?
JEAN PRAELLI  - Sempre pregamos que o LIVING METAL toca o verdadeiro metal, muitas pessoas acreditam que isso não exista, mas sabemos diferenciar o metal tocado nas tradições de bandas clássicas, o metal sem invenções, sem pretensões de inventar um novo estilo. O Heavy Metal que sobreviveu e que influenciou tudo que temos até hoje é baseado no que foi feito nos anos 70/80 e é disso que gostamos e é esse caminho que queremos seguir, nossas influências são bandas como Judas Priest, Accept e Manowar, isso é diferente de bandas com sanfona e pandeiro em meio as guitarras. No Brasil acredito que falte ainda uma atitude mais dedicada por parte do público, bandas, mídias especializadas, etc. Bandas de qualidade temos muitas, mas, talvez necessitamos de uma adaptação a nossa realidade que não é fácil, ter ideias mais criativas para atrair público nos eventos, confiar mais em seu potencial e não apenas esperar que as coisas aconteçam como é no exterior onde existe mais estrutura. Tem que dar a cara a tapa e principalmente saber que o caminho do Heavy Metal não é nada fácil, só os fortes sobrevivem.


3 – Vocês divulgaram um clipe recentemente, mas parece que tiveram um problema no youtube e o clipe foi retirado. O que aconteceu?
PEDRO ZUPO - Houve uma confusão envolvendo direitos autorais, existe um selo na Colombia chamado Living Metal Producciones e quando nosso vídeo atingiu seis mil visualizações isso chamou a atenção deles, pois eles achavam que estávamos usando indevidamente o nome deles.
Então pediram para que o youtube removesse nosso vídeo alegando violação de direitos autorais, porém, nosso nome está registrado aqui no Brasil e podemos pela legislação nacional usá-lo como bem entendermos. Desta forma acabamos entrando em acordo afinal tudo não passou de um mal-entendido, e inclusive agora o Living Metal Poducciones são um de nossos parceiros, porém tivemos esse grande prejuízo pois o número de visualizações em um vídeo ajuda muito a conseguirmos patrocínios para os projetos da banda e agora estamos correndo atrás de garimpar visualizações.


4 – O Heavy Metal é um estilo popular no Brasil, porém, a grande mídia não a reconhece como deveria, ou, parece valorizar apenas alguns artistas como Sepultura e Angra. O que vocês acham disso?
RAFAEL ROMANELLI – Cara, o Angra e o Sepultura (principalmente o Sepultura) tem o seu mérito nisso, são bandas pioneiras e que tem a sua história e mostraram para o mundo que no Brasil também se fazia Heavy Metal de qualidade. Esses caras são um diferencial, mudaram a história! Mas assim, se você ler qualquer biografia do Sepultura, você vai ver que eles tiveram que começar a fazer um sucesso estrondoso lá fora, para a mídia brasileira começar a dar atenção para os caras e o respeito devido. É uma merda? É! Mas eu entendo isso, o Heavy Metal não faz parte da nossa cultura, ao contrário da Europa que é um tipo de música mais tradicional por lá. E sinceramente eu não sei também até que ponto a GRANDE MÍDIA brasileira, poderia ajudar com a cena Heavy Metal do país... A grande mídia está pensando no $$$ e não na música em si ou a qualidade disso, ou em alguma cena que seja. Tudo aqui mudou e na minha opinião decaiu, seja o Rock Nacional, seja o Samba raiz, o Funk, o Rap... na grande mídia do Brasil está preocupada em soltar artistas que duram 3 meses nela, enchem o cu de dinheiro e está tudo certo, procuram outro artista faz um single, e o ciclo continua. Em que espaço isso vai entrar bandas como o Living Metal? As bandas de Metal não nasceram para ser descartadas, bandas de Heavy Metal entram na história, mudam a história, não são uma mera “moda”, marcam pessoas, vidas e momentos. Eu sinceramente não consigo enxergar. É triste dizer isso, mas o lugar do Heavy Metal é ainda mais lá fora. Mas de verdade? Não precisamos da merda da grande mídia, hoje temos o You Tube, tem programas/canais como o Kazagastão que está aí falando sobre Metal e Rock n Roll, temos Blogs como o seu, dezenas de Web Radios e uma porrada de mídias que divulgam a coisa da forma certa, com respeito e realmente se preocupam com o Heavy Metal.

5 – Aproveitando a pergunta anterior, em contrapartida, parece existir uma resistência de pessoas que aceitam que se o estilo se popularizar demais corre o risco de se tornar ruim. Concordam ou não com isso?
RAFAEL ROMANELLI – Ao meu ver o Heavy Metal é um estilo popular, o Heavy Metal enche estádios e arenas até hoje em qualquer canto do mundo. Se você olhar nos anos 80 as grandes turnês mundiais, comerciais, revistas, e todos os tipos de marketing e o quanto isso rodava e ainda roda de dinheiro é uma coisa absurda! Agora se a coisa ao ficar popular se torna ruim... bom, depende. O Heavy Metal ao partir dos anos foi aumentando sua popularidade e se dividindo em outros subgêneros, e que EU sinceramente considero uma merda, como o New “Metal” e toda essa porcaria de “Metal” pula pula shortão modernoso. Mas ao mesmo tempo ele mostra que pode continuar excelente seguindo as suas origens e raízes, sem essa mudança brusca de som. Um exemplo claro disso para mim é o Iron Maiden. Escute a discografia dos caras, eles nunca deixaram de ser Metal.  E por mais que muitas pessoas torçam o nariz para essa fase atual deles, mais “progressiva” digamos assim, os caras ainda são Heavy Metal, e na real a música deles é menos comercial hoje em dia do que na época auge, onde era tudo feito com riffs e refrões que grudavam facilmente na sua mente, e mesmo assim, são de uma imensa popularidade, mas claro, estamos falando de IRON MAIDEN né?! Então acho que isso é uma coisa particular de cada banda e até onde ela quer chegar, e até onde ela está disposta fazer chegar sua música ou não. Se você está só pensando na fama e no dinheiro, provavelmente a sua popularidade vai crescer e você vai ter que agradar um bando de molecada idiota que vai se contentar com qualquer coisa que você vomitar no estúdio. Agora se você pensa na música para valer, o estilo pode SIM ser popular e continuar em uma excelente qualidade. Basta ouvir Iron Maiden, AC/DC, Motorhead, Accept, Saxon e etc...


6 – Muitas revistas foram acabando e parece que o Metal Brasileiro continua sendo levado por poucos produtores, fanzines e webs que valorizam o que está aqui e não somente o que tem lá fora. A internet através das redes sociais é outro caminho a seguir, mas eu mesmo já vi muitas pessoas que se dizem contra a tecnologia ao reforça a ideia do que tínhamos antes era melhor. Para uma banda surgida em 2018, mas com raízes em décadas passadas, qual a opinião do Living Metal a respeito disso?
JOÃO RIBEIRO – As redes sociais, se forem bem usadas, podem ser uma ótima ferramenta de divulgação para as bandas. Infelizmente hoje em dia as pessoas estão totalmente polarizadas e ao invés de usar as redes pra coisas úteis acabam é   gerando a discórdia. Sobre os fanzines e revistas realmente foi uma boa época. Como o acesso ao material era mais limitado a galera realmente corria mais atrás, em vez de ficar apenas na internet. Mas infelizmente essa foi uma mudança que atingiu tudo ao nosso redor, não só a cena metal. Então temos que nos adaptar.

7 – Já critiquei diversas vezes a respeito de um público que mais parece se importar com estilos alheios, onde o que gostam está sendo deixado de lado, inclusive para ficar discutindo sobre política. Qual a opinião de vocês sobre isso e onde se insere o Living Metal nessas questões?
RAFAEL ROMANELLI – Bem-vindo as redes sociais cara, a maior porta voz de idiotas da história da humanidade! O ser humano gosta é de barraco, saca? Tipo Programa do Ratinho, não interessa o conteúdo, você quer ver é o barraco, quer ver a merda acontecer, o circo pegar fogo, está em nosso DNA. Então fica muito mais fácil falar merda, criticar qualquer coisa que seja, do que dedicar uns 5..10mins da sua vida, gastando esse momento para falar bem de uma banda, divulgar um trabalho ou de qualquer outra porcaria. O Living Metal é uma banda que surgiu justamente por que estamos de saco cheio dessa coisa toda. Eu mesmo acho um porre, você ir em um show, onde o cara sobe no palco e fica dando discurso em quem você deve votar, se você tem que ser esquerda ou direita, em que merda de religião você deve seguir ou qualquer coisa parecida. Acredito que todos nós passamos por uma par de merda em nosso dia a dia: no trabalho, transporte público, família, eleições e etc... Cara a única coisa que eu quero na minha Sexta Feira, no meu fim de semana, é sair, esquecer pelo menos por UM DIA essa porra toda, tomar uma cerveja, me encontrar com uma garota, com meus amigos e lembrar de que a apesar de todo esse caos, a vida é realmente boa, e o Heavy Metal me traz isso desde a adolescência. Não preciso de um mala em cima do palco fazendo me lembrar de toda a coisa chata. Então onde o Living Metal se insere nessas questões? O Living Metal não se insere nelas! O nosso objetivo é apenas o Heavy Metal. Nosso show é aberto para as pessoas se divertirem e terem uma noite inesquecível, que vá trazer boas lembranças, e não um monte de problemas de volta para sua cabeça.


8 – Quais são os planos futuros do Living Metal? Deixem um recado final para os leitores do Arte Condenada.
RAFAEL ROMANELLI – Planos futuros? Dominar o mundo! Estamos trabalhando demais desde fevereiro. Então em 2018 ainda teremos o show de lançamento do nosso EP em formato físico, mais shows ao redor do Brasil e uma novidade absurda e bombástica que irá acontecer no início do ano que vem, que acreditamos que pode ser um divisor de águas para a história da banda. Dentre tudo isso, já começamos também a trabalhar em nosso primeiro full-lenght, que inclusive já tem até título. Não estamos de brincadeira, chegamos para ficar, e cravar a espada do True Metal do Brasil para o mundo. Um grande obrigado ao Arte Condenada pelo espaço e respeito, um enorme HAIL! Para todas as pessoas que estão nos acompanhando e nos apoiando, e que pode acreditar cara, não está sendo poucas e um grande chute no traseiro dos posers ao redor do mundo. Somos o Living Metal e tocamos Heavy Metal! HAIL THE TRUE METAL AND FUCK ALL THE POSERS!!!


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Gangrena Gasosa e a raiz do Saravá Metal

Eu que conheci a Gangrena no começo da década de 90 e acompanhei bem não só a sua carreira, como também toda aquela cena que acontecia na década de 90 por intermédio de várias bandas da época como, por exemplo, Sex Noise, Poindexeter e Second Come, sei da importância que eles tiveram naquela momento e de como foram o principal nome de tudo que acontecia do Rio de janeiro para o Brasil.
Um tempo atrás surgiu uma grande polêmica nas redes sociais através de um problema com o nome e as atividades da banda entre antigos e novos integrantes e que gerou muita polêmica, com pessoas defendendo e outras atacando. Bati um papo com Vladimir, guitarrista do grupo, sobre essa polêmica e também sobre os planos que a banda possui de agora em diante.
Vamos ao passe...ops ao papo !

Entrevista por Luis Carlos
Fotos: divulgação



1 – Bem, de cara eu recebi convite do teu perfil e logo vi postagens polêmicas a respeito do Gangrena Gasosa. O que de fato aconteceu?

Então Carlinhos, convidei você e muitos amigos, e conhecidos, que viram a Gangrena nascer, no início dos anos 90. E a intenção era de expor a situação absurda ao qual nos colocaram, perante um público novo, que tem como referência a história recente que vem sendo empurrada, através das redes sociais. O que aconteceu, de fato, foi o seguinte:  Em 2015, fãs começaram a entrar em contato, pedindo uma reunião dos membros da formação original, para tocar o Welcome to Terreiro (primeiro disco lançado pela banda) na integra.  Então, o Chorão, o Cid e o Paulão ficaram na pilha de fazer isso se tornar realidade e entraram em contato com a outra parte, para conversar sobre essa possibilidade, já que eles eram amigos. A ideia era fazer 2 ou 3 shows pontuais, reunindo a formação que gravou o disco, sem que prejudicasse ambas as partes. A conversa se estendeu um bom tempo, o Cid (baterista) tentou de todas as formas amigáveis, fazer com que isso fosse possível, inclusive até surgiu o papo de fazerem um show misto, com as duas formações, ou de usarmos um outro nome, mas eu por várias questões morais e éticas, que hoje, para mim estão justificadas por essa e outras atitudes de extrema má fé da outra parte, deixei claro que não dividiria palco com ele. No meio dessa conversa entre o Cid e a outra parte, ele deu entrada no INPI, com registro de marca mista, para a Gangrena Gasosa e continuou conversando com o Cid, como se nada tivesse acontecido, e sem ao menos comunica-lo, e solicitar a cessão de direitos, uma vez que TODOS sabemos que quem criou o conceito, o nome, o mascote (o Zé) e a logomarca, foi o Cid. A entrada com o pedido se deu em 10 de outubro de 2016, e só descobrimos em novembro, faltando pouquíssimo tempo para que expirasse o prazo para que entrássemos com oposição. Para nós isso foi uma atitude de extrema má fé, que não condiz com o tratamento de amizade e respeito que sempre existiu entre os integrantes originais e criadores do conceito. Todos nós sempre soubemos que a banda e a marca não eram registradas, e nunca quisemos nos apropriar de algo que não era nosso. Ainda mais assim na cara dura.

2 – Eu acompanhei a Gangrena do começo, de quando rolava as demos e dos primeiros shows, isso lá pelo comecinho da década de 90. Quando é que veio essa ideia de celebrar o primeiro disco com a antiga formação?

 Cara, na verdade essa ideia sempre existiu, dado que o “Welcome To Terreiro” e o “Smells like” , são discos clássicos da década de 90, que influenciaram muitas bandas, e fizeram parte da vida de muitas pessoas daquela época do Garage, e que curtem as músicas até hoje. Foi uma época de ouro no Underground do Rio. Porém, ela só começou a tomar força, em 2015, até por conta, de vários shows que começaram a acontecer, com bandas tocando seus álbuns clássicos, com a formação original daquela gravação. Ai o Paulão, o Cid e o Chorão, começaram a tentar viabilizar isso. Eu encontrei por acaso o Chorão num show do D.F.C, e a ideia era fazermos um show do WTT, e depois um do “Smells”. O que para mim não rolava, porque o Chorão queria que a outra parte participasse do show do Smells, e eu não topei, pelos motivos mencionados acima, e pelo fato dele não ter cantado no disco, mais do que 30 segundos, já que quando ele voltou para banda em 99, após ter substituído o Felipe, no Baixo por alguns poucos shows em 94, já estávamos no estúdio gravando, com todas as músicas prontas. Então falei que faria o show do WTT com os integrantes originais.


 3 – Hoje, parece existir então duas “Gangrenas”. Uma com nova formação e outra com os antigos membros. Sobre vocês, é possível que isso tenha alguma continuação?

Carlinhos, não existem 2 gangrenas. O conceito de “Saravá Metal”; é ÚNICO. Ele só poderia ser criado e desenvolvido pelas pessoas que haviam naquele grupo. Naquela formação inicial. E é tão forte, que se estende até hoje, porque é muito original. A Gangrena ultrapassou os limites musicais e se estabeleceu como um conceito artístico, representando um estilo único. A gangrena criou o seu próprio estilo, e sempre será vista assim. Inclusive, mesmo tendo uma postura totalmente anárquica no palco e fora dele. Nunca deixou de estar presente nos maiores meios de comunicação televisão, jornais e maiores palcos da época. Para mim que fui integrante por 20 anos da banda, e passei por todas essas fases, desde o WTT, até o “Se deus é 10”, está bem claro que existe a Gangrena Original, com os membros fundadores, donos do conceito e de toda a criação artística, e um grupo que se apropriou de maneira nada justa, e quer ter posse de um conceito que não lhe pertence. Visto que em todo esse tempo nada se criou e continuam a reproduzir as coisas que falamos, a história que não viveram, as músicas que criamos, e todo resto. Quanto as possibilidades de continuidade. Cara o que seriam 2 ou 3 shows, se tornou um projeto muito maior. Ainda mais depois de todas essas atitudes erradas que esse senhor fez. Então assim que resolvermos esse imbróglio judicial, temos ideia de regravar o WTT, fazer shows e relançar alguns materiais.


4 – Eu assisti o documentário e nele teve inclusive a participação dos antigos integrantes. Poucas bandas seguem sem seus integrantes originais ou fundadores, o Napalm Death e o próprio Sepultura são exemplos disso. Vocês acham que se o Gangrena Gasosa tivesse sido levado a frente por algum integrante fundador ou mesmo antigo, os rumos da banda teria sido outro?

Normalmente essas bandas, como as que você mencionou, seguem, porque obtiveram uma cessão de direitos sobre a marca. No caso da gangrena, o que está acontecendo é a apropriação da marca. Nós não transferimos e nem cedemos o direito. Nunca nós negamos a ajudar. Um cara, entrou com o pedido de registro, sem que o Cid ou nenhum de nós tivesse conhecimento, para se apropriar dela. E se não tivéssemos procurado advogados especializados, hoje já teríamos perdido o direito ao nome da banda. Sim, os rumos seriam outros. Cara, eu saí em 2011, e o Felipe em 2013. Não tem tanto tempo assim. Até o Disco “Se Deus é 10…”as composições são minhas. Então, eu considero que o que temos hoje não tem a essência da banda. É um projeto paralelo, sem referência e base. É só escutar os cd`s. A Gangrena, sempre foi um bicho estranho dentro do zoológico, com várias influências musicais. Nós chamamos atenção para uma coisa que ninguém prestava atenção, tanto nas possibilidades musicais quanto artísticas. 


5 – Sobre o primeiro disco, “Welcome to Terreiro”, muito se questiona sobre a qualidade dele. Se vocês concordam com isso, por que aconteceu? E se pudessem relança-lo algum dia, fariam uma nova gravação?

Carlinhos, é legal você falar isso, porque você viveu a década de 90, e você sabe que não tinha as mesmas facilidades que temos agora… Equipamento mais barato, facilidade de gravação, internet entre outras coisas. E hoje, para qualquer um que não estava inserido nesse contexto, escutar a gravação e criticar o disco é muito fácil. Na verdade, a Gangrena, nunca conseguiu colocar dentro de um disco, toda a energia que tinha ao vivo. O Welcome foi um pouco disso. Acho que o mercado não estava pronto para a gangrena, e de certa forma, a gangrena também não era madura o suficiente para lidar com isso. Éramos muito jovens e imaturos, vínhamos do subúrbio e não tínhamos acesso à equipamentos bons, bons estúdios. Tínhamos uma ideia muito grande, mas não tínhamos controle na parte técnica. O WTT foi gravado em sobras de estúdio, e assim que escutamos o disco, não curtimos o resultado, mas mesmo assim, ele se tornou um disco Clássico e extrapolou as expectativas. Se pudéssemos, remixaríamos esse disco, mas a master foi apagada. Na época, a RockIt, gravava em rolo e depois usava o mesmo rolo para gravar outra banda.  Eu tenho certeza que se tivéssemos essa master, track a track, com a tecnologia que temos hoje, nós conseguiríamos deixar esse material infinitamente melhor. Uma pena não termos essa master. É uma ideia regravar esse disco. Pensamos nisso há um bom tempo, não só ele como outros materiais também.


6 – O que fez com que cada antigo integrante saísse do grupo, já que a Gangrena sempre se destacou no meio musical alternativo. Se não concordam, o que acham sobre o que faltou para que a banda alcançasse conquistas maiores?

Foram motivos diversos, tanto pessoais, como profissionais e até morais. Eu saí em 2011 porque eu já estava desgastado, por causa das atitudes que outros membros vinham tomando, tentando agir pelas costas dos outros, e querendo ser maior do que a banda. Eu saí também por que em 2000, depois que gravei o Smells, eu resolvi conversar com o pessoal e investir numa turnê, pra Europa. Fiz os contatos, coloquei grana, arrumei parcerias e fomos. Quando voltamos, já com uma turnê possivelmente agendada no ano seguinte, e um convite para gravar o próximo CD nos EUA, os vocalistas, resolveram sair da banda, por achar que não era o tipo de vida que eles queriam. Eu sempre acreditei que o caminho da banda, para ela se tornar maior, e chegar no lugar que o conceito merecia, era fora do Brasil. Mas ele nunca quis. A prioridade sempre foi outra. Eu queria que a banda fosse maior do que era, e eu não via essa vontade e nem esforço para que isso acontecesse. Estávamos com material novo, e eu queria fazer outra turnê, mas nunca foi intenção dele, pelo menos, enquanto eu estava na banda…

7 – Deixe seu recado final.

Meu recado final é o seguinte:

A história começa do início, e não do meio ou do fim. As pessoas, antes de falar e tomar partido de algum lado deveriam realmente entender o que está acontecendo. Pesquisar a história da banda desde 1990. E não tratar a banda como se fosse um terreno baldio. A Gangrena nunca foi um terreno. Ela é uma criação artística. O Brasileiro não conhece seu direito, ainda mais os direitos autorais. Nós mesmos não tínhamos ideia de 20% do que isso representa. O Direito autoral é um bem inalienável. E não uma casa, que se alguém ocupar por 5 anos, vira dono.

Eu pergunto a vocês? Onde estava essa galera, em 1990, na hora que a banda foi criada?
Não sei. E provavelmente eles também não.

Onde estava essa galera com 5, 10, 15 anos de banda? Cara, dos que se dizem Gangrena hoje, nenhum estava presente. Um dos membros da outra parte passou pela banda 3 vezes. A primeira, eu o convidei para substituir o Felipe, em 94 (me arrependo muito, e peço desculpas para os amigos por isso), por poucos shows, saindo em 95, para fazer uma tour com a Dorsal, por que a Gangrena nunca foi prioridade dele. Depois saiu da Dorsal “não sei porque” e nós o aceitamos de volta, pela amizade, em 99, quando estávamos já em estúdio para gravar o Smells. Onde ele participou 30 segundos num CD inteiro. Se for por esse raciocínio, o B Negão é mais da banda que ele, porque gravou uma música inteira, rsrs. Em 2000, meu pai morreu, e eu investi o dinheiro que eu recebi de seguro, numa tour, o cara foi, e quando voltou saiu da banda de novo… Só voltando pra fazer um show com o Ratos em 2003, porque era a boa. Aliais, ele só ia nas boas se vocês repararem… Daí em 2005 o cara diz que quer voltar com a banda, pega metade das músicas que eu tinha feito e gravado em 95, junta com as outras melodias que eu tinha feito para um trabalho novo da Gangrena, fala que é dele, e agora ele diz que é dono da coisa toda… Por favor né? O mundo está ficando maluco!!! Daí em 2018 vocês já sabem o que aconteceu… E nesse meio tempo, a gente só tá se defendendo disso tudo. Eu quero que a Galera entenda que quem fala aqui é uma pessoa que atravessou TODAS as fases da Gangrena, e que só saiu em 2011, por conta de todas essas atitudes que ele vinha tomando… O que está sendo discutido aqui é a apropriação de um conteúdo único, uma ideia que já nasceu grande para o universo que habita, e que hoje está sendo apropriada de maneira indevida, e é apenas reproduzida. O que seria deles hoje, se não existíssemos ?

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Se o Metal Brasileiro tem um representante maior, o Krisiun está aqui.



Eu que tive a oportunidade de produzir um show e um workshop de bateria com Max Kolesne, pude comprovar de perto o quanto a banda e seus músicos são focados e profissionais. E mais, super humildes e gente boa. 
Não a toa são considerados hoje como um dos maiores nomes do Metal Brasileiro para o mundo e tem razão não só quem é fã ou fã de Metal em extremo de um modo geral em dizer que o Krisiun é uma banda excelente, e "Scourge of Enthroned", disco novo lançado nesse ano, vem para coroar mais uma conquista em uma carreira mais do que consolidada e de sucesso.

Vamos ao papo !

Entrevista por: Luis Carlos
Fotos: divulgação

1 –O Krisiun lançou um novo disco, “Scourge of Enthroned”. O que podemos esperar desse novo trabalho?
“Scourge of the Enthoned” é meio que uma volta as raízes, é um disco com músicas mais velozes, curtas e diretas que os últimos trabalhos que lançamos. Buscamos inspiração nos álbuns antigos, “black force domain” e “apocalyptic revelation”, mas mantendo certos elementos dos trabalhos mais recentes também com mais variação, peso e dinamismo. Eu curto os álbuns anteriores, mas eu diria que “Scourge of the Enthroned” representa a real essência brutal do Krisiun.


2 – Falando em novo trabalho, o que vocês esperam que os fãs, e mesmo aqueles que não sejam fãs do Krisiun, que a cada disco de uma banda considerada como Metal extremo possa inovar?
nossa ideia é fazer músicas explosivas de metal extremo, com riffs cortantes, vocais brutais e marcantes e batidas super velozes...não nos preocupamos muito em inovar ou mudar o rumo das coisas...tocamos o que amamos tocar e nossa intenção é fazer músicas brutais  que toquem e inspirem os fãs ...acho que essas bandas que se preocupam muito em inovar e mudar demais o som,  acabam perdendo a identidade...Sempre tentamos melhorar as composições, dinamizar, deixar as músicas mais fortes e impactantes, mas esse lance de que tem que mudar e buscar novos horizontes não faz parte dos nossos planos. 

3 – O tempo acaba sendo um fator crucial para o músico ao longo do tempo, principalmente para quem é baterista. Para uma banda que soa tão rápida, já pensaram no krisiun daqui a 15 anos tocando esse mesmo extremo?
cara, realmente tocar metal extremo é bastante físico e com o tempo a gente tenta se cuidar mais, fazer exercícios, musculação e diminuir as bebedeiras  principalmente em turnê, o equilíbrio entre mente e corpo é muito importante pra se manter na ativa e detonando. Eu acho que a gente tem bastante lenha para queimar ainda, é tudo uma questão de cuidar mais do corpo e da mente e manter a chama e a paixão de tocar e subir no palco todos os dias.


4 – Para um grupo que começou como quarteto, duas guitarras, e se tornou um trio, muitos levariam em as possibilidades técnicas e achariam que isso limitaria o som do grupo. Porém, o Krisiun seguiu um caminho diferente e provou justamente o contrário. Nesse meio tempo, chegaram a cogitar usar novamente uma segunda guitarra?
Sim, chegamos a cogitar, mas com o tempo o baixo do Alex foi obtendo destaque, e nos shows ao vivo não ficam lacunas na hora dos solos do Moyses...o baixo mantém a base com peso e clareza. E power trio sempre tem aquela crueza a mais, não é algo muito comum no Death Metal.

5 – Analisando o krisiun hoje pelo que vocês fizeram no passado. O que vocês acham que mais mudou?
Musicalmente, eu acho que melhoramos muito e executamos as músicas com muito mais precisão e técnica do que no passado, mas sempre mantivemos a crueza e selvageria no som, mesmo adicionando um pouco mais de variação rítmicas e músicas mais cadenciadas em alguns álbuns, o espírito sempre foi o mesmo. Nossa atitude também é a mesma, não somos mais tão radicais como no passado hahaha mas mantemos um certo radicalismo no bom sentido, defendemos a pureza e integridade do Metal. Vivemos o Metal, sempre que podemos vamos aos shows e estamos sempre de olho nas novas bandas do underground com potencial e tentar apoia-las de alguma forma, curtimos Metal de verdade, é nosso estilo de vida. Até a forma de compor é a mesma, não " evoluímos" neste sentindo...nos encontramos no nosso estúdio de ensaio e colocamos as ideias novas em pratica para compor, e construir as músicas juntos, nada de computador. Ou seja, pouca coisa mudou, exceto que por conta da agenda cheia, nosso tempo livre é mínimo, a quantidade de trabalho e a responsabilidade é bem maior e hoje tudo é feito com mais profissionalismo e seriedade.

6 – Vocês lançaram recentemente um novo clipe, que foi para a música “Devouring Faith”. Fale-nos um pouco sobre ele.
Sim, Clever Cardoso, responsável pela produção, fez um trabalho excepcional! O vídeo retrata a letra da música que fala sobre religiões e todas as atrocidades ligadas a elas, escravidão, lavagem cerebral, guerras, sangue, mentiras, politica, tirania...
7 – Falem também da música “Demonic III”, música que lançaram como um Lyric Vídeo.
Demonic III é uma música bastante inspirada na fase Black Force Domain, os riffs cortantes, a velocidade e os vocais contagiantes lembram bastante o primeiro disco do Krisiun e a letra fala sobre a história de três demônios que lutaram e continuam lutando contra todas as adversidades e falsidades em nome do Metal, derrubando todos obstáculos na base da força bruta. Fizemos também um lyric video para a música " A Thousand Graves", um som extremamente veloz e sanguinário, o vídeo foi ótimo  por nossos amigos Alcides Burn a Marcelo Silva, que fizeram um ótimo trabalho! Os fãs estão curtindo muito essa "volta" as raízes, com um som mais brutal q os discos anteriores...


8 – Por muitos anos o Metal Brasileiro ficou mais conhecido pelo Sepultura e Angra, mas aos poucos, bandas como o Krisiun foram mostrando que havia bem mais do que isso. Eu mesmo considero vocês hoje como a melhor banda Brasileira em atividade. Sendo as duas citadas um exemplo de grupos que levaram o Metal além da mídia especializada, acredita quem seria possível que isso acontecesse com o Krisiun que faz um som mais extremo?
Orra brother, muito obrigado mesmo, é muito estimulante e inspirador ouvir isso, ainda mais de um cara como vc que tem um conhecimento muito amplo e profundo do metal. Cara, sinceramente o Krisiun pode sim atingir a mídia "mainstream", porém não é algo que objetivamos como prioridade não, se rolar uma apresentação ou outra em algum meio de comunicação grande, vamos lá levar nossa proposta e nosso som, sem jamais mudar nosso postura e som. Nunca nos preocupamos em fazer "aquela música mais comercial" para conseguir penetrar nestes meios...Acreditamos de verdade na solidez e na força do nosso público real, a legião Krisiun que está sempre do nosso lado sem se importar com modinhas passageiras.


9 – Da extensa discografia da banda, quais seus álbuns preferidos e aquele que de alguma forma é o que vocês menos ouvem?
Eu curto muito a trinca “Black Force Domain”, “Apocalyptic”, “Revelation” e “Conquerors of Armageddon”, são os discos que definiram o estilo " Krisiun" e que tem a verdadeira essência da banda. “The Great Execution” também é um disco que curto muito, é bem trabalhado e tem uma atmosfera épica. E o " Scourge of the Enthroned" por que é o disco que resgatou as raízes, depois de alguns trabalhos mais variados, voltamos com força total inspirados nos trabalhos antigos. Eu não escuto muito o “Ageles Venomous” porque não curto muito a produção, muito limpa e seca, com os bumbos muito altos na mix...bom na verdade na época foi uma tremenda evolução, queríamos fazer algo inovador, diferente, mesmo com músicas brutais, queríamos um disco limpo, onde o ouvinte pudesse escutar todos os detalhes da música com clareza, mas aquele bumbão alto na cara , fica meio maçante o tempo todo...foi um aprendizado, e o Tchelo Martins que auxiliou na produção fez um ótimo trabalho, pois a visão era justamente fazer algo diferente das outras produções de Death metal.

10 – Planos futuros e um recado para os leitores do Arte Condenada.
Agora vamos dar início a “Scourge of the Enthroned tour”, shows no Brasil, Europa, América do Norte, e só o satanás sabe quando vamos parar...Estamos preparados para a guerra e vamos destruir tudo que estiver no caminho! Esperamos muito em breve tocar no Rio, cidade que temos um carinho especial, onde fizemos grandes amigos e sempre que tocamos aí é pura festa e curtição! Valeu Carlinhos, grande abraço, Mestre!

domingo, 16 de setembro de 2018

Heavy Drink faz mais uma bela história de Metal pesado.



HEAVY DRINK

SAVANT + AFFRONT + FORKILL + EVIL INSIDE + SANTARIA

Dia: 15/09/2018
Bangu / RJ

Resenha e fotos por Luis Carlos

O Heavy Drink vem sendo realizado em uma novo local a pouco tempo, e que no final das contas vem dado certo pela boa presença de público em alguns eventos, ainda que pela natureza do evento deveria dar bem mais.
Digo isso porque os eventos têm se realizado de graça e o lucro que os produtores tem são com as vendas e comestíveis que vendem no local, mas parece que boa parte desse mesmo público não entende que se eles não tiverem retorno, um dia isso vai acabar. Só que, nesse dia o evento fazia seu primeiro evento pago no local, e com bandas exclusivamente de Metal, ainda que o Santaria tivesse um “Pezinho” no hardcore. As demais bandas já são conhecidas do público carioca, em especial o Affront e o Forkill, por estarem girando bastante pelos palcos do Rio e do Brasil. As demais são Evil Inside, banda da região, e a já veterana Savant.
Daniel Escobar, novo guitarrista,e AntonioVargas do Savant.

Como anunciado pela previsão do tempo, o final de semana seria de frio e chuva e realmente acabou acontecendo no dia, mas felizmente isso não atrapalhou o evento, já que a produção estava preparada para isso, e além de ter colocado uma estrutura de palco e som bem mais bacana do que nas edições anteriores, uma lona enorme fez com que o público ficasse devidamente abrigado para assistir os shows. Shows esses que não se iniciaram na hora prevista, o que é comum, porém, é um bom motivo para que a produção fique atenta já que quanto mais tarde fica, pior fica para quem vai tocar para um público que normalmente vai embora no meio do caminho, ainda que esse público, ao ter ido embora e não ter assistido o último show da noite, o Savant, que aliás, fez o melhor show de uma noite de um cast onde todas as bandas fizeram boas apresentações.
Santaria

A noite foi aberta pelo trio Santaria, um nome que qualquer um sem mesmo ouvi-la vai perceber que tem algo de Brujeria nela. As influências são claras, tão claras que se uma pessoa não conhecer o Brujeria é capaz de achar que é um cover. É uma boa banda, mas confesso que por ser tão parecida com a citada banda me incomodou um pouco, já que acho essencial ter alguma identidade na música que faz. Fizeram uma boa apresentação, mesmo um pouco prejudicada pela bateria que não parava no lugar a todo momento da apresentação fazendo com que o baterista tivesse que ficar arrumando as peças. O baixista do Santaria era Haroldo ramos, também baixista do Evil Inside, grupo que se apresentou depois. Tirando a bandana que cobria parte do rosto de Haroldo, que fez duas apresentações seguidas, e diga-se de passagem, mostrou que é um excelente baixista.
Marcelo Mictian e Rafael Lobato do Affront.

O Evil Inside tinha novidades, afinal, um dia antes, a banda tinha lançado através de suas redes sociais seu novo trabalho, o Ep “Subconscious”. O grupo manteve a qualidade intacta desde a última apresentação que eu vi da banda e que já fazia um bom tempo, creio que uns 2 anos. Como a banda vem evoluindo, o EP é uma clara mostra de que isso vem acontecendo. O som do grupo é Death Metal, mas tem lá seu pezinho em algo mais extremo do que o estilo, mas, com uma sonoridade limpa e mais técnica do que aquele extremo sujão, e mesmo eu, que não sou apreciador do estilo como um todo curto o que eles fazem, porque é uma banda que apesar de nova tem identidade e atitude no que faz, principalmente para uma vocalista excelente que ao vivo se transforma em um “monstro”. Os demais integrantes são bons n oque fazem, principalmente o baterista Mike Nil, que assim como o baterista do Santaria, enfrentou problemas no palco, mas que soube superar com facilidade pela qualidade e técnica com que toca.

Evil Inside.
A seguir veio o Forkill, grupo que já vem passando constantemente pelos palcos cariocas, inclusive em Bangu onde meses atrás fez uma apresentação. Não vi novidade nesse show, mas quem precisa de novidade quando a banda sobre ao palco e faz aquilo que sabe ? Descarregaram Thrash metal em um set calcado nas músicas antigas e do novo trabalho, que está para sair no formato físico. Falando nisso, é bom até que a banda não queime muito cartucho em shows sem um trabalho lançado, para que assim os fãs tenham mais motivos ainda para assisti-los. Como já escrevi em outra ocasião. Matt, o novo vocalista, fez com que a banda crescesse ainda mais, e Ronnie, guitarrista e fundador do grupo é daqueles caras que você pode até não gostar da banda, mas que fica impossível não admira-lo. No palco esse veterano músico parece um menino e como já escrevi antes também, é um exemplo para qualquer Headbanger de verdade que pretenda ter uma banda. Depois do Forkill, outra banda que eu já tinha visto e feito o mesmo elogio é o Affront. Esse, já vem tocando em palcos fora do RJ na divulgação do seu novo trabalho. O grupo apresentava uma novidade, o novo baterista Rafael Lobato, que é infinitamente superior ao anterior. Aliás, ele já tocou com Marcelo Micta na época do Unearthly. A banda tem uma visão a frente, sempre se preocupando em ter uma boa produção e a postura de palco é de quem sabe o que quer. Musicalmente, não sei se pelo som no dia, senti falta de uma segunda guitarra. 
Forkill

Para fechar a noite o já citado Savant, que apesar da maior ausência do público que acabou indo embora por causa da hora, quem esteve ali viu uma banda com sangue nos olhos. Como disse um amigo ao me laudo: "adoro assistir os caras quando estão com raiva." Claro que a raiva ali não era pelas condições do evento, mas por servir de mais uma motivação para tocar, já que no palco são bem alto astral e divertidos, rendendo piadas entre si inclusive. Além das homenagens aos que estavam ali, um público que de pouco se transformaram em muitos curtindo show da banda bem pertinho do palco e compenetrados na boa música e presença de palco do grupo. Nova formação e novas músicas foram os pontos altos de uma apresentação da melhor banda noite e que fechou o evento com chave de ouro. Falando em público, ele compareceu. Claro que não expressivamente como aconteceria se fosse de graça, mas que esteve ali enfrentando a chuva e um evento enorme de motos que acontecia gratuitamente no mesmo bairro. Musicalmente era diferente, até porque o que estava nesse era de um público que curtia mais Metal.
Mais um excelente evento na brilhante história do Heavy Drink, mas alerto novamente quanto a essa questão de público. Fazer eventos tem custo e dá muito trabalho, sei muito bem disso porque já produzi vários, e se o público não corresponder um dia podemos não ter mais. daí meus amigos, só vai restar mesmo você ficar falando mal de Funk e de política em rede social.

Uganga, música sem fronteiras e de muita qualidade.

O Uganga é uma banda que vem se destacando no cenário brasileiro pelo que faz, porém, indo além do que tem como padrão de um estilo ao f...